Capitulo único: Ilha fantasma · Capítulo 1 de 1
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Capitulo único:

AVISO, PESSOAL: ESSE CONTO NÃO ESTÁ REVISADO, ELE FOI POSTADO POR UMA QUESTÃO DE NECESSIDADE.

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Havíamos acabado de sair de uma batalha contra o bando do pirata barba negra, a batalha foi sangrenta, mas conseguimos sair todas vivas e com vários inimigos mortos. Após reorganizar o navio eu adormeci em minha cabine por aproximadamente uma hora e acordei com a imediata me chamando pois estávamos próximas de uma ilha que não estava em nosso mapa. Levantei e fui ao convés para dar as ordens, as marujas esperavam minhas orientações, mas eu precisava de mais informações, então ordenei que jogassem a ancora e observassem a ilha de longe.

— Capitã, a ilha pode ser alimentos, água e nossos suprimentos estão acabando. — Julia falou enquanto estendia o mapa amarelado e gasto sobre a mesa redonda.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

De minha cabine eu podia ver a ilha misteriosa, de longe era linda, mas a beleza não era suficiente para me convencer a aproximar o navio e por em risco a tripulação, por outro lado precisávamos reabastecer a dispensa e nosso estoque de água. O mais urgente, no entanto, colocar tal ilha em nossos mapas para evitar confusões futuras.

— Vamos rodear a ilha para saber se é segura, se a marinha ou outro navio pirata estiver por perto, iremos embora, se não houver sinais de outras embarcações nós atracamos. — Optei pela ação menos perigosa, apesar de ainda ser um risco visto que encontrar outro navio poderia significar um embate, mas minhas companheiras eram boas nas batalhas, então não havia tantos motivos para temer. Além do mais, era improvável que o houve mais navios, visto que a ilha era desconhecida. — Avise as demais para se preparem para lutar, caso haja algum perigo. —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

Julia deixou minha cabine animada, animação essa da qual eu partilhava, mas com um pouco mais de cautela devido a preocupações com as quais ela não tinha que lidar. Esperamos a noite cair e só então movemos nosso navio, na escuridão era mais difícil ver, mas era mais seguro se mover na escuridão da noite, a noite também conseguiríamos ver luzes de possíveis habitantes, mas para nossa sorte não havia ninguém na ilha, pelo menos ninguém que conseguíssemos ver.

Quando os primeiros raios do sol começaram a iluminar o céu escuro, nós já estávamos abraçadas na ilha, preparávamos o navios para receber as provisões que achariam e as armas para caso encontrássemos animais perigosos.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Companheiras! — Gritei a plenos pulmões enquanto elas se preparavam, todas olharam para mim. — A ilha a frente e desconhecida, não sabemos os perigos que nós esperam, mas sejam quais foram nós iremos domina-los, sabem porquê? —

— por que somos as filhas da tormenta! — Elas gritaram me enchendo de orgulho.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Isso mesmo. Reivindicaremos estas terras sobre nossa bandeira. — Todas gritaram e atiraram empolgadas com minhas palavras.

Apesar da força de minhas palavras, havia um sentimento que não me deixava relaxar e não era apenas o sentimento de preocupação típico de uma capitã, era algo mais íntimo, mais assustador. Descemos do navio e relaxamos na areia fofa, por mais que eu amasse o mar, era reconfortante pisar em algo que não balançava o tempo todo, sentir o cheiro da terra também era agradável.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Marujas, vamos nos dividir, metade ira comigo explorar a ilha, as demais ficarão para consertar as avarias do navio. — Falei após o serva o entorno. — A cartógrafa ira conosco mapear a ilha, decidam entre si quem ira e quem vai ficar.

Me aproximei de uma das palmeiras próximas que estava carregada de cocos, era alta, mas nada que me impedisse. Peguei a faca que carregava na cintura, prendi em uma corda e arremessei no cacho fazendo quatro cocos caírem no chão, puxei novamente a faca e fiz um furo nele para beber a água. Era a melhor água de coco que já havia privado na vida, talvez essa impressão fosse por estar tanto tempo no mar, mesmo assim, era deliciosa.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

Levei os cocos para as demais e a carpinteiro já estava consertando algumas tábuas soltas, as outras já estavam prontas e Julia ficaria para cuidar das outras. Entrei na mata com outras sete companheiras, os primeiros metros não tinham nada de muito interessante, cobras e aranhas já eram de se esperar, mas o estranho era não haver animais maiores, ate mesmo os pássaros não faziam barulhos, apenas ficavam lá, nas árvores nos olhando.

