Universo da obra
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COMMANDO EM CHEFE DE TODAS AS FORÇAS BRASILEIRAS EM OPERAÇÕES NA REPUBLICA DO PARAGUAY Quartel-general em Luque, 16 de Abril de 1869
Nomeado por decreto imperial de 22 de Março proximo passado commandante em chefe de todas as forças brasileiras em operações contra o governo do Paraguay, assumo neste dia tão espinhoso cargo.
Nas heroicas tropas que se achão reunidas sob o meu commando tem posto o Brasil suas mais caras esperanças. Cabe-nos por um ultimo esforço conseguir plenamente o .fim que pôz á nação brasileira as armas na mão, restituir á nossa querida patria a paz e a segurança indispensáveis ao pleno desenvolvimento de sua prosperidade.
Tendo em mente tão sagrados objectos, cada um de nós cumprirá sempre seu dever. Volta hoje o anniversario do dia em que, guiado por um general de inexcedivel heroismo, effectuastes, em presença do inimigo, uma das mais atrevidas operações militares.
As innumeras provas de bravura e de resignação que, depois como antes deste dia sempre memorável, têm dado o exercito, a armada, os voluntarios da patria e a guarda nacional, têm feito brilhar as armas brasileiras de uma gloria immorredoura.
O Deus dos exércitos não ha de permittir que seja perdido o fructo de tantos sacrifícios e de tanta perseverança. Elle coroará mais uma vez os nossos esforços e os de nossos leaes alliados : um triumpho definitivo firmará em quatro nações os benefícios da paz e da liberdade; e victoriosos tornaremos a ver o céo ameno da patria.
Camaradas ! Prompto me achareis sempre a advogar perante os poderes do Estado os vossos legitimos direitos. Obrigado, quando menos o esperava, a vir tomar o lugar dos genaraes cuja experiência vos tem conduzido por entre as provanças de uma prolongada guerra, confio que encontrarei em cada um de vós a mais cordial cooperação.
Ella me habilitará a cumprir com todas as obrigações da árdua commissão que me tem imposto minha entranhada dedicação á grandeza do Brasil. Viva a nação brasileira ! Viva Sua Magestade o Imperador!
Vivão os nossos aluados! Gastão de Orleans, Commandante em chefe.
COMMANDO EM CHEFE DE TODAS AS FORÇAS BRASILEIRAS EM OPERAÇÕES NA REPUBLICA DO PARAGUAY Quartel-general em Luque, 17 de Abril de 1869
Sua Alteza o Sr. principe marechal do exercito e commandante em chefe manda publicar, para conhecimento do exercito e sua devida execução, as disposições e occurrencias abaixo tramscriptas.
Por aviso do ministério da marinha forão nomeados os Srs. : Capitão de fragata João Mendes Salgado, para secretario e ajudante de ordens junto a este commando na parte naval. Cirurgião-mór de divisão Dr. J. Ribeiro de Almeida para ficar ás ordens do mesmo commando.
Nomeações Dos Exms. Srs. : Tenente general Visconde do Herval para oommandante do 1.o corpo de exercito, ficando exercendo interinamente este cargo o Exm. Sr. marechal de campo Guilherme Xavier de Souza.
Temente general Polydoro da Fonseca Quántanilha Jordão para commandante do 2.o corpo. Brigadeiro Salustiano Jeronymo dos Reis para commandante da l.a divisão de infantaria. Dito José Auto da Silva Guimarães para commandante da 2.a divisão da mesma arma.
Dito João Manoel Menna Barreto para commandante da 1.a divisão de cavallaria. Dito José Antônio Corrêa da Câmara para commandante da 2.a divisão da mesma arma. Dito Vasco Alves Pereira para commandante da 3.a divisão da mesma arma.
Coronel Carlos Eduardo Cabral Deschamps para intendente das repartições fiscaes do exercito. Dito Dr. Francisco Pinheiro Guimarães para deputado do ajudante general junto a este commando em chefe.
