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Um Tour Quase Perfeito

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Um Tour Quase Perfeito

Capítulo 2 · Um Tour Quase Perfeito

2.

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DOIS

Melina

Melina faz o caminho de volta para a mesa em que estava pisando duro enquanto xinga mentalmente o desconhecido. Durante o trajeto ela xinga o rapaz de todos os nomes possíveis, à medida que se esgueira por entre as mesas.

Como alguém por ser tão presunçoso. Certeza que é porque tá bêbado., pensa ela bufando.

Melina inspira profundamente uma, duas, três vezes para me amenizar a irritação que carrega no peito. Porém, toda vez que toma um gole da bebida, fica mais furiosa.

Conforme se aproxima da mesa fica se questionando o porquê de ter aceitado a ajuda daquele idiota. Talvez ficar esperando a bebida valesse mais apena. Já que a essa hora ela estaria bebendo com paz de espírito. Contudo, a risada de Miranda e Sávio chamam a atenção dela.

Confessa! Você tá apaixonada pela Analu — Sávio acusa Miranda apontando um espeto de churrasco para ela.

Até que a justiça comprove, não criarei provas contra mim — argumenta Miranda de mãos erguidas e falhando em manter a seriedade.

Melina não aguenta a encenação e solta uma gargalhada, atraindo a atenção deles.

A desgraça de uns, é a alegria de outros — Miranda comenta com um balança negativo com a cabeça e exibindo um o olhar vago.

Sávio dá uma risadinha, enquanto Melina se senta.

Vejo que conseguiu seu precioso néctar — diz Sávio, bebendo sua latinha de cerveja.

Melina ergue o copo e toma mais um gole.

Tá vendo isso aqui! — diz Melina pondo o copo sobre a mesa, conforme Sávio assenti. — Quase custou meu réu primário.

Como assim? Você brigou com quem, maluca? — questiona Miranda no ato, com o tom de alto.

Não briguei, mas senti vontade — Melina confessa, arrancando altas gargalhadas dos meus companheiros de mesa. — Um bêbado chato e metido, tava me perturbando.

Você não pode ficar só, por um segundo, cara.

Melina está prestes a retrucar seu maninho, quando uma voz grave soa pelas caixas de som do bar.

Boa noite a todos!

Rapidamente a atenção das pessoas estão voltados para o palco. Um homem de cabelos e barba brancas, com trajes caros, está no centro do palco segurando um microfone. O rosto dele esbanja alegria, com um amplo sorriso.

Espero que estejam tendo uma noite agradável. E para melhorar o que já está bom, venho informar que o karaokê está aberto oficialmente.

Ele nem termina de falar e já se ouvi gritos de animação dos clientes, seguido de aplausos. Após o anúncio, o senhor põe o microfone num pedestal e sai do palco.

Quando Melina torna a olhar para Sávio e Miranda, os encontra se encarando, com um brilho intenso no olhar.

Sei que vou me arrepender disso, mas o que tá rolando? — Melina pergunta, bebendo sua caipirinha.

Eles a encaram comprimindo os lábios. Ao ver tal cena, sente o medo brotar no seu peito.

Não sei o que é, mas a resposta énãopara os dois!

Tá bom! Mas acho que poderia ter um critério melhor para decidir — diz Miranda, baixando a cabeça.

Melina estreita os olhos para ela e inspira profundamente.

Concordo! — Sávio falou quase na velocidade da luz. — Quem aguentar uma dose de submarino não precisa ir para o karaokê.

O que diabos é submarino? — Melina questionou com a irritação chegando no último fio de cabelo.

Um coquetel! — explicou Miranda segurando o riso. — É uma caneca de cerveja e dentro um short de cachaça.

Não vou fazer nada — Melina brada, olhando por um instante para cada um.

Lina, regras da mesa. Você já não é café com leite, princesa!

Sávio, vai a merda com seu “princesa” — Melina mandou, o encarando fuzilando com o olhar.

Com licença, senhores!

Ao ver quem os interrompem, eles se deparam com um garçom, segurando uma bandeja com um drinque.

Sim! — falou Sávio, com o cenho franzido.

Mandaram essa bebida para esta mesa.

Pra quem? — questionamos Sávio, Miranda e eu em uníssono.

