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Tiago Bianchini Fidalgo

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LITERÁRIA

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12/0601:13
Pedaço de Papel
(Poemas Antigos 015)

I- Invidia

Queria eu ser tu, papel, um dia;
Alvo, límpido, às vezes preenchido
De palavras de uma reles poesia;
Do desenho de um jardim florido.

Tu não falas, não sentes, não choras;
Nada fazes; apenas transparece
O que alguéns escreveram, ante auroras
Que por causa de teu brilho não se esquece.

Tu não sentes, nada, nem de amor
És capaz de expirar, pela saudade;
Só consegues reviver alheia dor
De quem escreve, e sente de verdade.

Queria, minha folha, ter um dia
Um só pedaço de teu corpo alvo e puro;
Para inspirar a minha mágoa e agonia
Neste grafite negro do lápis que seguro.

Mas, de amor, meu vão papel, não tens o gosto,
E de ternura não conheces o perfume;
E tuas linhas não adoram nenhum rosto
Nas brancas bordas que consideras teu cume.

És tão morto, enfim, caro papel,
Que não refletes nem os mares, nem o céu;
E que não serves, para mim, de inspiração;

Que ser igual a ti, já não queria
Pois assim sendo, logo me queimaria
Na experiência doce de uma paixão.

II- Celulose

Folha, folha,
página branca da minha existência;
onde posso me dizer
de ti, ó papel límpido,
para que consiga obter de ti
a preciosa inspiração? Não,
a inspiração é divina;
deve brotar da alma
e não de ti, caro papel;
tuas pautas claras, teu corpo puro
a mim não inspiram,
a ninguém inspiram.
Mas, então... para que serves,
senão para emprestar-me
teu corpo alvo, puro e belo,
para que possa, por mim mesmo,
escrever, dizer, sonhar...

Ah, minha humilde folha!
Invejo-te tanto...
És clara, mas não transpareces
o que sentes;
então, que seja eu também uma folha,
limpa, solta, que um vento leva,
e, às vezes, traz,
para que eu consiga, então,
assim como tu
e em ti,
roubar a magia dos poetas
- e, creia: eles existem -
que venham por ventura pegar-me nas mãos.

Mãos que empunham, com graça e opulência,
os belos rabiscos do duro carvão.

III- Soneto

Tenho em mãos uma folha; mas não me vem
O interessante, algo que não salta
Aos olhos, à primeira vista; me falta
A dita inspiração: escrever a quem?

Escrever àquela que deixou-me sem
Seus lábios suaves, que este tolo exalta;
Compor uma ária, escrevê-la em pauta,
Escrever nada; escrever a ninguém.

Tenho em mãos a folha, ó papel maldito;
E maldito seja! Não quero escrever
Sobre o nada! Sobre estas tortas linhas

Não guardarei o que eu não acredito:
Acredito em todas as saudades minhas,
Acredito em amor; de amor vou viver!
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09/0618:23
TUCSON

(Poemas antigos 014)

Algumas pessoas sabem que a maioria dos meus poemas antigos foi feita para um grande amor da juventude, que me acompanhou até uns 12 anos atrás e terminou de forma um tanto complexa. Seu nome era Divina. Ela tinha olhos furta-cor, corpo escultural, sorriso maliciosamente bonito (os mais atentos já devem tê-la reconhecido em diversos poemas meus por aqui). Era uma mulher forte que enfrentava o mundo (literalmente: saiu do interior de Minas para viver a vida nos EUA, e depois de ter vencido por lá, voltou para a roça).

***

Ela é passado, mas os poemas são eternos. Havia feito estes poemas para ela. A ideia já se tornou tão irreal, tão absurda,  qmas nao me importo em postar aqui...

I
Meu amor está em Tucson,
Tu, que sabes como sou,
Tu, que aceitas meus defeitos,
Arizona, here I go!

Lá, não tenho mordomias,
Nem sou amigo do Rei;
Mas amo lá uma prenda,
Amo tanto, que nem sei...

Se aqui eu não sou feliz,
Lá não serei jamais triste,
Pois lá tenho quem me diz

Que o amor por lá existe;
E sem fazer qualquer chiste,
Dar-me-á o que sempre quis.