Cirurgião-mór de divisão Dr. José Muniz Cordeiro Gitahy para delegado do chefe do corpo de saúde em Assumpção. Major João de Macedo Pimentel, capitães Benedicto de Almeida Torres, Francisco Joaquim de Almeida Castro e Rodrigo Augusto da Gama e Costa e 2.° tenente Joaquim de Oliveira Fernandes, para ajudantes de ordens deste coinmando.
Capitão do estado-maior de artilharia Jeronymo Francisco Coelho, para servir na secretaria do mesmo commando. Capitão do estado-maior de 1.a classe Catão Augusto dos Santos Roxo, 1.° tenente de engenheiros Guilherme Carlos Lassanee, e dito de artilharia Alfredo d'Escragniolle Taunay, para membros da commissão de engenheiros.
Apresentações Dos Srs. : Chefe do corpo de saúde Dr. Francisco Bonifácio de Abreu, coroneis João do Rego Barros Falcão e Francisco Pinheiro Guimarães, tenente-coronel Antônio Tiburcio Ferreira de Souza, major João de Macedo Pimentel, capitães José Pereira da Graça Júnior, Geraldino Gomes Pacheco, Francisco Joaquim de Almeida Castro, Rodrigo Augusto da Gama e Costa, tenentes Alfredo de Miranda Pinheiro da Cunha, José Maria Marinho, e 2.° dito Joaquim de Oliveira Fernandes, os quaes, tendo se offerecido para de novo prestar seus serviços na actual campanha, apresentárão-se sem haverem concluido o prazo de suas respectivas licenças, pelo que Sua Alteza os manda louvar.
Outrosim, manda Sua Alteza declarar ao exercito que nesta data reassumiu o cargo de chefe do estado-maior o brigadeiro João de Souza da Fonseca Costa, por ter regressado do Brasil, para onde havia seguido, em virtude de ordem de S. Ex. o Sr. Duque de Caxias.
O brigadeiro JOÃO DE SOUZA DA FONSECA COSTA. Chefe do estado-maior.
COMMANDO EM CHEFE DE TODAS AS FORÇAS BRASILEIRAS EM OPERAÇÕES NA REPUBLICA DO PARAQUAY Acampamento em marcha. Quartel-general em Pirayú, 2 de
As forças sob o commando de S. Ex. o Sr. general José Gomes Portinho acabão de juntar algumas paginas brilhantes á historia desta guerra. Pouco mais de mil homens das tres armas atravessarão o Paraná, e, vencendo diffiouldades de toda espécie, banhados inimensos, rios caudalosos e defendidos, terrenos atoladiços, florestas seculares, emmaranhadas e cheias de armadilhas, fizerão tremular no coração do Paraguay o pendão auri-verde, symbolo redemptor para milhares de entes inoffensivos, que, arrancados do poder do dictador e restituidos a seus lares, bemdizem fervorosamente os seus libertadores.
O inimigo mais de uma vez procurou em vão embargar-lhes o passo; mas reunidas as forças de Romero á guarnição de Juty e ás tropas de Bernal, cobrou elle alguma confiança e approximou-se demais da nossa pequena, porém valente columna. Quando quiz fugirlhe era tarde: a sua retaguarda, depois de um combate de algumas horas, feita em pedaços e deixando no campo 120 rnortos e 20 prisioneiros, fugiu em debandada pelos matos, sem duvida levando grande numero de feridas.
O resto das forças inimigas escapou ao nosso ferro, graças á natureza do terreno, á precipitação da retirada e á approximação da noite. A colmaria de Aguapey fez pois tudo quando della era de esperar, e Sua Alteza o Sr. Príncipe marechal de exercito e commandante em chefe a manda muito louvar pela sua coragem e resignação no meio de tantas provanças, e congratula-se com seu digno chefe o bravo brigadeiro Portinho, por ter elle tido mais esta occasião de provar a sua perícia, intrepidez e energia.