Para a moça de cabelos escuros, ondulados e curtos — respondeu o garçom, pondo o drinque na mesa e empurrando em direção a Melina.

Quê? — perguntou Melina, dando uma risada sem graça. — Tá havendo algum engano?!

Não,caipirosca nevada, mesa 25. Para a moça de cabelos escuros, ondulados e curtos — diz o garçom, dando uma risadinha.

Quem mandou a bebida? — Melina questiona, com os olhos fixos no copo.

Não sei dizer, senhora. Sou novato por aqui — conta o funcionário, dando de ombros.

Ela bufa sentindo um misto de frustração com irritação.

Arrasando corações — disparou Sávio, para o tormento da irmã.

Cala a boca, mano! — Melina brada, sem tirar os olhos da bebida.

Você bem que podia desafiar o rapaz para o karaokê, né? — propõe Miranda, tocando gentilmente o braço de Melina. — Digo, assim você não vai estar só no palco.

Quem disse que vou a algum lugar? — Melina berra, fuzilando-a com os olhos.

Mel, você é a única na mesa que não quer cumprir o desafio. Logo, tem que aceitar a consequência — retruca Miranda, me encarando de maneira desafiadora.

Melina fecha os olhos e respira bem fundo, para não pular no pescoço da Miranda. Falhando em se manter calma, Melina pensa em alternativas para fugir desse desafio miserável. Mas, conhecendo as peças que tem por perto, crê que esse desafio seja o mais legal que eles irão propor a ela.

Dê dinheiro, mas não dê liberdade! — ela declara ao esmurar de leve a mesa e fitando cada um por um período curto. — Bendita hora que dei liberdade a vocês.

Garçom, diga ao rapaz que a Melina — diz Sávio, apontando para mim e encarando o funcionário —, que ela quer o conhecer. Porém, antes dele vir para nossa mesa, terá que passar pela aprovação do público.

O garçom não se aguenta e solta uma risadinha que o faz pôr a mão na barriga.

Peço para ele encontrar a senhorita próximo ao palco? — questiona o garçom a olhar para Sávio, logo que recupera a compostura.

Perfeito! — gritou Miranda mais entusiasmada que o normal.

Pode deixar — fala o garçom antes de se afastar da mesa.

Só para deixar registrado! Odeio vocês — Melina declara pegando sua caipirinha e tomando o restante do líquido num grande gole.

Ela se levanta da cadeira, ao som das risadas dos sádicos que considera serem da sua família. Melina caminha lentamente em direção ao palco. Se esforçando para pegar os locais de mais difícil acesso para passar. Embora a mente dela comece a cogitar que subir num palco sozinha para cantar é mais assombroso do que cantar com um estranho chato. Com medo de que o carinha poderia meter o pé, ela dá uma apressada no passo.

Durante o trajeto até o palco, Melina mentaliza que o rapaz certamente cantará pior do que ela. Logo, ele vai se tornar o foco e ela passará desapercebida. Mas conforme se aproxima da lateral do palco passa a observar uma figura que lhe aparece familiar. Seu coração se agita no peito. Porém, como a pessoa está de costas para ela, Melina se acalma repetindo o mantra:é outro cara só está usando a mesma roupa.

Acho que bebi demais. Quando voltar a mesa vou pedir um refrigerante e comer algo coisa.,Melina faz essa anotação mental.

Melina analisa o homem por um longo tempo, e isso a faz perceber o quão alto ele é. Ela olha para o corpo dele novamente, só para confirmar seu veredito.

É, ele é alto, mas não tem músculos proeminentes., pensa ela.

Porém, quando nota que o cara está se movimentando, trata de voltar a atenção para o rosto dele. Mas ao constatar que é o homem do bar, sente vontade de dar meia volta. Contudo, ao lembrar que terá Sávio e Miranda para enfrentar. Além de explicar o porquê de sua covardia, será motivo de uma piada para vida inteira.

Droga, cara! Você não tem outra mulher para salvar pedindo bebida, não?, murmura ela mentalmente.

Melina fica tão imersa no rapaz, que nem nota a cadeira a sua frente. Ao passar quase a leva consigo, não derrubando por pouco a moça que estava nela.

Mil perdões, moça — pede Melina ligeiramente, sentindo o rosto esquentar rápido.