II
Vou me embora para Tucson:
Tu, que sonhas como eu
Tu, que sangras minhas mágoas
Tu, que sentes que sou teu.

Lá tenho a mulher que eu quero,
E a cama me importa pouco;
Lá eu tenho quem mais amo
E amo, e amo como louco!...

Mas é vazia sua cama;
Talvez seja esta a sina
De todo mortal que ama...

Meu amor é brisa fina
Que dia e noite te chama:
Divina.

Não deveria mais pensar nisso. Não penso, juro. Virou passado. Hoje tenho meu Amor, "minha prenda", a mulher da minha vida.
Mas a estrutura e delicadeza dos sonetinhos, as trovinhas infantis de criança que vai para o parque e, principalmente, a homenagem ao Bandeira valem que seja publicado. Como eu sempre digo: ninguém lê, nem mesmo ela irá ler (não que me importe...)

Meu Amor está alhures,
Quanto mais longe, melhor:
Já não quero aquela prenda...
Arizona, nevermore!

Lá não há reis ou rainhas,
Lá não poderei viver:
Lá não tenho mordomias
Lá não tenho o que fazer.

Prefiro ficar aqui:
Outro amor um dia chega
Me dá um beijo e sorri!...

Meu amor não mais me cega:
Ah, meu anjo, minha nêga!
Como ainda espero a ti!...

Estou ficando piegas demais. Acho melhor parar de fazer poemas.

***
Mas, calma: isso foi há 12 anos. É como o whisky: as coisas ficam melhores com o tempo.
🔒 Conteúdo Exclusivo
06/0608:53
VIAGEM NO TEMPO
(mais uma contribuição envergonhada para o sexxxtou)

Eu pensei que não faria outro sexxxtou na vida. Mas decidi experimentar uma mistura de poema hot com sci-fi (é a minha área, afinal de contas) A ideia é: Imagine um ménage entre uma mulher ,meu eu atual e meu eu do passado? 😱
Espero que gostem. Eu achei a experiência e o exercício... Bem... Deixa pra lá.
(Obs: Eu nunca sei se estou perdendo o tom; então, se vocês acharem que está além da conta, me avisem nas mensagens privadas... )

**VIAGEM NO TEMPO**

Estamos em três. Eu, você e eu.
Você, a mais centrada, no centro.
Ele te acaricia os seios,
Eu me encosto no seu traseiro.

Ele beija seus lábios, você se vira
Deixa seu rosto de lado para nós dois
Beijamos-te, cada um em uma bochecha,
Beijamos os três, línguas trançadas.

Seu hálito se espalha entre nós dois
Um mesmo aroma dividido em dois suspiros.
Seu perfume se confunde com nosso suor,
Como um bálsamo a se aquecer no nosso fogo.

Ele encosta em sua virilha e te enlaça as costas,
Eu me acomodo nas suas nádegas, e te enlaço o umbigo
Você, o recheio de um delicioso sanduíche:
Misto mais que quente.

Ele te beija como em 1996 —
Mas eu, que já conheço teus dentes,
Prefiro morder teu ombro,
onde guardo marcas de outros verões.

Quem você quer na frente? Quem você quer por trás?
Eu e meu eu do passado aguardamos...
Você será de nós dois, de toda forma:
Mas pode escolher as posições.

Está sentindo? Entre a lança e a espada,
Você deverá decidir como irá ser:
Quem adentrará em cada domínio proibido
De seu corpo, a estremecer e palpitar.

Respire. Calma. Não tenha medo.
Não vamos te machucar nem forçar a barra.
Mas você sabe que não há para onde escapar:
Hoje, você será invadida por duas eras.

Invadida por inteiro,
Gemidos diferentes, de ontem e de hoje,
Perfumes que arfam em ares distintos.
Sândalo que te envolve a alma.

Ele te acaricia como quem descobre um país,
Mas eu, navegante antigo, leio teus mapas,
E você, bússola de carne, no centro
Nos guiando e abrindo seus segredos.

