As Cinco Panelas de Ouro II Contos Avulsos · Capítulo 2 de 6
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As Cinco Panelas de Ouro II

- Assim está conforme! Os valores pra frente, é o que se quer!

A junta Mourão-Nicolau-Vicente tomou conta de Jataí-Vila dois dias com poderes discricionários. Na manhã do terceiro chegou o delegado mandado de São Paulo: Doutor Santos Dumont Salomão. A junta foi destituída e nomeado prefeito o agente da Ford, Idílio Madeira. Despeitadíssimo o pessoal da ex-junta organizou o Bloco dos Destemidos ou Os 18 de Copacabana. O Doutor Salomão se viu meio fraco, procurou se chegar ao Zéquinha. Mandou dizer para ele que quando precisasse de garantias de vida era só dar uma telefonada. Preparando terreno para uma aliança no momento oportuno. Nicolau ficou fulo com tais manobras. Telegrafou para São Paulo protestando mas São Paulo não deu resposta. Recorreu então ao mimeógrafo da Papelaria Humaitá. Todos os dias Jataí-Vila se enchia de manifestos xingando os usurpadores adventícios: Doutor Santos Dumont Salomão ("filho de mascate sírio com mulata sem-vergonha") e Idílio Madeira ("brasileiro, sim, mas natural da terra de Calabar"). O Doutor Salomão reagiu conservando 24 horas no xadrez o Afonso Henriques Mourão acusado de ter desencaminhado uma menor três anos antes. E organizou o Bloco dos Animosos ou Os Mártires da Clevelândia. Os Mártires se reuniram à noitinha no Largo da Matriz e quando se sentiam de fato Animosos marchavam para a casa do prefeito berrando: Nós queremos Madeira! E merecem, escreveu Nicolau num de seus manifestos.

Então vendo as coisas assim malparadas o vigário resolveu pacificar os espíritos. A matriz estava sendo reformada. Engrandecida até com um altar dedicado a Santa Joana d'Arc.

A primeira quermesse tinha rendido pouco apesar dos esforços da comissão presidida por Zéquinha Silva. Padre Zoroastro pensava realizar outra com umas dez barraquinhas pelo menos. Bonito pretexto para a paz.

Padre Zoroastro foi falar com o Doutor Salomão. Provou para ele a vantagem de uma concórdia e a oportunidade que para ela oferecia uma obra de religião e caridade. Aparentemente ninguém cedia, ninguém dava parte de fraco. Sobrevindo um motivo de ordem superior o acordo se fazia para garantir à quermesse o êxito que não podia ter se realizada num ambiente de ódios. Padre Zoroastro sabia convencer. E tinha um modo de falar irresistível: falava baixinho, devagarzinho, perguntava: não é? Se encontrava resistência ele mesmo respondia: é, não ligava às objeções nem estudava o que os outros diziam, continuava falando, caceteando, embalando de mansinho, os outros concordavam cochilando já. Doutor Salomão não fez exceção e disse:

- Pois sim.

Padre Zoroastro saiu da delegacia, foi para o escritório da Luz e Força. Mas não contou para o Nicolau que já tinha estado com o Doutor Salomão. Repetiu só o que havido falado pouco antes. Naquele tonzinho sumido de confessionário. Sempre igual, sempre igual.

- Escute, Padre Zoroastro! - exclamava de vez em quando Nicolau.

Sem acrescentar palavra, Padre Zoroastro tinha lá falar, não tinha ido ouvir. Isto é: tinha ido ouvir o sim, só o sim. Enquanto esperava a hora do sim falava para impedir o não.

Nicolau disse o sim quando - depois do último não é? é - Padre Zoroastro deu licença para ele dar um pio.

E o acordo se fez. O Doutor Salomão continuava na delegacia e o Idílio na prefeitura prestigiados daí em diante pelos 18 de Copacabana.

