Bandeirantes - Parte 3 Bandeirantes · Capítulo 3 de 6
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Bandeirantes - Parte 3

Aqui vai uma visão do Brasil dos tempos de Anchieta. O que ele viu quando desembarcou na Bahia. Viu indigenas de tres continentes: o português inculto, o negro inculto, o selvagem inculto. Viu os três elementos irreconciliaveis. Mesmo entre os portugueses, os elementos eram irreconciliaveis: o reino não desejava se misturar ODM o homem da plebe ou com o degredado, o cristão velho no queria confundir-se com o cristo novo. Os componentes raciais eram pois os mais dispares e hete rogeneos: havia as mais dispares vestimentas, ciganos, m uriscos, autoctones emplumados ou tintos de urucla,peões esfarrapados, mulheres pobremente vestidas e senhoras ricamente ostentando colares, arrecadas, trajes de seda,vag quinhas e coletes de satin ou de damasco. A cidade do esal vador capital da Baía 6 dividida em cidade Alta e baixa. Da -idade alta onde residia o Governador jeral, Achieta viu os fortes e redutos da baia, os militares de sua guar da, as companhias de arcabuzeiros e de rosqueteiros, os oficiais da ribeira: patreesemores, alcaides, meirinhos, o governo secular ao lado do eclesiastico, sotainas reluzentes de conegos e meios-coneees ao lado de roupetas MQ destas de nissianarios. Tudo isto misturado com trafican tes, bufarinheiros, operarios„ mulheres odeias e padeiras, bordadoiras, costureiras, brims nu feiticeiras operativas (muito diferente das grandes feiticeiras rituals da Europa). 1-ortu7a1 ainda vivia sob o sobrecenho do Santo Oficio protegendo ou perseguindo judeus, cristos-novos e bruxas). Da montanha da cidade alta Anchieta divisa os rea vios que demandavam o porto, a edificação irregular, as ruas curtas estreitas, desniveladas, tortuosas, as casas de meiaseparedes„ no havia iluminaço nem agua encanada nem es?;otos. A beira-mar surgiam ostreiras, sambuqys re-tos de cozinha dos selvagens. Mas o lee Anchieta viu sob todas estas aparene dins foi a desunião, a irreconeiabilidade de toda esta gente que ali eetava sem raizes, tão nomades como o proprio nativo. Ele sentia-se sobretudo um pacificador: ha• am via de reconciliar não s6 as tribus selvagens que se guerreavam como o branco como os brancos separados por numerosos preconceitos. Rao ficou em Salvador da Bahia o jovem Jose de Anc ieta. Nóbrega que ern o Chefe da miss'-o tendo sabido que a duzentos e cincoenta leguas da Bahia, em Piratininga havia muita falta de doutrina perque numerosos colonos vi viam ali reduzindo i eqcravid7io os indigenas e ate matando-os como se fossem be-tas, resolveu enviar para l treze missionaries afim de fundar o coleio de liratining,a. Entre estes ia o irmão escolastico Jose de Anchieta nomea do mestre-escola. No dia 25 de Janeiro celebrou-se a pri meira missa de fundação. Ern dia da conversão de S. Laulo. Aquela imensa região tomou o nome do grande apostolo do cristianismo. O progressista Estado da Federação Brasileira começou tois com a palhoça construída para abrigar estes primeiros missionarios e que Anchieta descreve em carta a Inácio de Loiola: "As vezes mais de vinte dos nossos se acol',em nesta barraquinha de caniço e barro,coberta de palha, quartorze Fes de comprimento, dez de largura. 1 isto i-- scola, é enfermaria, dormitorio, refeitorio, cozinha, despensa". As vezes quando Treparnvam alguma comida, a fumaça obrigava os padre-mestres em companhia dos catecuren-)s a se retirarem con os olhos a arder. was, en redor desta palhoça, outras habitag6es tambem fos cas foram surindo, construiran-se ap6s outras casas de bairro, surgiram as primeiras ruelas, e... dois anos depois se inaugurava a rrimeira Igreja de firatininga. Não s6 a c,nstruqao como a fe -ta de inauguração foram realisedas sob um pitoresco enorme: fabrica -o de tijolos,con dupRo de pedras a-run e madeir s pelo pessoal nu, a inau. guragric com procisso, repiques, inubins, maracas atacs, curugus, butoris, pifaros, flautas de ossos, c itk cheias dos dentes dos inimios, festa, festa, dins se7uidos com inumeras tribus enfeitadas de penas al trajando as ve timentas simples dos primeiros habitantes das reduS No meio de um grupo de moças ndias que dançam com seus 7,uerreiros esta a virem Iepemoaca. Ë a mais bg la, a mais agil, a mais forte entre aquelas mulheres. Anchieta passa distribuindo espelhinhos, colares, mednlhinhas. V os innsarinos e para, um minuto, a atenqdo despertada por to bela creatura de Deus. A moça abandona o grupo, acerca-se de Anchieta COMO se o convidasse a dan sar. Anchieta oferece-lhe um colar com uma cruz. Ela enfia-o no pescoço, olha apaixonadamente o jovem missionario. O guerreiro - seu noivo enciumado avança de tacape para o missionario. A moça percebe e agilissima proteje com o seu corpo. Acodem varios selvagens amigos. uriginase um começo de tumulto. Anchieta apazigUa o motim. Aeon tece que dias depr)is Iepemoaca caza com o r!:uerrt-dro e é auxiliar do oficiante o proprio Jose de Anchieta. ge a g.,ierr -t tra os teminin6s. As mulheres da tribu acompanham os fr,uerra afim do incentiva-los, oferecendo-lhes, enfej tando as flechas ou envenenando-es com curare, entoando can tos de guerrn, untardo os corpos ameis de oleo de ouricuri ou pintando-os com urucii. Morte do marido de lep6moaga. Os funerais: Parentes e amigos cream o guerreiro agonisante, mudos enquanto dura a agonia. Logo que o guer reiro exala n ultimo suspiro, as velhas, os velhos, as ere anças dia berros e gritos, fazem lamentações compostas de uma musica de vozes fortes, agudas, infantis que enternece todos os corações, embora sejam natur'ais todas estas dor s e la rimas, sem conhecimento do bem e do mal que po der4 gozar esse espirito desprendido do corpo morto. Depois de nuitas lamentações o Principal dos amigos faz uma predica batendo muitas vezes no peito e nas coxas, conta as façanhas do morto, dizendo no fim:. Ha quem dele se queixe No foi ele um homem forte e valente Toma- o corpo, i cheio de penas na cabeça e nos braços, trazem SOU arco, frexas, machados, foices, fogo, agua, farinha, carne e peixe. Fazem um buraco em forra de poço assentam o morto sobre seus calcanhares conforme era seu costune,e descem-no lentamente, i cova, entoando canticos religiosos, acomodando en redor dele a farinha, a Evnia, a carne o peixe ao lado de sua mo direita afim de poder pegar tudo com facilidade e na esquerda arruma- as armas de guer ra. Fazem ali perto una fogueira e se despedem dele enviar do lembranças aos antepassados mortos, recomendagoes dos nortos da tribu que dançam nas montanhas, longe muito lon ge, onde ¡Illam ir todos depois de mortos. Iepemoaça volta à noite para chorar sobre a sepultura, traz para iluminar a cova do bem-amado um punhado de pirilampos, ramos cheirosos, mel. No silencio da noite encontra Anchieta que a consola.

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