A mulher estreita os olhos para ela e Melina lhe dá um sorriso amarelo.

Juro, foi sem querer!

Tá, desculpada! — retruca a moça grosseiramente, voltando a atenção para as pessoas junto a ela.

Ótimo! O que mais pode piorar essa noite?, questiona-se retoricamente.

Quando Melina volta a atenção para frente, se depara com o desconhecido a observando. Ela suspira exausta, diminuindo os passos. O rapaz, por sua vez, ostenta um sorriso confiante e nos olhos dele há um brilho incomum. Devagar o cara retira a mão do bolso e passa em sua barba por fazer um par de vezes.

Se tivesse falado que precisava de ajuda Melina, tinha te buscado em sua mesa — provoca ele forçando seriedade, mas falhando ao rir no final.

A piada infame dele, gera em Melina um pico de energia que ela precisava.

Vai a merda! — ela murmura, ao me aproximar bem dele.

Micael solta uma gargalhada alta, que atrai a atenção dos clientes mais próximos.

Amo as esquentadinhas, pensou ele.

Você é sempre assim, tão meiga e doce com todos? — provoca ele, se curvando um pouco para aproximar o rosto do dela.

Por ficar tão perto dele, faz Melina sentir-se desconfortável e com vontade de recuar. Mas para não sair por baixo, ela pensa rápido numa resposta. Ao estar com as palavras na ponta da língua, sorri para ele confiante. Sem tirar os olhos dos dele, inspiro profundamente, sentido o seu perfume marcante de aroma amadeirado se fundindo ao seu hálito de cerveja em meu nariz.

Contudo, ao abrir a boca, vejo com o canto dos olhos uma movimentação, o que chama a atenção dela. Rapidamente Melina quebra o contato visual com Micael e olha para palco ao lado. E se depara com o senhor que falou minutos atrás próximo a eles.

Micael, não dá pra segurar mais! Você vai subir ou não? — falou o apresentador com demasiada pressa e certa irritabilidade.

Vou sim, Vicente. Minha dupla já chegou — respondeu Micael, encarando Vicente por um segundo ou dois.

Vicente, por sua vez, dá uma risadinha e uma piscadela para Micael antes perguntar.

Qual vai ser a música?

É ela quem tá no comando — diz Micael, erguendo as mãos por um curto tempo.

Ligeiramente os dois rapazes estão com sua atenção focadas em Melina e com os olhos cheios de expectativas.

Ele ou eu, do Dilsinho— Melina respondeu, arrancando uma risada de Vicente.

O apresentador e Micael voltam a se encarar novamente, ambos com largo sorriso no rosto. Micael balança a cabeça em concordância e logo em seguida Vicente se afasta.

Observar tal conversa, me deixa preocupada. Uma vez que, claramente há algo rolando e eu estou por fora.

Ai que ódio!, bufa ela.

Hum! Pagodeira, eu devia ter adivinhado — resmunga Micael, a fitando por um mero segundo e então volta a atenção para o palco.

As palavras, ”há algum problema nisso”, chegam rápido a língua de Melina. Mas, o nervosismo dela a impede de fazer tal pergunta.

Ao voltar minha atenção para Vicente, o vejo fazer um sinal sutil para subirmos no palco. Micael agarra instantaneamente a mão de Melina e a puxa de leve em direção às escadas na lateral do palco. Com o coração quase saltando para fora do peito, ela segue ele mesmo querendo fugir na direção oposta.

Logo que estão sob os holofotes, alguns na plateia solta gritinhos, outros assovios e tem quem só aplaude.

Tamanha expectativa dos clientes, deixar Melina com vontade de se esconder atrás do Micael. Mas antes que ela consiga fazer, Vicente já está perto deles com dois microfones nas mãos. Micael, logo pega ambos e passa para Melina um enquanto o apresentador se afasta. Ao olhar para os clientes e Melina entrar numa crise de pânico. Porém, quando ela sente o toque gentil de Micael na região da cintura, volta a atenção para ele. Assim que os olhares se encontram, ele dá uma piscadela. O que a deixa minimamente calma, por uma razão que ela não compreende.