Sob duas únicas condições: a prefeitura não dava andamento aos executivos por impostos atrasados que tinha em juízo contra Nicolau e a delegacia deixava sossegado o Chalé Felizardo de que era proprietário um irmão do major.

Acordo que não agradou nada alguns dos 18 de Copacabana. No Bar Ideal um descontente chegou a falar em traição na cara de Nicolau.

Nicolau ficou vermelho. E tratou de mudar de assunto. O descontente (cuja brutalidade como centro-médio do Águia de Haia F. C. era famosa) percebeu a fraqueza do chefe, tornou a falar em traição e de mau começou a acariciar o gargalo da garrafa de cerveja Tip-Top. Nicolau empalideceu, balbuciou uma desculpa boba, caiu na rua. Então ouviu uma risada irritante.

Irritou-se. Seguiu para a delegacia e lá exigiu a remessa de um bilhete azul para o descontente que era fiscal do serviço contra a broca do café. O Doutor Salomão porém não concordou.

E Nicolau foi para casa se remoendo de raiva. De tanta assobiou uma hora inteirinha o Miserere, do Trovador. Não assobiou mais porque Dona Esmeralda veio chamar para dormir.

- Vá você. Eu vou depois.

- Logo hoje que eu estou tão nervosa, Nicolau! Você sabe que eu não durmo sozinha quando estou nervosa!

- Então não dorme nunca. Nervosa por quê?

- Tetéia está passando muito mal.

- Que é que tem a excelentíssima?

- Não sei: uns tremores, uns vômitos, umas coisas esquisitas.

Foram ver a Dorotéia Cabral. Nicolau olhou bem para ela, depois disse:

- Está agonizando.

Dona Esmeralda pôs as mãos na cabeça e se encostou no marido chorando.

- Ora, Esmeralda! Que é que significa isso? Não se pode mais brincar então? Você não conhece a anedota do português? Pensei que você conhecia. Por isso é que falei assim.

Esmeralda com a cabeça no peito de Nicolau engoliu umas lágrimas e perguntou entre dois soluços horríveis:

- Que anedota, hein?

Nicolau contou fazendo cafuné na mulher:

- Eu acho que já contei pra você. Não se lembra? Aquele português que estava muito doente e com um medo danado de morrer. Então para levantar o ânimo dele chamaram um grande amigo que ele tinha. O amigo veio, chegou perto da cama. sorriu para o doente e disse com jeito de carinho: Agonizantezinho, hem?

Esmeralda se desprendeu do marido.

- Essa é formidável!

E rompeu numa gargalhada nervosa.

- Não ria tanto, Esmeralda! Faz mal pra você'.

Ela queria dizer que não fazia, mas não podia, se sacudia toda de riso. Nicolau então pegou na Dorotéia Cabral com muito nojo e levou para a cozinha. Deitada de lado perto do fogão Dorotéia Cabral sacudiu as patas, vomitou, jogou a cabeça para trás, morreu. Nicolau voltou para o quarto.

- Morreu, coitada.

Esmeralda pranteou a morte de Dorotéia Cabral (Ah minha mãe, minha mãe! dizia) até cair de cansaço nos braços de Nicolau.

- Vamos dormir para esquecer este dia. Dia mais desgraçado!

Foram dormir.

- Acenda a vela que no escuro eu não durmo. Nicolau acendeu a vela, se deitou encolhido, cobriu a cabeça com o lençol.

- Não cubra a cabeça assim que eu fico com medo.

- Feche os olhos.

- Não posso.

Nicolau deu um suspiro, puxou o lençol para baixo, enterrou a cara no travesseiro. Dona Esmeralda virava para a direita, dava com a chama da vela, virava para a esquerda. não achava jeito, se impacientava.

- Nicolau! Passa a vela pro seu lado, faz favor!

Nicolau pegou no castiçal, pôs no criado-mudo dele. Sem dizer palavra. Tornou a meter a cara no travesseiro. Fechou os olhos.

