Capitulo 1 PULSÃO DE ÓDIO · Capítulo 1 de 1
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Capitulo 1

Saí do meu trabalho às nove da noite, duas horas depois do meu horário. A semana inteira tivemos que trabalhar em um projeto que já devia ter sido feito e tudo porque o estúpido do nosso chefe não fez suas obrigações, aquela era a pior semana desde que aceitei essa droga de trabalho de programadora. Para completar a droga de semana, descobri que minha namorada me traía com uma amiga há mais de um mês. Eu estava muito cansada da vida e das pessoas, tudo que eu queria era me afastar de tudo. Ajeitei meu casaco, pois aquela noite estava mais fria que as outras, eu andava apressadamente pela calçada, pois queria chegar em casa o mais rápido possível, a rua estava vazia e o silêncio da noite era minha única companhia. Já estava a um quarteirão de meu prédio quando fui abordada por três homens que surgiram do escuro e me arrastaram para o beco de onde saíram.

— A gente vai se divertir hoje. — Um homem branco de cabelos ruivos falou, ficando atrás de mim e segurando meus braços com força. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Eu disse que ela sempre vinha por aqui. — Falou um loiro de olhos azuis, ficando em minha frente.

— Me soltem! — Pedi tentando me soltar, mas o outro apertava meus braços ainda mais. — Socorro! — Gritei o mais alto que pude. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Cala a boca, vadia! — Gritou um rapaz moreno e careca. — Te matamos se gritar de novo! — Ele falou, segurando meu rosto com tanta força que com certeza ficou vermelho.

— Tira a saia e abri bem as pernas dela. — O loiro falou sorrindo, passando a língua sobre os lábios. — Hoje a gente vai aproveitar pra caramba! — Ele falou e os outros sorriram junto. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

Comecei a chorar enquanto ele descia a calça até o joelho, ele se masturbou e jorrou sêmen na minha barriga, sorrindo com os outros. As lágrimas molhavam todo meu rosto, mas eu não chorava de medo e sim de raiva, eu estava com tanta raiva que meus ossos doíam e gradualmente fui perdendo a consciência de onde estava; em um momento eu não conseguia mais ver nada a minha frente somente flashes de cenas distorcidas, eu ouvia um zumbido alto na minha cabeça e sentia meu corpo queimar, eu pensei ter ouvido alguém falar, mas não entendia nada do que dizia.

— Moça, está ouvindo? — Acordei de meu transe com um policial tocando meu ombro. Ele me olhou assustado e tirou a farda e a camisa, amarrando ambas na minha cintura, que devia estar despida. — Meu Deus! O que aconteceu aqui? — Ele perguntou, olhando em direção ao fim do beco. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

Olhei para meu lado esquerdo e vi o corpo do homem loiro deitado no chão, a calça estava na altura do joelho e tinha muito sangue a região do pênis e da garganta; mais a frente dele estava o moreno deitado de bruços com muito sangue em volta do corpo e na camisa branca que ele usava; por último ouvi um choro baixo vindo de trás de mim. Eu e o policial viramos para saber quem era e eu vi o homem que há poucos instantes estava segurando meus braços encolhidos próximo a uns sacos de lixo. O olho esquerdo dele sangrava bastante e ele tremia muito encolhido no meio do lixo.

— O que aconteceu aqui? — perguntou o policial, se aproximando dele com calma. — Quem fez isso? — Perguntou ele. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

O ruivo encolhido no chão olhou em minha direção e apontou o dedo trêmulo para mim. Toquei meu rosto, sentindo um líquido frio na bochecha e na boca. Imediatamente, eu cuspi no chão e o líquido que saiu da minha boca era vermelho, mas eu não estava machucada, somente meus punhos doíam muito, mas nada, além disso.