— Capitã, isso aqui não tá muito estranho? — Ilana perguntou olhando para as arvores. — Os animais não aparecem, os pássaros não cantam.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Deve ser porque a ilha nunca foi habitada por pessoas, então eles devem estar observando. — Minha resposta foi uma tentava de acalmar as marujas, a verdade era que meus instintos estavam me dizendo que a olhava não era segura, mas nós não fugimos do inimigo.

Chegamos a uma cachoeira belíssima, a fonte de água doce acima dela serviria para abastecer os barris do navio. Maria fazia o mapeamento detalhado, mas era muita coisa para fazer em um único dia. Voltamos à praia para pegar os barris e nossas companheiras nos ajudaram, precisaríamos de muita água pois não sabíamos quanto tempo passaríamos no mar.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

O navio ainda estava avariado, mas Susana e suas ajudantes já haviam resolvido a maior parte dos estragos. Tínhamos a melhor carpinteiro do continente, o pai dela havia feito navios para a marinha, mesmo ele não querendo ensinar ela, por ser mulher, ela aprendeu tudo e se tornou uma carpinteira melhor que seus irmãos. Quando o pai descobriu que ela mexia em suas coisas e estava trabalhando com carpintaria ele a expulsou de casa, mas antes lhe deu uma surra. Quando a achamos ela estava passando fome, sendo surrada pelos próprios irmãos que a encontraram pedindo comida na rua, então Ilana deu uma surra nos dois e a trouxe a bordo, desde então ela era nossa carpinteira. E eu repito: a melhor do continente.

Enquanto enchíamos os barris Lucia, líder das atiradores, subia nas arvores com Maria para verem mais detalhes. Perto de finalizarmos os serviço elas desceram rapidamente e correram até onde estávamos. Perguntei o que aconteceu, mas elas disseram que eu precisava ver com meus próprios olhos, segui as duas floresta a dentro até encontramos um rastro profundo no chão, por onde o rastro ia as arvores estavam derrubadas de forma violenta, seguimos o resto até perto do meia e a cada passo meus instintos enviavam mais sinais, pareciam vários sinos tentando me alertar do perigo e tudo chegou ao limite quanto encontramos o que as duas viram.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

Uma enorme caravela estava destruída no meio da vegetação, ele tinha uma bandeira pirata conhecida, o que quer dizer que ele foi roubado da marinha, as velas estavam destruídas e a carcaça do navio estava tão destruídas que mal dava pra saber que navio era. Não vimos os corpos, então deduzi que os animais se alimentaram delas ou elas conseguiram de uma forma de sair da ilha, mas essa não era a maior preocupação.

— O que um navio português está fazendo em uma ilha tão isolada? — Maria perguntou se aproximando. Maria era uma jovem extraordinária, seu pai ensinou tudo que ela sabia sobre cartografia, mas após a morte dele, mesmo sendo tento só 19 anos, ela foi forçada a casar com um velho rico que a maltratava só para salvar a mãe da miséria, mas depois da morte da mãe ela estava presa ao monstro que era o marido. Fui eu que a resgatei quando estava visitando minha cidade natal, eu a vi sendo arrastada pelo cabelos por um velho caquético e decidi salvá-la, o velho eu deixei apodrecendo em uma vala, mas Maria eu levei ate sua casa, ela poderia ter ficado na mansão desfrutando da fortuna, mas optou por me seguir e se juntar as filhas da tormenta.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— A maior dúvida Maria, é como esse navio saiu da praia e veio parar aqui. — Corrigi a menina e nos aproximamos avaliando cada detalhe do que sobrou, olhei acima e notei que as arvores escondiam bem o navio em determinados ângulos, mas ao ser arrastado deixou uma trilha que Maria e Lúcia deram a sorte de ver. Comecei a desenhar as possibilidades de como aquilo tinha acontecido. Descartei um navio inimigo pois não perderiam tempo levando o navio até aquele lugar, uma criatura carinha também pois estava longe demais da praia.

— Encontraram mais alguma coisa? — Perguntei e Maria me entregou uma garrafa que encontrou dentro dos destroços. — Vamos voltar. — Ordenei guardando minha espada.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Mas ainda tem mais coisas pra ver. — Lucia retrucou, mas insubordinação era inaceitável.