Aí viu a chama da vela. Apertou bem os olhos. A chama foi diminuindo, diminuindo. morreu. O relógio da matriz bateu horas. Dona Esmeralda contou: um, dois. E acrescentou: feijão com arroz. Continuou: três, quatro feijão no prato. Está errado. Devia ser: uma, duas. Hora é feminino. O professor da Escola 15 de Novembro, Seu Mesquita, que sujeito engraçado. Que horas são? Meio-dia e meio. Ó ignorância quadrúpeda!. Meio-dia e meio quer dizer seis horas da tarde: meio-dia mais meio dia. Meio-dia e meia é que você quer dizer, seu idiota. Quando o bispo de Samburá foi visitar a escola Seu Mesquita se atrapalhou, gritou: - Viva o senhor doutor bispo! E a meninada jogou pétalas de rosa.

Padre Dito quase estourou de rir. Que homem bom. Não quis ser bispo. Dava tudo para os órfãos. Morreu a cavalo. Vinha do sítio. Teve urna síncope, caiu pra frente mas não caiu do cavalo. Entrou na cidade assim. Abraçando o pescoço do cavalo. E o cavalo andava devagarzinho para não derrubar Padre Dito. Milagre verdadeiro. Aquele sim: era um santo. Está enterrado - onde é que está enterrado mesmo? - está enterrado aqui mesmo. E Dorotéia pobrezinha? A gente enterra no quintal. Depois planta umas flores. Não precisa cruz. Padre Dito parece que chegou a conhecer Tetéia? Chegou. Ele morreu quando a torre da matriz caiu. Era um santo mesmo. Gostava muito de jardinar. E que jardim bonito. Tem jasmim, tem perpétua, tem cravo-de-defunto, tem camélia. Camélia é flor de muita estimação mas só no pé. No vaso perde muito. Amarelece. Fica bom um pé de camélia na sepultura de Tetéia. Que diabo. A modo que vem gente. E olhe que vem mesmo. Bom dia, minha filha. A benção, Padre Dito. Que é que você está fazendo no meu jardim, Esmeralda? Estou escolhendo uma planta bonita para plantar na sepultura de Dorotéia Cabral. Morreu? Morreu hoje. Mas isso é pecado, minha filha. Não sabia. Deus não fez as flores para enfeitarem sepulturas de animais. Não sabia: desculpe. Deus fez as flores para enfeitarem os altares das igrejas. Eu vou enfeitar um, então. Diga antes como vão as obras da matriz. Vão bem, muito obrigado, muito obrigado. Não tenha medo de mim, Esmeralda. Tal seria, Padre Dito. Senta aqui neste banco que eu quero contar um segredo pra você. Às ordens, Padre Dito. Você conhece meu túmulo? Conheço, sim senhor. No meu túmulo tem cinco panelas cheinhas de ouro. Sim senhor, Padre Dito. Você vá lá, desenterre as panelas e dê para a comissão das obras que o ouro é para acabar com a reforma da matriz que já está demorando muito. Eu vou hoje mesmo, Padre Dito. Vá com Deus, minha filha. E a Virgem Maria, Padre Dito. Deixa te dar um beijo minha filha. O senhor disse um, Padre Dito. Eu não sou o Padre Dito. Me larga que eu grito. Eu sou o Anticristo. Eu grito, eu grito. Gritou. Nicolau acordou.

- Que é isso, minha filha?

- Não me chame de minha filha! Onde é que eu estou? Ai, eu morro com esta aflição! Não se encoste em mim! Não se encoste em mim! Ah minha mãe, minha mãe!

A aflição só passou com água de flor de laranja tomada à força. Então Dona Esmeralda sorriu, beijou muito o marido e contou o sonho.

- Ele disse cinco panelas só? Você tem certeza?

- Cinco: me lembro perfeitamente.

- Sei. Ele não disse que espécie de moedas era? Libras esterlinas por exemplo? Ou dólares? Tem dólares de ouro se não me engano...

- Isso ele não disse.