Para que o exercito tenha conhecimento de todos os incidentes dessa bem dirigida expedição, Sua Alteza manda publicar a parte dada por S. Ex. o Sr. general Pertinho : Serenissimo Senhor. — Permitia Vossa Alteza que antes de descrever as importantes occurrencias dos cinco a seis dias que precederão á transposição da columna de meu commando no Tebiçuary e no Jará-passo, eu passe uma vista retrospectiva por todos os acontecimentos desde minha passagem nos passos de Itapua e Candelária no Paraná.
Consumidos vinte e cinco dias na passagem do Paraná, trabalhando-se dia e noite sob a pressão do estorvo serio das freqüentes chuvas havidas neste período, somente pude começar a incursão no território paraguayo em direcção a Juty no dia 22 de Junho.
Percorrendo deste então em diante uma extensão de dezeseis leguas, mais ou menos, de caminhos quasi intransitáveis, cortados de innumeros arroyos, extensas banhados, atoleiros e muitos esteiros de mais de legua, consegui fazer chegar a minha vanguarda, que sempre foi commandada pelo intrépido tenente-coronel Serafim Corrêa de Barros, ao passo de Juty no Tebiquary no dia 28 do citado mez, tendo ella sempre desbaratado todas as pequenas guardas o descobertas que encontrara nesse trajecto. No dia 29 aparentando o inimigo, em força de quasi 300 homens, oppôr resistência á passagem das forças do meu commando, ao clarear do dia, fiz assestar a artilharia no passo, e logo aos primeiros tiros vi fugir a guarnição inimiga, apezar das fortificações que preparara. Ordenei então a passagem que consumiu tres dias e meio porque o rio estava campo fora com nado de mais de 70 braças, e durante esta operação fiz seguir o já mencionado tenentecoronel a descobrir o inimigo no passo do rio Piraporarú.
O commandante da vanguarda em cumprimento das minhas ordens passou pelo povo de Juty que encontrou abandonado, achando alli porção de milho e alguns surrões de feijão e arroz, e depois seguiu para o passo onde não pôde chegar porque o inimigo em força de 200 homens defendia a boca da longa picada por onde se vai a elle: ahi guerrilhou fortemente com elle, fazendo dous prisioneiros, tres mortos e alguns feridos que conseguirão escapar, e retirou-se para as proximidades do povo á espera de novas ordens.
Entretanto fez seguir 50 homens commandados pelo capitão Manoel Fragoso de Almeida, levando por vaqueano o alferes
Moura, para o passo Capivary, á distancia de nove leguas, afim de vêr se estorvava a retirada forçada das famílias de Juty e seus approches. Em virtude da resistência que o inimigo oppunha na picada, fiz seguir o major João da Gama Bentes Juvenis com uma ala do 12.° batalhão de infantaria, afim: de que o commandante da vanguarda pudesse assenhorear-se do passo, o que de facto conseguiu sem grande esforço, apoderando-se na picada e passo de vinte e tantas carretas e grande numero de famílias, que eu fiz seguir para os seus lares. Ao passo que occorria o que levo dito, o capitão Fragoso voltava de sua excursão, tendo estorvado a retirada de duas a tres mil almas, e aprisionado todos os indivíduos que dirigião a retirada dellas.
O inimigo do outro lado ainda pretendeu difficultar-me a marcha, apparecendo em maiores forças por ter-se reunido á guamição de Juty, as forças do major Romero, tudo em numero de 1.300 homens, segundo as declarações das familias, passados e prisioneiros.
Mandando eu proceder a um reconhecimento por meio da artilharia assestada na margem esquerda, e de canoas que devassarão toda a margem opposta, me dispuz a passar no dia seguinte, 8 de Julho. Ao clarear do dia começou a passagem pela infantaria sob a protecção da artilharia, que bombardeava vivamente os matos da margem direita.
