Universo da obra
Universo da obra
Neste Natal quisera eu ter a dita
De ir ao teu lado, à sombra do teu vulto, Ao menino Jesus render meu culto
Numa igrejinha simples e catita.
Longe dos faustos deste mundo estulto,
Num idilio de monja e cenobita
Entre os meus braços o teu rosto oculto, Do amor a benção receber bendita.
Da natureza ouvindo a sinfonia.
Lá no Leme, entre as águas e as montanhas Passarmos docemente o inteiro dia.
E à noite, após "complicações" tamanhas Fazermos a consoada numa orgia
De vinho verde, beijos e castanhas.
O sapateiro à namorada:
Que queres, meu amor que eu ponha no teu sapatinho-
Ela, dengosa e sincera:
Uma meia sola.
ZANGÃO
A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1464, 25 dez. 1911. p. 1.
É candidato a governador de Alagoas o sr. Natalício Camboim.
De festa ao febril bulício
Diz Alagoas assim:
Haja fogo... de artifício
Em honra ao meu natalício... Camboim.
Foi apresentada a candidatura do sr. Natalício Camboim à presidência do Alagoas.
Da festa ao febril político
Diz Alagoas assim:
Haja fogo... de artifício
Em honra ao meu natalício. Camboim.
ZANGÃO
A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1465, 26 dez. 1911, p. 1.
Os empregados da repartição de Águas e Esgotos queixam-se aos jornais de que, desde dezembro passado, não recebem ordenado.
Bem percebo as duras mágoas
Destes pobres empregados:
Andam "a seca" os das águas,
E os esgotos "esgotados".
Que o nosso reclame voe
Aos poderes inclementes;
E que o arame enfim se escol
Pelos "canais" competentes...
ZANGÃO
A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1482, 22 jan. 1912, p. 1.
"Foi nomeado agente diplomático do Paraguai o sr.
José Meza."
(Telegrama de Bucnos Aires)
Este, com toda certeza,
No cargo não dará ratas.
Que figurarão fará "Meza"
Na roda dos diplomatas!
"Fortaleza, 6 - É considerado providencial o fato de até hoje não se ter averiguado a morte de alguém do povo no combate de 22 a 24 do mês
passado.
Algumas mortes verificadas foram de simples transeuntes ou de pessoas que estavam em casa."
(Telegrama)
1 A carta não mais ajuntes,
Correspondente que louvo:
Se entre tantos transeuntes
Não havia um só do povo.
É que os mortos, com certeza,
No prélio sangrento e fero,
Se não eram da nobreza,
Faziam parte do clero.
ZANGÃO
A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1498, 8 fev. 1912, p. 1.
"A Federação informa ter sido chamado ao Rio de Janeiro o major Iracema Gomes, parece que por causa do discurso que esse oficial pronunciou por ocasião da instalação da Junta Pró-Menna na cidade do Rio Grande."
(Telegrama)
1 Que lhe seja a viagem plena
De calma e serenidade.
Major, valeu bem a pena
Deixar a Junta Pró-Menna
Por tão bela promenade...
ZANGÃO
A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1516, 26 fev. 1912, p. 1.
"E nessa mistura de italiano e português, contou o padre Rigoni que queria salvar a alma da rapariga."
(d'A Noite)
1 Desejando, afinal, mudar de estado
- os Estados têm feito isso a rigor -
pilhou Maria Rosa um namorado
ao pintar da faneca - um Salvador!
5 Ao saber do namoro, exasperado,
padre Rigoni - amigo e confessor -
procurou evitar esse "atentado", porém nada logrou e... foi-se a flor!
9 O caso vai às oiças da polícia
e o dr. Hugo Braga, com perícia,
consegue liquidar toda a questão 11 E Rigoni confessa sucumbido:
- Não era Salvador, como o marido,
mas, tentara também a... salvação!
ZANGÃO
A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1520, mar. 1912, p. 1.
"Registramos a denúncia levada pelo dr. Filemon Torres, advogado da Light and Power, à polícia, contra dois empregados daquela empresa, acusados de terem dado ali vultosos desfalques."
1 Quando deparo um desses casos fico, não direi satisfeito, mas contente;
a Light, águia feliz e onipotente,
faz de nosso Governo um tico-tico!
5 O povo, moço ou velho, pobre ou rico -
cede, cede com c, benevolente:
e a Light - até do Lloyd é pretendente -
todo o pinto que vê leva no bico!
9 Com direito ou sem ele, a Luz e Força, à luz do dia e à força da chicana,
pilha tudo, por mais que a gente torça.
12 - Tudo, não! Desta vez a luz se empana, vai-se a força e, por mais que ela se estorça, dois agries dão nos pintos da águia ufana!
ZANGÃO
A Imprensa, Rio de Janeiro, n.° 1522, 3 mar. 1912, p.
Poesia Satírica e Versos de Circunstância, de Emílio de Meneses, é uma coleção poética brasileira em domínio público disponível gratuitamente no Literunico para leitura online em HTML. Esta edição digital organiza os poemas em capítulos publicados, com espelhos de conteúdo completos, fonte consolidada da Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos/UFSC e metadados preparados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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