Nicolau desistiu de dormir o resto da madrugada. Preparou café forte, bebeu duas xícaras, foi para a sala da frente, se estendeu no canapé, deu de fumar. Pensando.

- Esmeralda! Você ainda está acordada?

- Que é?

- Você acredita em sonhos?

- Acredito sim.

- Está bem. Veja se dorme.

De barriga para o ar imaginava tão depressa, tão grandiosamente, que lutava contra a imaginação. Deus existe. Se existe. A justiça divina não falha. E vem mais depressa do que se pensa. Dormiu triste e humilhado e acordou rico. Primeiro pagava os impostos. Não precisava mais de esmolas. Depois São Paulo. Aplicava o cobre bem aplicado. Depois Rio. Depois Europa. Não. Estados Unidos. Conhecer aquele colosso. Pára, imaginação. O dinheiro é para as obras da matriz. Olhe o castigo do céu. Mas não é justo isso. Quem tem o segredo do tesouro é dono do tesouro. Depois não havia perigo. Ia de noite no cemitério e desenterrava a dinheirama. Pára, imaginação. O Crispim zelador já queimou uma madrugada os dois polacos da Colônia Sobieski que queriam avançar nos florões de bronze dos túmulos. Do Padre Dito mesmo. Subornar também não adianta. Quer dizer: é impossível. Melhor é revelar o segredo. Falar com Padre Zoroastro e revelar não: vender o segredo. Pára, imaginação. Padre Zoroastro não acredita nessas coisas. Homem, arranjava um capanga, matava o Crispim e pronto. Pára, excomungada. Bobagem. Aquele retrato ali no Diário é da Greta Garbo. Ô boa. Onde será que ela mora? Pára, sem-vergonha, cachorra, desgraçada. E o Zéquinha Silva presidente da comissão? Desaforo. É preciso arranjar outro presidente, outro tesoureiro: ele. Ai está. Regime novo: gente nova.

E o cobre com o tesoureiro.

- Você já está acordada Esmeralda?

- Eu não dormi.

- Que maçada! Vamos enterrar a excelentíssima?

- Enterre você sozinho. Você sabe que eu não gosto de ver enterro.

Dorotéia Cabral foi sepultada dentro de uma lata de gasolina e perto de um mamoeiro. Nicolau tomou mais duas xícaras de café, se arranjou e saiu. Foi para o escritório da Luz e Força. Não parava sentado. Também não parava em pé. O gerente estranhou tanto nervosismo. Perguntou:

- Que é que há?

- Osvaldo Aranha. Isto é. desculpe, nada. Dormi mal esta noite. A Dorotéia Cabral morreu.

- Não diga! Dona Esmeralda deve ter ficado bem triste?

- Ficou. Está doente até. Se me der licença eu vou ver como é que ela vai indo.

Padre Zoroastro não estava em casa. Nicolau ficou indeciso sem saber se devia ou não procurá-lo na matriz. Talvez fosse melhor conversar num lugar mais discreto. Porém a coisa era urgente. Era. Ia. Não ia. Começou a andar. Foi andando. Foi. De repente apressou o passo e tomou o caminho do cemitério.

Encontrou Crispim chupando num pito de barro perto do portão, ouvindo as queixas de um coveiro despedido por não ter mentalidade revolucionária.

- Que é que vem fazer aqui, Seu Nicolau? Morte em casa, ainda que mal pergunte?

- É. Morreu a Dorotéia Cabral. Mas não isso não.

- Morreu? De quê?

- Não sei. Doença de cachorro.

O túmulo do Padre Dito era logo na entrada. Olhou enviesado para ele.

- Estou pensando em mandar fazer um túmulo pra minha sogra.

Foi ver a sepultura da sogra. Era lá no fundo. Estavam abrindo uma cova perto.

- Quem é que vai ser enterrado?

- O Bastião.

- O Bastião da Filarmônica?

- Não. O pegador de cachorro.

- É o mesmo.