O inimigo com o reconhecimento feito se pôz em retirada com as familias e saques que fizera aos particulares em Juty e seus contornos, deixando apenas uma guarda de 100 homens, que internando-se pelos matos, fugiu, logo que começou o embarque da infantaria.
A escassez dos meios de passagem de que eu disponlio, e ainda mais a enorme largura do rio, que seria seguramente de 150 braças, proveniente das muitas chuvas que tem havidoi, não me permittirão fazer passar promptamente forças de ca-vallaria sufficientes, que pudessem demorar a marcha do inimigo, o que consegui no dia 13, com a marcha de minha vanguarda, depois de ter o campo em completo estado de segurança.
A actividade e o valor do tenente-coronel Serafim fizerão que o inimigo nesse mesmo dia fosse encontrado a cinco leguas de distancia, e acompanhado no dia seguinte á distancia maior de duas leguas, adiante de Chaves-Cuê, onde elle, como já disse, que era de força de 1.300 homens, recebeu recursos vindos de Ascurra, que se compunhão de um batalhão de infantaria, um regimento de cavallaria a pé e dous canhões; ao mando do major Vernal, os quaes, reunidos aos tres que já tinha, formarão um parque de cinco peças. Desse lugar o inimigo retrocedeu, sempre flanqueado pela vanguarda, que o inquietava incessantemente, apezar do vivo fogo de fuzilaria e metralha que soffria Commuinicando-me logo o tenente-coronel o que se passava me puz em marcha ao encontro do inimigo no dia 14 á tarde e acampei em Rolan-cuê, ás 5 horas da tarde, onde me preparei para recebel-o, pois que pela violencia de sua marcha elle deveria chegar a este campo pouco depois de mim.
Com effeito ás 10 horas da noite os meus piquetes avançados de um quarto de légua, forão por elle inquietados na boca da picada em que estava estabelecido. No dia seguinte, vendo eu que o inimigo não se dispunha a combater, levantei campo e procurei contornal-o nas duas picadas em que elle se achava e onde lhe convinha que se desse o combate.
Flanqueada com alguma difficuldade a primeira picada, reconheci não dever proseguir porque teria de flanquear a segunda de grande extensão, margeando a tiro de pistola o mato, porque esteiros intransitáveis me estorvavão uma marcha mais afastada, e por isso dispuz-me a esperal-o ahi ainda por um dia antes de tomar a direcção que, pelas ultimas ordens de Vossa Alteza, vai tendo a minha marcha.
Não procurei desalojar o inimigo das picadas, porque ahi, a principal arma da minha columna, em força, não podia operar com vantagem, entretanto que o inimigo, dispondo do triplo da infantaria que ella tem e do mesmo numero de canhões, poderia esterilisar os meus esforços.
No dia 16, pelas 3 horas da tarde, tendo, pela manhã mandado construir pelo capitão Francisco José Teixeira Júnior, engenheiro desta divisão, uma ponte no arroio Cambahy, de largura de 55 palmos, marchei para o campo vizinho deste arroio em distancia de légua e meia do campo inimigo, e passei pela frente no dia seguinte, proseguindo na marcha em direcção a este passo, onde cheguei no dia 20 á 1 hora da tarde.
Duas horas depois de estar estabelecido meu campo, o inimigo que me acompanhara flanqueando pela direita sob a protecção de banhados invadiaveis, chegou aos meus piquetes, onde encontrando logo viva resistencia, soffreu algumas perdas de officiaes e praças, sendo um dos officiaes o capitão Rojas.
