Babel - Parte 2 Babel · Capítulo 2 de 2
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Babel - Parte 2

Os homens de Babel desejavam aproximar-se de Deus com uma construção de pedra, com um edifício que não era igreja nem templo nem casa de oração, mas propriedade de homens interesseiros: queriam galgar o paraíso para fugir do trabalho como os que vêem o aperfeiçoamento da máquina como uma libertação do trabalho. A invenção da máquina vem de Babel. Foi Babel uma imensa máquina coletiva de ascensão, a primeira luta contra a lei de gravidade, a primeira tentativa de conquista do ar. Então o homem foi ferido em sua satânica invenção: a fragmentação desta imensa máquina ia dar a cada pátria e a cada povo a missão milenar de recuperar os atributos que o homem perdera à saída do Paraíso. A história atual decorre da queda do homem e do afã da invenção mecânica com que ele possa readquirir com o suor de seu rosto os dons angélicos que lhe foram retirados pelo pecado do orgulho. O rádio, a televisão, o aeroplano e outros descobrimentos representam marcos históricos desta rehabilitação. Essa rehabilitação por isso mesmo sempre se processa num sentido ascensional. Os homens de Babel não queriam construir tendas como São Paulo, mas uma torre em que os homens se isolassem e fugissem do mundo. A própria construção da imensa torre confundiu e desorientou o trabalho. Gerações nasceram e morreram trabalhando nas primeiras centenas de andares. A mística da massa de Babel era conquistar o Paraíso. Com a sua construção em que se empenharam todos os homens da terra, estes perderam a liberdade, obrigados a um trabalho forçado, ao jugo do trabalho coletivo para a conquista comum. O direito de propriedade desaparecera; a torre se tornara propriedade de todos, o ideal da imensa massa trabalhista. E não havia Deus naquela massa que procurava Deus, que procurava Deus para demiti-lo ocupando o seu lugar. E aquele paraíso que se procurava em vão nas alturas era um paraíso terrestre, geográfico, localizado topograficamente como uma cidade suspensa. A infernal mística materialista havia afastado o homem de seu contacto com a terra. Homem e torre desabaram, fragmentados em línguas, guerras, fronteiras, racismos, neste pandemônio de conflagração mundial a que servem as invenções com que o habitante de Babel quis recuperar os atributos perdidos.

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