Você, bússola de carne a girar, descontrolada
E nós, dois imãs do mesmo polo, a te confundir,
Te virando do avesso em êxtase e arrepios
E te repartindo em eternidades

Suas duas mãos. Duas armas em riste.
Você aceita ambas e acaricia
Cada um dos seus dois objetos de desejo,
Decidindo de qual abismo cada um será senhor.

Mas não há o que escolher: vamos trocando
E te girando a cada nova empreitada:
Ora eu, ora ele, atrás, na frente
Você no meio, você envolta.
Centrada.

Ele tem o vigor, eu tenho a experiência.
Você tem a nós dois, e está plena.
O prazer explode por várias veredas,
E inundamos você em torrentes de orgasmo.

Isso. Sente a ambos. Sem controle.
Brincamos com seu corpo e seu espírito,
Até que seu corpo não saiba se é fogo, líquido
Ou o tempo que te consome - espasmos em loop.

Mas, não, não és uma garota submissa:
És a dona do ritmo, que sabe o que quer.
És a deusa de duas fases de uma mesma vida,
És mulher o bastante para incendiar nós dois.

Não és território a ser conquistado:
És nosso centro de gravidade.
És senhora do jogo, és boca que ordena
"Mais fundo" a um, "Mais devagar" ao outro.

Entre a volúpia adolescente
E a calma da meia-idade,
És o centro e domina
És quem nos dita os caminhos dentro de ti.

Boa menina. Sedenta. Gulosa.
Mulher sem medo, louca para dar prazer
A nós dois - o mesmo homem, em dobro,
Presente e passado te devorando.
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04/0622:09
A TV

São altas horas da madrugada; na TV, apenas dois canais. A reprise de uma partida de futebol, e um filme legendado. A luminária ainda acesa, apenas as mãos para fora do cobertor. São apenas dois canais; se alguém, nesta imensa cidade, estiver acordado e com a televisão ligada, certamente estará diante de um dos dois espetáculos.

Em um canal passa um jogo antigo de futebol. Peleja desinteressante, de craques que já não perambulam mais pelos gramados; de gols que já foram há muito comemorados, de um resultado que não mais exprime surpresa a ninguém; que já entrou para a história. Ainda assim, se algum televisor estiver ligado a esta hora em alguma casa da cidade, poderá estar retransmitindo estas mesmas imagens.

O controle remoto é acionado e desacionado várias vezes, com certa veemência. Em outro canal passa um filme legendado, narrando a Guerra do Vietnã. Um acontecimento que todos já estão cansados de ver; uma guerra na qual nem entramos, umas letrinhas que vêm e que somem da tela, sem que ninguém neste mundo tenha tempo de ler. Um documentário sonolento, mas que, uma vez que tenha na vizinhança uma única TV ligada, pode estar sendo assistido.

As horas passam ferozmente. Agora, na TV, só nos resta um único canal, que transmite um jogo de Copa do Mundo. Se, por acaso, alguma televisão, neste grande Estado, ainda estiver no ar, certamente estará neste canal. Um jogo enjoativo, que não é do escrete nacional, que não tem nenhum jogador consagrado, que não nos vale nada, enfim. Mas não importa: este é o único canal no ar, motivo pelo qual qualquer TV que esteja ligada, a essa hora, deverá estar nele.

A janela mostra que a escuridão ainda domina. O jogo acaba; na TV, os chuviscos monocromáticos afirmam a ausência de sintonia de qualquer outra imagem. Pode-se dizer que, se por um acaso, algum televisor, qualquer um, mísero, velho, preto-e-branco, que seja; qualquer cidadão, enfim, que ainda esteja acordado diante de uma TV ligada, neste imenso País, sem sombra de dúvidas estará diante destes confortantes e implacáveis chuviscos, que passam a ideia de que nada mais está no ar.

