HISTÓRIAS DE UMA PADARIA NO CENTRO VAPOR BARATO · Capítulo 2 de 6
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HISTÓRIAS DE UMA PADARIA NO CENTRO

Beto limpa o balcão com um pano na padaria no qual trabalha como atendente quando chega duas moças:

— O de sempre minhas as amigas? — Pergunta Beto sorrindo.

— Sim, o de sempre amor, para levar. — Reponde a loirinha de cabelo crespo risonha entregando um comprovante de pagamento para o nosso atendente.

Beto embala quatro pães de queijo e dois copos com tampa de café com leite e o entrega para a loirinha. Elas despendem-se e o nosso protagonista responde de forma abobalhada.

Uma jovem senhora chega e pede cinco pães franceses. O atende os entrega sorrindo e com gosto tal pedido.

Chega um senhor calvo e pede um café pingado e uma fatia de torta fria. Ele pega seu pedido e se senta em uma das meias dúzias de mesas pequenas que existe no estabelecimento. Abre um jornal sensacionalista e começa a ler acompanhado de seu pedido.

Beto suspira sentindo que aquele cliente vai ocupar aquela mesa por um grande período e com um pedido pequeno.

Chega dois jovens de cabelos coloridos cheios de piercing e tatuagens, ambos com uma bolsa meia espalda. Um deles pede um suco e um sanduiche natural, o outro pede um chocolate quente e uma torrada com ovo.

Eles pegam seus pedidos e se sentam em outra mesa. Tiram cada um notebook de suas bolsas. Um deles pergunta a Beto qual a senha do WI-FI, no qual nosso atendente responde prontamente.

Beto suspira de novo incrédulo.

Um rapaz que acabou de consumir um cafezinho pergunta a Beto onde é o banheiro. Ele o orienta tal moço no qual se dirige ao seu destino acompanhado pelos olhos do atendente.

Uma moça loira, alta de olhos azuis, boca carnuda, quadris largos, cintura fina, busto avantajado e vestindo uma roupa justa. Ela entra no estabelecimento desfilando e chamando atenção de todos ali presentes:

— Uma torta de chocolate. — Fala a musa com a voz suave.

Beto fica hipnotizado e sem reação:

— Minha torta de chocolate, por favor! — Fala a loira em tom mais ríspido.

Beto vira-se e pega uma torta de chocolate no balcão térmico ao fundo:

— Está aqui moça, volte sempre! — Fala o atendente entregando a torta empacotada a loira.

— Obrigada! Tchau! — Despede-se a musa sorrindo.

Nosso protagonista responde novamente de forma abobalhada. Beto fica hipnotizado por alguns segundos desligando-se do mundo, sem perceber que uma mulher com uma criança no colo pedia quatro pãezinhos e cem gramas de mortadela fatiada. Ele a atende sorrindo e entrega seu pedido em mãos.

Outra senhora de seus cinquenta anos pediu os seis pães de queijo de costume para levar. Beto entrega o seu pedido e fica curioso o porquê daquele pedido, pois aquela mulher não era cliente assídua do estabelecimento. Era o quarto dia seguido que aquela senhora aparecia ali.

Um cliente corriqueiro chega no balcão da padaria, um senhor negro grisalho vestindo uma calça reta de sarja marrom e uma camiseta polo vermelha e sapatos pretos:

— O pedido de sempre doutor? — Pergunto Beto se dirigindo ao cliente sorrindo.

— Sim, um expresso e um farroupilha. — Responde o senhor colocando uma pasta preta de couro ao seu lado em cima do balcão.

— O senhor venho tomar seu café mais tarde do que vem sempre? — Indaga o atendente preparando o pão com presunto e queijo na frente do cliente.

— Fui demitido ontem. — Responde o homem triste.

— Tudo vai ficar bem, isso é somente uma fase.

— Passei trinta e cinco anos me dedicando aquela firma, para me mandarem embora sem ao menos dizerem muito obrigado.

Beto entrega o café expresso e o sanduiche farroupilha para aquele homem e tenta animá-lo:

— O senhor a pouco dias estava contando que já estava aposentado. Que sua filha vai ser mãe do seu primeiro neto.

— Sim é verdade, mas desde que fiquei viúvo o trabalho tem sido minha vida. — Exclama o cliente gesticulando.

— Mas quem sabe agora é o momento de o senhor ir curtir mais o seu neto, viver mais para o senhor e aproveitar mais a vida.

— Acho que tu tens razão.

O homem muda para um semblante mais alegre, expressa um pequeno sorriso e consome seu farroupilha e seu expresso com muito gosto:

— Tchau e obrigado pelo conselho. — Despede-se o cliente levantando-se do banco.

— Tchau doutor e volte sempre. — Beto responde acenando e sorrindo para o cliente.

Nosso atendente volta a limpar o balcão, pois o dia de trabalho somente começou. Ele escutará e participará de muitas histórias que acontecem naquela padaria no centro da cidade, como é sempre todos os seus dias de trabalho.

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