- Terceiro cachaceiro que a gente enterra este mês.

Deu uns passos em torno da sepultura da sogra para fingir que tomava a medida. E veio voltando. Bem devagarzinho. Olhando os túmulos. Aqui jaz o Doutor Manuel Bacalhau. Esse também morreu de cachaça. A memória de Dona Iracema Vaz de Castro Soares. Pra quê dona agora? Passou a vida toda na cozinha. Viandante, pára! Aqui repousam os restos mortais de Monsenhor Benedito Moura.

- Então, Crispim, não vieram mais roubar os bronzes do túmulo, não?

- Que esperança! Eu tenho sono leve e pontaria certeira!

- Sei...

De cada lado do túmulo tinha um canteirinho de cravos. O anjo de mármore jogava flores sobre a lousa. Já tinha jogado cinco. Faltava ainda jogar três.

- O caixão está debaixo da terra?

- O senhor não esteve no enterro, Seu Nicolau? Está no gavetão. Debaixo da terra está Nhá Belarmina. Faz uns vinte anos. O túmulo foi feito por Padre Dito quando muito uns dois meses antes de morrer.

- Tem razão. Não me lembrava.

Túmulo sólido, pesado. Gavetão duro de abrir. Tampa bem encaixada. Nem se perceberia que era tampa se não fosse o argolão de bronze.

- Monsenhor Benedito de Moura. Homem bom. Um santo.

- Que dúvida! Cada vez que vinha aqui arranjar o jardinzinho...

- Que jardinzinho?

- Ué! O jardinzinho que tinha! Antes do túmulo só tinha um jardinzinho e uma cruz no meio. Desse jardinzinho é que Padre Dito cuidava todas as semanas que Deus dava. Quando podia ajudava ele. E ele já sabe: me...

Nicolau disse de repente:

- Até outro dia, Crispim!

Não podia mais. Se ficava mais um minuto se traía contava tudo. Mas meu Deus do céu, como é difícil a gente guardar um segredo assim dentro da gente. Hoje mesmo precisava resolver tudo. Senão não agüentava: morria de aflição. Agora é ir almoçar que já são horas. Nem se discute: Padre Dito com a desculpa de arranjar a sepultura da velha o que fazia era enterrar ouro e mais ouro, o filho da m...

- Está falando sozinho, rapaz?

- Hein? Ah sim! Estava fazendo uns cálculos. Estou com muita pressa. Lembranças em casa. Passar bem, Abílio. Apareça.

Depois do almoço mandou Dona Esmeralda dizer para o major e o Antônio Vicente que estava doente sem poder sair de casa mas que queria muito conversar com eles. Eles que viessem logo. E na reunião convenceu os companheiros políticos de que era uma infâmia a permanência de perrepistas na comissão das obras da matriz. Era preciso organizar outra com o major na presidência e ele Nicolau feito tesoureiro.

Assentado isso Dona Esmeralda foi buscar Padre Zoroastro. Padre Zoroastro foi dizendo que sim com a cabeça mas na hora de resolver a coisa falou:

- Está tudo muito certo. Porém não pode ser.

- Por que que não pode ser?

- Não pode ser porque Zéquinha Silva é pessoa - não é - de muita confiança do bispo. É.

E não permitiu mais que Nicolau abrisse a boca. Não é? é, os amigos bem compreendiam a situação. não é? é, apertou a mão dos três, foi-se. Botando Nicolau no auge da indignação. Começou a injuriar Padre Zoroastro, a falar o diabo do bispo, a dizer coisas de Zéquinha Silva, da filha de Zéquinha Silva. Insinuou mesmo que entre Dona Isolina e Padre Zoroastro havia grossa patifaria. Então o major saiu de seu silêncio espantado:

- Mas afinal de contas, Nicolauzito dos meus pecados, o caso não tem assim tanta importância. Não se trata de cargos políticos. São cargos - como direi - são cargos... técnicos!

- Olha a grande besteira!

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