Retirando o piquete tiroteando-o, vi-o estabelecer-se em batalha adiante de um passo distante do meu acampamento um quarto de legua. Logo que tive conhecimento disto, adiantei algumas forças das tres armas e fiz um reconhecimento á viva força, não dando logo combate porque a noite se aproximava e o inimigo estava completamente abrigado e coberto pelos matos. Ao clarear do dia fui prevenido de que o inimigo come-
çára a sua retirada, protegido pela direita por expessos matos de seguimento de mais de légua e pela esquerda de esteiros, banhados e passos máos. Puz logo todas as forças em marcha, e fui ao encontro delle, encontrando a minha vanguarda tiro-teando a sua retaguarda que se achava a menos de meia légua do meu campo, onde empenhei-me em combate com elle até o passo Barê-Cuê, á distancia de mais de legua do meu acampamento, onde elle previamente se estabelecera para proteger a sua retirada.
No primeiro encontro empenhei seriamente forças das tres armas para desbaratar a linha de batalha que formara a retaguarda do inimigo, composta de dous batalhões de infantaria, duas peças de artilharia e um esquadrão de cavallaria.
Conseguindo desbaratar esta linha no espaço de duas horas de fogo, fiz depois carregar grandes forças de cavallaria sobre ella, que se retirava procurando sempre formar quadrado ou reunir-se em massas apoiadas no cordão de matos que borda a estrada por onde avançamos.
Por varias vezes estas massas forão desmanteladas pelas valorosas cargas da nossa cavallaria, e o inimigo procurava então abrigo nos matos, onde foi sempre inquietado, desalojado e afinal perseguido pela nossa infantaria.
Emquanto se desbaratava esta força cortada, empenhei-me em batalha no passo mencionado, hostilisando ahi o inimigo por espaço de tres horas, sendo a distancia que nos separava de dous terços do alcance da metralha dos meus canhões. Das columnas cortadas poucos puderão escapar-se pelo mato e sahir pela direita a reunir-se aos seus.
O mato pela direita do inimigo e o esteiro invadiavel pela esquerda tornarão-me impossivel conseguir contornar a sua posição, apezar dos vários ensaios feitos pela cavallaria. Além destes obstáculos o inimigo mascarava a sua frente de batalha, no passo, com dous capões de matos que tornavão a sua posição difficil de ser abordada, por ser pouca a infantaria de que dispunha, e estar toda a cavalhada já quasi cançada por ter estado montada toda a noite e ter batalhado na extensão de mais de legua de esteiros, onde a nossa artilharia, apezar de ser morada a bois, teve um canhão atolado, que não pôde ser assestado em tempo.
Não obstante estas difficuldades, o batalhão 12.° de infantaria numca se fez esperar em occasião opportuna, tornando-se por isso digno de menção especial entre as outras armas. Estas razões e a hora adiantada da tarde me obrigarão a retirar para o meu campo, onde eu deixara, para poder mover-me rapidamente, todas as bagagens, muita munição de reserva, a cavalhada e boiada sob a guarda do 6.° corpo de cavallaria commandado pelo * tenente-coronel Tiburcio Alvares de Siqueira Fortes, e major Gabriel Gomes Porto, assistente do deputado do quartel mestre general, que organizou um esquadrão dos bagageiros, camaradas e cavalheiriços.
Este movimento começou ás duas horas da tarde, e na maior ordem possivel, sem que o inimigo adiantasse ao menos uma linha de atiradores, pela protecção efficaz que fiz prestar á cavallaria.
Fora do alcance da artilharia demorei-me tres quartos de hora para acoommodar os feridos e verificar os estragos do inimigo. Dirigindo-me então ao meu campo fiz conduzir todas as bagagens e reservas para o passo Jará, a meia legua de distancia, e preparei-me para no dia seguinte atacar de novo o inimigo.
Infelizmente, porém, elle não deu occasião a um novo encontro, porque retirou-se durante a noite. O inimigo, apezar de procurar-me perto do passo, patenteou claramente querer evitar encontro em grande, e sim hostilizar-me só quando eu estivesse procedendo á passagem das forças. A sua retirada foi tão precipitada que apenas enterrou alguns de seus mortos, e ao clarear do dia se achava a mais de duas léguas do lugar do combate, como foi verificado pela força que o mandei descobrir.
