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Poesia Satírica e Versos de Circunstância

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Poesia Satírica e Versos de Circunstância

Capítulo 15 · Poesia Satírica e Versos de Circunstância

Saturnino Barbosa

15 de 19 ≈ 3 min de leitura

(Retrato)

1 Pedagogo pernóstico e pedante

Com vastas pretensões a literato;

Barrigudinho, cético, insensato,

Portador de uma cara extravagante.

5 Eis o poetastro trêfego e barato Que o chicote da crítica ululante

A zero reduziu, no mesmo instante

Em que passou a residir no mato.

9 Hoje não vibra mais, é letra morta, Nem sonetos, nem livros maltrapilhos:

Passa o tempo a pedir, de porta em porta 12 Há de acabar assassinando os seus,

Como Saturno a devorar seus filhos,

O matador sacrílego de Deus.

PYRUS CYDONIA

Ipsis ego cana legam tenere lenugine mala.

VIRGÍLIO

1 Áureo-glauca, ora a casca desta fruta Se veste de sutil, ligeiro velo,

Ora aparece nítida e impoluta,

No brilho vegetal, cetíneo e belo.

5 Qual carne virgem, sua polpa enxuta, Levemente tocada de amarelo,

A humana gula em ânsias a disputa;

Abre a cobiça o sápido marmelo.

9 Nem a fama dos pomos de Atalanta

Ou de maçã de Newton que, num tombo,

Criou lei nova, o nome lhe suplanta!

12 O que, entretanto, em épico ribombo, Mais o enaltece e o traz em glória tanta É a marmelada esplêndida Colombo.

1 Não é um simples cachorro o Menelik.

É um ser que raciocina, um ser que pensa, Que detesta o que é mau, que ama o que é chique, E que é dotado de uma sorte imensa!

5 Somente abana a cauda por debique

E trata com suprema indiferença

Certos amigos como o Rocha, - o Henrique, Com quem vive em constante desavença.

9 Conhece toda a atual vida mundana

E o segredo de todos os amores

Desde a Tijuca até Copacabana.

12 Ele é um cão que não morde, meus senhores, Mas quando mordem o Lebrão, a gana

Então lhe chega, e morde... os mordedores!

REQUERIMENTO ENGROSSATIVO MAS

SINCERO - HINO À DENTADA

1 Lebrão! Tu sabes que a Confeitaria

Colombo é verdadeira sucursal

Da nossa muito douta Academia

Mas sem cheiro de empréstimo oficial.

5 Cerca-te sempre a grande simpatia

De todo o literato honesto e leal,

E tu te vais tornando dia a dia

O mecenas de todo esse pessoal.

9 Nisto mostras que és homem de talento, Que não cuidas somente de pastéis

Nem de lucros tirar cento por cento.

12 Atende, pois, a um dos amigos fiéis,

Que está passando por um mau momento

E anda doido a cavar trinta mil-réis!...

1 Isto é um caso de estética mineira,

De que o Brasil, por certo, não se ufana.

Há um armário que, em cada prateleira,

Ostenta mimos de arte soberana.

5 Bronzes, cristais, em suma, a verdadeira Ciência do gozo e da delícia humana.

Há o ouro burilado e a alma altaneira

De um vaso esguio em rara porcelana.

9 Tal vaso (do que os homens são capazes!) Foi tirado do móvel por mandinga

Dos mil politicões e seus sequazes,

12 E, em vez dele, hoje ali, malposto, ginga, Na cerâmica alvar dos goitacases,

Um moringue de réles tabatinga.

Poesia Satírica e Versos de Circunstância

Sinopse

Poesia Satírica e Versos de Circunstância, de Emílio de Meneses, é uma coleção poética brasileira em domínio público disponível gratuitamente no Literunico para leitura online em HTML. Esta edição digital organiza os poemas em capítulos publicados, com espelhos de conteúdo completos, fonte consolidada da Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos/UFSC e metadados preparados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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