— Olhem as arvores ai redor. — Apontei a vegetação ao redor do navio com minha espada. — Elas estão cobrindo o navio, seja quem ou o que tenha atacado a tripulação, também trouxe o barco pra cá e o escondeu entre as arvores. —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Com mil demônios, e a troco de que fariam isso? — Lucia perguntou.

— Pra os destroços não alertarem os visitantes. — Maria respondeu por mim.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Exatamente. Esconderam o navio para nos atrair, mas não contavam com a atiradora de olhos de águia. — Usei o apelido de Lucia para elogia-la pois sem ela não teríamos encontrado os destroços.

— Capitã, o que acha que tem na carta. — Lucia indagou.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Respostas para nossas perguntas, eu espero. —

Voltando a praia encontramos nossas companheiras consertando o navio, Susana e sua equipe já tinham resolvido a maior parte do problema e dei graças aos céus por isso. Reunimos as marujas na praia para dizer informar sobre nossos achamos, a princípio ficaram felizes, pois navio significava riquezas e quanto aos perigos, todas as vitorias anteriores as deixaram excessivamente confiantes. Deixei elas cuidando do conserto e me dirigi a cabine para ler o que havia naquele papel, Julia e Maria vieram comigo pois precisavam ter a informação em primeira mão.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

“Quem escreve estas palavras é a capitã do navio pirata sombra da morte, meu nome é Dalila, a beleza negra, e estou prestes a morrer, porem, antes de me despedir da vida eu, como comandando do segundo navio mais sanguinário dos mares, tenho o dever de deixar um alerta a todos os desafortunados que encontrarem este maldito lugar.

Nossa ruína se iniciou logo após saquearmos uma frota portuguesa, quando avistamos este amontoado de terras amaldiçoados, achamos que seria mais terras para conquistar. Descemos, fincamos nossa bandeira e começamos a explorar a ilha, os animais quase não apareciam e esse devia ser nosso primeiro alerta para irmos embora. O silêncio da ilha é fora do normal, ele parecia engolir até mesmo os nossos pensamentos, mesmo agora já sabendo o que habita esse lugar, eu ainda sinto que tem coisas piores que ainda não vi. A ilha felizmente, ou infelizmente visto que a ausência de alimentos nos faria ir embora mais rápido, era rica em alimentos e água fresca, então enchemos nossos barris e a dispensa do navio. As marujas beberam e comeram tudo que podiam, ainda lembro de ouvi-las se lamentar de não poderem ir a um bordel, mas ainda assim o descanso em terra era bem vindo por todas.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

A primeira noite foi festejada com rum e carne dos animais da ilha, mas no dia seguinte notamos o desaparecimento de quatro marujas. Como havíamos bebido até dormir, imaginei que elas tinham entrado na floresta e se perderam, então enviei duais mulheres procurar por elas. Novamente continuamos explorando a encosta da ilha, e pescamos peixes para secar antes de voltar ao mar. Quando a noite chegou as marujas que enviei para acharem as desaparecidas ainda não haviam retornado, mesmo assim o bando voltou a beber e comer, eu mesma estava me deixando levar pela bebedeira e comilança junto as minhas subordinadas.

Mesmo bêbadas, os mulheres não deixavam a comida e a bebida acabar, as mesas estavam sendo cheia de comida, enquanto bebíamos as biltres desaparecidas retornaram, mas não bebiam e nem comiam, pareciam distantes, deduzi que era por insolação e por ficarem tanto tempo demais na mata, se eu soubesse o que aconteceria depois, teria as matado ali mesmo, não mudaria nada, mas eu faria mesmo assim.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

Na manhã seguinte a bebida ainda não havia saído do meu corpo, mas eu pude notar que mais companheiras tinham desaparecido juntamente as seis que sumiram anteriormente, estava começando a ficar estranho e me juntei a um grupo que iria travessar a ilha a procura delas. Andamos até o entardecer e decidimos voltar pois a noite não era favorável a nós, ainda mais considerando que tantas companheiras desapareceram.