Dez mortos e cincoenta e sete feridos e confusas forão as nossas perdas; sendo as conhecidas do inimigo cento e vinte e tantos mortos encontrados no campo e vinte e tantos prisioneiros, que me referem ter sido grande o numero de feridos que tiverão, principalmente no passo Barê-cuê, onde a nossa artilharia só jogou efficazmente a metralha.
Com satisfação passo a declarar os nomes dos chefes e officiaes que pelo seu valor e empenho mais me coadjuvárão no alcance do triuimpho, que deixo descripto, pedindo a Vossa Alteza a leitura e apreciação das partes juntas, por não me ser possivel tratar de todos.
O coronel Antônio de Mascarenhas Camello Júnior, commandante da 5.a brigada de cavallaria, portou-se com sangue frio e coragem, cotnservando-se na frente do 3.° corpo que protegia, a artilharia e infantaria em um flanco, onde depois se lhe reuniu o 1.° corpo até o fim do combate, soffrendo elles nessa posição vivo fogo de artilharia e fuzilaria.
O tenente-coronel José Bernardes Fagundes, commandante interino da 9.a brigada, á frente de seu estado-maior, carregou com o corpo 24.° sobre os batalhões inimigos, com todo o valor e denodo, dando edificante exemplo a seus commandados.
O tenente-coronel Serafim Corrêa de Barros, á frente do l-°
corpo de seu commando, com intrepidez e galhardia carregou por vezes sobre o inimigo, rompendo sempre as massas e desmantelando os quadrados que procuravão formar. O tenente-coronel José Gabriel de Lima, commandante do 3.° corpo, com bravura e enthusiasmo á frente de um esquadrão carregou sobre o inimigo em protecção ao 1.° corpo. Os majores de artilharia Ernesto Augusto da Cunha Mattos, e João da Gania Bentes Juvenis, o 1.° commandante e o 2.° fiscal do 12.° batalhão de infantaria, por sua pericia e inexoedivel valor confirmarão ainda esta vez os foros de bravos, que com justiça gozão no exercito. O capitão da bateria de artilharia Francisco Raymundo d'Ewerton Quadros se recommendou pelo seu valor e sangue frio.
O major da guarda nacional Francisco Pedro Sertorio Leite, assistente do deputado do ajudante-general, os capitães Antônio Euizebio da Fontoura e Jeronymo Pinheiro de Ulhôa Cintra, ajudantes de campo e de ordens, os tenentes Bento de Mascarenhas Carvalho, e Ismael Alves de Almeida, escripturarios, o capitão José Propicio da Fontoura, e alferes Fileno Cândido de Moraes, servindo junto a mim, e o 1.° sargento João Leopoldo Bilo, amanuense da repartição do ajudante-general, bem souberão cumprir os seus deveres, conservando sempre sangue frio, e transmittindo com intelligencia e valor as minhas ordens nos lugares, onde mais renhido era o combate.
O Dr. Manoel Caetano de Mattos Rodrigues, pela sua pericia e caridade no tratamento dos feridos, tornou-se digno de muita consideração. Faço especial menção do engenheiro capitão Francisco José Teixeira Júnior, pelo valor com que se portou durante o combate, levando as minhas ordens á cavallaria, infantaria e artilharia, e assistindo mesmo a algumas das cargas de cavallaria sobre as forças inimigas, por esta razão o recommendo a Vossa Alteza.
Deus Guarde a Vossa Alteza. — Acampamento da 4.a divisão na margem esquerda do Tebiquary, no Jará-passo, 24 de Julho de 1869.
— Á Sua Alteza o Senhor Principe, Conde d'Eu, marechal de exercito e commandante em chefe. — José Gomes Portinho, brigadeiro honorario. O brigadeiro JOSÉ' LUIZ MENNA BARRETO. Chefe interino do estado-maior.
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