— Você fez isso? — Perguntou o policial, me olhando assustado. Neguei com a cabeça, pois não conseguia formular qualquer palavra. — Preciso levar vocês para a delegacia e chamar uma ambulância. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Ele… — falei em um tom quase inaudível. — Eles iam me estuprar. —

— Vamos resolver isso — O homem falou, se aproximando sem me tocar. — Eu prometo — ele afirmou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

A ambulância chegou e levou ambos os corpos. Quando se foram, o policial colocou o ruivo na parte de trás da viatura e eu sentei ao lado dele na frente, a ambulância saiu com os corpos e nós fomos para a delegacia. Durante o trajeto, eu fiquei em silêncio, minha cabeça doía muito e eu sentia tudo girar à minha volta, era como se eu não estivesse totalmente viva, como se o mundo estivesse embaixo d’água.

Chegamos à delegacia da mulher e a primeira coisa que fizeram foi examinar meu corpo e recolher amostra do sangue e do sêmen que ainda estava na minha barriga. Depois de todo o procedimento, eu pedi por um banho e a delegada me deixou usar o banheiro da delegacia. Uma das policiais me emprestou uma roupa pois as minhas estavam horríveis. Depois do banho eu estava em uma sala de interrogatório de frente para o vidro espelhado, com a delegada Eloisa em uma cadeira e uma psicóloga na outra. Do meu lado estava um advogado da defensoria pública. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Então, senhorita Susan, poderia nos contar o que aconteceu novamente? — A delegada pediu.

— Eu já falei, delegada. — Eu disse apertando as algemas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Sim, mas seu corpo estava com hematomas, sêmen e sangue. No necrotério, temos dois corpos e em uma cela um estuprador com um olho furado. — Eloisa falou, colocando as mãos entrelaçadas na mesa. — Eu apenas quero entender como tudo isso aconteceu. — falou a delegada.

Olhei para o advogado e ele deu um aceno positivo para eu falar. Suspirei, segurando as algemas, olhei para o espelho e, no mesmo instante, desviei o olhar, pois não queria ver meu rosto, olhei a câmera que nos filmava e decidi que seria melhor obedecer. Mesmo que eu tivesse que repetir tudo várias vezes. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Eu saí do trabalho e estava voltando para casa quando aqueles três homens surgiram do nada e me arrastaram para um beco, foi tudo muito rápido, em poucos minutos eles já tinham tirado minha saia. — Eu coloquei as mãos sobre o rosto, lembrando do momento.

— Se acalme. — A delegada me entregou um copo de água. — Tente se lembrar do que aconteceu com exatidão. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Vocês têm aspirina? Minha cabeça está doendo muito. — Falei e ela trouxe um comprimido que engoli na mesma hora.

— Minha cliente está visivelmente abalada, talvez seja melhor depor amanhã. — Falou o advogado Marcelo. — Ela é a vítima! — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Não é tão simples, doutor. — Falou a delegada, levantando da mesa e voltando alguns minutos depois com um gravador. — Pegamos o depoimento do estuprador e a situação de sua cliente é bem complicada. — Ela iniciou a gravação.

— Muito bem, senhor Douglas, diga exatamente o que aconteceu. — Uma voz grossa falou. Imaginei ser de um policial. — E lembre: temos sêmen e digitais. — Ele alertou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— A ideia foi toda do Henrique. — Uma voz assustada começou a falar. Era o ruivo, eu lembrava da voz.

— Henrique é o rapaz loiro, certo? — Perguntou, a primeira voz. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Sim. Foi ele que convenceu a gente a fazer aquilo. — Explicou Douglas. — Nós ficamos esperando e, quando ela passou, Henrique e Ricardo a arrastaram pro o beco. —

— E você ficou só olhando? — O tom do policial era acusador. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Está tentando arrancar palavras do meu cliente? — Uma terceira voz perguntou.

— Só estou tentando entender a situação e onde o senhor Douglas se encaixa nela. — A voz do policial pareceu um pouco debochada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Segurei os braços dela para eles fazerem o resto. — O ruivo falou rapidamente. — Ricardo tirou a saia dela, enquanto o Henrique se preparou para… — Ao ouvir as palavras do ruivo, eu fechei as pernas instintivamente.