No caminho de volta a floresta parecia tentar nos engolir, nos corríamos, mas parecia que o chão se esticava para nos impedir de chegar a saída. Em meio a correria eu ouvia gritos desesperados de minhas companheiras, elas foram pegas uma a uma por algo que eu não conseguia ver, mesmo assim eu continuei correndo até sair na praia, se eu soubesse o que iria ver ao sair, teria ficado para ser devorada pelo que quer que vivesse na mata. Ao me aproximar das marujas eu as encontrei bebendo e comendo, o problema é que elas não comiam a carne normal, eu os via com a boca sangrando, mas não era sangue delas e sim da mulheres mortas que serviam de alimento para elas. As mesas na praia continham braços e pernas de nossas companheiras que estavam servindo de alimento para as outras.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

Eu ainda me lembro das vozes me chamando para comer, dizendo que a carne estava bem assada e doce, elas pareciam estar em um transe que as impedia de ver o que acontecia. Mais afastado das mulheres eu vi um grupo formado pelas que desapareceram, elas estavam amontoadas em um lugar afastado e quando me aproximei eu as vi... meu Deus! Eu as vi desmembrando a imediata que continuava comendo um pedaço do próprio braço, ela parecia não sentir dor e até me ofereceu um pedaço e aquilo foi o bastante para me fazer reagir.

Em desespero eu cortei suas cabeças com um só golpe, até mesmo os gritos desapareceram da minha garganta, mas eu continuei cortando todas que estavam ali, mas minha companheiras pareciam não ver o que acontecia. Eu tentei fugir para o barco, mas já havia uma gosma asquerosa encrustada em todo o casco arrancando tabuas inteiras. Me afastei do barco e vi as mulheres que cortei a cabeça de pé, elas caminhavam ainda com parte de seus pescoços cortados, mas estavam de pé como se estivessem vivas.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

Eu só consegui correr, eu fugi para o mais longe possível até cair de exaustão na areia, eu acordei com um grito, pensei que tudo tinha sido um pesadelo causado pelo excesso de bebida, mas o sangue na minha espada não deixava dúvida, não foi um sonho. Quando voltei a praia não havia mais ninguém, nem mesmo o barco estava lá. Só havia um rastro enorme no chão, o navio foi arrastado floresta a dentro até ficar escondido.

Aqui estou eu escondida na carcaça se nosso navio, o papel está acabando e a noite se aproxima, eu não sei se vou sobreviver a essa noite, eu ouso suas risadas a minha volta, mas parece que eles só saem a noite. Pelo menos eu espero viver o bastante para conseguir guardar esta carta. Quem quer que esteja lendo isso, seja pirata ou marinheiro, fuja para o mais longe possível, não espere a noite cair, se alguma companheira sumir, não espere e não procure, o que vai voltar, não será sua amoga e sim um monstro que vai fazer de tudo para te impedir de fugir.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

Capitã Dalila do navio pirata sombra da morte.”

Ao terminar de ler a carta tanto eu quanto minhas companheiras estavamos perturbadas, não havia motivos para desacreditar do conteúdo, o único problema era que a noite já estava se aproximando.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Chamem todas as marujas de volta ao navio, vamos embora o mais rápido possível. — Ordenei enrolando a carta novamente.

— Não sabemos se essa carta é confiável, pode ser mais uma história de piratas para assustar novos marujos. — Julia falou segurando meu ombro.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

— Eu não vou arriscar a vida de nenhuma de minhas companheiras, aquela era a bandeira do bando da Dalila. — Minha voz saiu mais grossa que nunca. — Reúnam todas as mulheres no navio, vamos zarpar antes que o sol se esconda ou poderemos não sair daqui com vida. —

Julia e Lucia chamaram nossas companheiras de volta ao barco e por sorte nenhuma delas havia se afastado do navio o suficiente para serem pegas, Maria ficou ao meu lado, ela escrevia uma nova mensagem de alerta visto que a de Dalila havia sido escrita há mais de um ano e já estava quase ilegível. O conteúdo era o mesmo da carta de Dalila. Colocamos a garrafa o mais próximo possível de onde achamos, mas não entrei tão fundo na mata e voltamos ao mar. Antes de Zarpar eu vi algo que fez minha espinha gelar, quando voltada após deixar a carta, vi uma parte do casco do navio ficando negra com uma gosma nojenta que saia da areia e grudava na madeira.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌‌​‍

Deixamos a ilha bem antes do sol se pôr, conforme nos afastamos a gosma desaparecia de nosso navio. Poderia ser uma coincidência, mas eu não arriscaria a vida de nenhuma companheira, não depois de tudo que fizemos para salva-las.

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Fim.

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