Mas, quando vê ele levar o microfone até os lábios, é que ela nota os acordes da canção reverberando pelo recinto. Antes que Melina tenha chance de lembrar da letra, a voz de Micael ressoa em perfeita harmonia com a música. A voz dele é levemente rouca e extremamente afinada, deixando Melina admirada. O público vai ao delírio a cada palavra cantada por ele.

Quem é você, Micael?, questiona-se ela.

Micael belisca suavemente a cintura dela, lembrando-a de maneira gentil de que ela tem que cantar também. Para se esquivar da situação embaraçosa, Melina fixa os olhos em Micael e leva o microfone perto da boca. A voz dela comparada a dele, quase não pode ser ouvida. Mas devido ao sorriso que ele me dá, ela tem certeza que os ouvidos aguçados dele captaram a voz dela.

Ele se afasta dela alguns centímetros e fica de frente pra plateia. O pessoal que sabe a canção de cor, faz um coral quando Micael aponta o microfone na direção deles.

Mas não passa uma noite em casa. Barzinho, resenha. Se já 'tá com outro cara…

De surpresa, Micael volta sua atenção para Melina e deixar ela continuar a cantar sozinha a próxima frase. A voz dela sai bem desafinada, embora ela se esforce para soar harmônica.

Quando ele torna a se aproximar, tem um sorriso travesso no rosto. Ele umedece os lábios com a língua. A intensidade do olhar de Micael, desperta nela um certo frio na barriga. E por um segundo, ela esquece de cantar e foca só em respirar. Quando está perto do refrão, Micael ergue meu queixo, fixando olhos nos dela.

Quem é seu amor, ele ou eu? Fala na minha cara agora. Tudo que a gente viveu. Foi de verdade ou da boca pra fora?

Assim que ele termina de falar a última palavra, afasta o microfone dos lábios, ostentando um semblante vitorioso. Então falo bem pausadamente para que ele possa fazer leitura labial:filho da mãe.

Ele volta a cantar, se afastando de mim, com a alegria estampada na cara. Durante o restante da apresentação, Micael fica me provocando. A maioria das vezes é com versos específicos da música. Mas também tem olhares que são provocativos. E as que mais odeio são as aproximações repentinas cheio de afeto.

Quando a tortura de Melina acaba, Micael é ovacionado. Ele olha para ela e dá de ombros. Melina apenas revira os olhos em resposta. Assim que Vicente se aproxima, ela entrega o microfone e se apressa em sair dali.

Valeu! — Melina escutou Micael falar, antes de descer do palco.

Ela está quase chegando na área das mesas, quando Micael chama.

Melina!

Ela para no mesmo instante e bufa irritada.

Oi — disse Melina, passando as mãos pelos seus cabelos e se virando para fitá-lo.

Você não tá esquecendo de nada, não? — questiona ele de forma petulante, cruzando os braços.

Não é assim que ele quer que eu beije ele, né?, pensa ela com pavor.

Não! — respondo na mesma entonação.

Sério? — Micael devolveu com o rosto iluminado pela diversão. — Me foi dito algo sobre eu ter direito a sentar na sua mesa, caso tivesse a aprovação do público.

É gatinha, não vai se livrar de mim tão fácil assim, pensou ele.

Desculpa, você falou alguma coisa? — provocou Micael, tripudiando de Melina.

Eu esqueci disso completamente.

Ainda bem que te lembrei, né? — rebateu Micael, mordendo o lábio inferior para visivelmente conter o riso.

Um Tour Quase Perfeito

Sinopse

Melina Magalhães é uma jovem de 20 anos que agarrou a oportunidade de mudar de bairro, de rotina — e de vida. Novos ares trazem novas amizades, amores inesperados… e problemas indesejados. Em uma noite, Melina conhece Micael, um músico talentoso que desperta tudo aquilo que Melina não desejava: sentimentos reais. Mas como nem tudo fica onde deveria, fantasmas do passado batem à porta, fazendo Melina tropeçar entre o presente e o passado. Entre beijos escondidos, guerras silenciosas e acordos perigosos, em quem se pode confiar? Um Tour Quase Perfeito é cheio de intrigas e paixões que gritam mais alto que a razão. Porque às vezes, o tour dos sonhos torna-se um verdadeiro campo de batalha — e é aí que o coração mostra pra onde quer ir.

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978652073206637261941802
Formato
16 × 23 cm
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