A janela mostra o clarear do dia. Os olhos, tremendo de frio, esticam-se até o horizonte e vislumbram o mais maravilhoso espetáculo criado por Deus. O negro vai dando lugar ao roxo, que dá lugar ao vermelho, que dá lugar ao alaranjado, que por sua vez dá lugar ao amarelo, que reúne novamente o negro, o roxo, o vermelho e o alaranjado para reverenciar a vinda do Astro-Rei. Se algum mortal, ínfimo na sua ignorância, ainda estiver desperto, neste mundo cinzento e gélido, será com certeza o ser mais agraciado do universo, por presenciar o mais absoluto espetáculo de luz e cores, que nem o melhor televisor do mundo vai, algum dia, ser capaz de reproduzir com perfeição.
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30/0518:38
Poema para quem tem fôlego

(Considerem essa a minha estreia no SEXXXTOU... E espero não decepcionar 😇)

Eu, sentado.
Ela, no meu colo, senta.
Ela, de imediato, sente.
Pele com pele, sem tecidos obstruindo,
Sem barreiras.

Calor do corpo.
Do meu, do seu.
Embaça os óculos - ela os tira
Só precisa me ver
Com os olhos do desejo.

Molhados. Eu, de suor,
Ela, de tesão.
Escorrega, mas encaixa.
Sempre encaixa.

Seus seios, fartos e ofegantes,
Envolvem meu rosto:
Também eu não vejo mais nada,
Só a maciez da tua pele e do teu cheiro.

Sobe um pouco, desce um pouco
De leve devagar cadenciado
Respiração começando a pesar
Como o teu corpo pesando
no meu rígido membro em chamas

Em chamas
Ele se afoga em ti.
Molhado, mas em chamas.
Vai-e-vem, te acariciando por dentro.
Uma serpente a te dar botes e te envenenar.

Meus dedos passeiam de leve
Eriçando seus pêlos e mamilos
Sentindo sua pele se arrepiar
Quase sem tocar.

Escorrega. Prazer demais
Mel demais.
Um pouco mais forte, um pouco mais
Intenso a cada instante.

Não há pressa, mas há urgência
Em beijar teu corpo, e perceber
Teus lábios semi-abertos
Teus olhos semi-fechados.

Minhas mãos não querem parar:
Te leio como se fosse em Braille:
Tua pele cheia de pontinhos arrepiados,
Dizendo: "Me come gostoso"

"Me come, gostoso!"
"Gostoso!"
Me come com os olhos, com a boca em cima em baixo
Me come de todas as formas possíveis.

As palavras vão saindo, à revelia:
Não são mais seios, membro, ânus:
O decoro exige "bunda, cu, pau, peito".
A ocasião exige palavras de gala.

"Foda-se o decoro", penso eu.
"Foda-me gostoso", diz você.
A mesma língua, o mesmo
Vocabulário acadêmico,
Onde imperam os "Ah!s" e "Uh!s".

Meus lábios se incendeiam no teu peito,
Minhas mãos passeiam pela sua bunda,
Meu dedo roça no teu cu.
"Posso?", penso.

E então, sinto você estremecer
Prender a respiração, travar de leve
E sorrir e mexer e me agarrar o pescoço:
"Posso!", penso.

Cabeça para trás, a sentir a minha invasão
Meu dedo atrevido onde não deve
- Ou deve?
A aumentar a velocidade e intensidade
Da montanha-russa de emoções e sentidos.

Mergulhado na intensidade da sua Xana,
Envolvido no aperto do seu rabo
Mordiscando de leve seus biquinhos aguçados,
Me sinto seu e sei que és minha, ao menos agora.

Volúpia. Urgência. Afoita e entregue,
Rebola e arfa, e esfrega, e geme...
Envolvo em minhas mãos os seus cabelos
Seguro sua nuca, puxo pra mim.
Toda pra mim.

Tesão. Insustentável. Incontrolavel.
Interminável.
Sinto suas unhas de afundarem nas minhas costas
E um gemido de gozo e contrair da espinha
E uma travadinha de leve na pelve,
Como a não deixar que eu saia de lá de dentro.
Músculos tesos que se contraem.
Movimentos voltando ao normal,
Mais leves e frouxos e repletos de satisfação.

Olhas para mim com um sorriso bobo:
"Acabou comigo", me diz, sussurrando.
Deixa seu corpo relaxar sobre o meu,
Mas eu, ainda duro e sedento, dedo enfiado lá atrás,
Respondo: Não... Ainda não acabei...
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