“O DIA QUE EU VIREI O cão PRA VINGAR Nildo” AS HISTÓRIAS DE LIZAEL · Capítulo 3 de 3
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“O DIA QUE EU VIREI O cão PRA VINGAR Nildo”

Narrado por Lizael

Vicente… evaporou minha honra sem eu nem ter feito nada.

Pegou meus trinta e oito e abriu você contra meu testamento.

O cano gelado me acordou mais que tapa de mãe brava.

Aí o sangue começou a escorrer pela minha venda…

E eu caí de joelhos no chão.

E ele ainda teve a ousadia de dizer: — "Se eu te ver de novo, eu te mato.

Era pra eu ter te matado junto com seu irmão Nildo. Mas já que não foi ele, vai ser você em nenhum lugar."

A raiva me cegou… Me tremi todinho, não de medo, mas de fúria.

As duas cabras que estavam comigo?

Levaram bala na testa, um de cada vez, frio, seco, sem dó. O bando de Vicente matou eles como se matasse bicho ruim.

Na hora que Vicente declarou o revolve pra estourar minha cabeça,

a sorte mudou.

A viatura da polícia de Recife passou bem na frente da bodega.

Seu Noronha comentou: — “É a polícia, é a polícia!”

Vicente se distraiu por um segundo. Foi o segundo que me salvou.

Sem pensar, passei a mão em dois litros de Montilla,

lasquei na cabeça de Vicente com toda força.Ele cambaleou.

Dei uma pesada por baixo da mesa, pulei o balcão, e lá tava Seu Noronha tremendo atrás do freezer.

Tiroteio comeu no centro foi tiros qui só a mulestra. A polícia trocando bala com o bando de Vicente.

Chão cheio de caco, garrafa, sangue e grito.

Gritei pra Seu Noronha: — “Tem saída por trás?!” — “Tem sim, corre por ali!”

Me piquei feito alma penada.

Fugi no escuro, com o gosto do sangue na boca e o nome de Nildo queimando na garganta.

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