— Continue. — Pediu o policial. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Ele se masturbou, o gozou na barriga dela. — Enquanto ele falava, eu cerrei os dentes com força. — Ela tentou se soltar, tentou fugir de todas as maneiras, mas eu a segurei com força. Quando o Henrique estava bem perto dela, se preparando para penetrar, ela ficou quieta, eu achei que ela ia deixar acontecer sem resistir, mas não foi isso. — Ele fez uma pausa demorada. — Eu sei que o que nós fizemos foi grotesco, nós somos animais e não vou tentar me justificar, mas o que ela fez também foi horrível. —

— O que ela fez? — O policial perguntou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Quando Henrique estava bem perto dela, ela mordeu o pescoço dele com tanta força que arrancou um pedaço, ele caiu no chão de costas tentando parar o sangramento, devido ao susto eu afrouxei o aperto e nesse momento ela se soltou e enfiou o dedo no meu olho com tanta força que furou, depois disso o Ricardo tentou fugir para o fim do beco, mas ela correu e pulou nas costas dele, eu vi de longe ela batendo a cabeça dele contra o chão. — A voz do ruivo transmitia muito medo. — Eu ouvia os gritos dela de raiva enquanto batia nele e, quando terminou, ela voltou até o Henrique e começou a pisar no pau dele, ela pisava com força. De repente, ela parou e se afastou, ficando em silêncio, ela ficou imóvel por muito tempo. —

— Foi nesse momento que o policial Ramires chegou?— ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

A delegada parou a gravação e me olhou séria, eu estava com o coração pulsando muito forte devido ao que havia acabado de ouvir. Não tem como eu ter feito aquilo, mas, por outro lado, minha memória tinha flashes de cenas com muito sangue.

— Você se lembra de fazer o que ele disse? — O advogado perguntou baixinho e se aproximou de mim. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Não. — Respondi o olhando.

— Do que se lembra? — A psicóloga perguntou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Lembro deles me arrastando para o beco, deles tirando minha roupa, de gritar por socorro, de ser ameaçada e de vê-lo tirar o… — Não consegui terminar a frase.

— Delegada, essa conversa está constrangendo minha cliente. — O advogado falou. Provavelmente percebendo que a situação ers mais complicada do que ele pensava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Tudo bem, eu posso falar. — Falei.

— O que você sentiu? — A doutora perguntou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Raiva. — Puxei as algemas com força. — Eu senti raiva e nojo.—

— O que mais? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Parecia que eu estava afundando no oceano, mas, ao mesmo tempo, meu corpo estava tão quente que estava difícil de respirar. — Passei as mãos sobre o pescoço, pois comecei a ficar incomodada. — Era como se minha pele estivesse descolando do corpo, como se o sangue estivesse saindo de mim e me afogando. —

— Se lembra de ouvir alguma coisa? — A delegada perguntou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Sim. Lembro de ouvir gritos, mas não sei se eram meus, de outra pessoa ou frutos da minha imaginação. —

— Isso não prova nada! — O advogado falou com firmeza. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— É suficiente para mantê-la aqui até o resultado dos exames. — A delegada levantou.

— Quanto tempo vou ficar aqui? — Perguntei. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Sua conduta foi violenta e sádica. — A delegada falou. — Infelizmente, vamos detê-la até termos certeza do que aconteceu. — Ela falou.

— Não se preocupe, não será muito tempo. — O advogado falou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

— Espere. — Pedi e a delegada parou para eu falar com o advogado. — Eu tenho uma gata, ela está sozinha e com fome. Pode pegar minhas chaves e ir até meu apartamento alimentar ela? — Perguntei e o advogado afirmou que sim. — Obrigada, não deixe ela sozinha muito tempo. —

Após fazer meu pedido fui levada para uma cela e, no caminho, todos me olhavam de um jeito estranho. Passei pela cela onde o ruivo estava, ele tinha um curativo no olho esquerdo e, quando me viu, ele se afastou das grades. O homem parecia ter visto o próprio diabo em sua frente e, ao vê-lo daquela maneira, algo dentro de mim se agitou, inconscientemente eu abri um sorriso perverso. Vê-lo com tanto medo me dava uma sensação muito boa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

FIM. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌‌​​‌‍

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