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A Cachoeira de Paulo Afonso

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A Cachoeira de Paulo Afonso

Capítulo 13 · A Cachoeira de Paulo Afonso

Mudo e quedo

13 de 31 ≈ 3 min de leitura

E calado ficou... De pranto as bagas

Pelo moreno rosto deslizaram,

qual da braúna, que o machado fere,

Lágrimas saltam de um sabor amargo.

Mudos, quedos os dois neste momento

Mergulhavam no dédalo d'angústia,

No labirinto escuro que desgraça...

Labirinto sem luz, sem ar, sem fio...

Que dor, que drama torvo de agonias

Não vai naquelas almas!... Dor sombria

De ver quebrado aquele amor tão santo,

De lembrar que o passado está passado...,

Que a esperança morreu, que surge a morte!...

Tanta ilusão!... tanta carícia meiga!...

Tanto castelo de ventura feito

À beira do riacho, ou na campanha!...

Tanto êxtase inocente de amorosos!...

Tanto beijo na porta da choupana,

Quando a lua invejosa no infinito

Com uma bênção de luz sagrava os noivos!...

Não mais! não mais! O raio, quando esgalha

O ipê secular, atira ao longe

Flores, que há pouco se beijavam n'hástea,

Que unidas nascem, juntas viver pensam,

E que jamais na terra hão de encontrar-se!

_______________

Passou-se muito tempo... Rio abaixo

A canoa corria ao tom das vagas.

De repente ele ergueu-se hirto, severo,

— O olhar em fogo, o riso convulsivo —

Em golfadas lançando a voz do peito!...

"Maria! — diz-me tudo... Fala! fala

Enquanto eu posso ouvir... Criança, escuta!

Não vês o rio?... é negro!... é um leito fundo...

A correnteza, estrepitando, arrasta

Uma palmeira, quanto mais um homem!...

Pois bem! Do seio túrgido do abismo

Há de romper a maldição do morto;

Depois o meu cadáver negro, lívido,

Irá seguindo a esteira da canoa

Pedir-te inda que fales, desgraçada,

Que ao morto digas o que ao vivo ocultas!..."

Era tremenda aquela dor selvagem,

Que rebentava enfim, partindo os diques

Na fúria desmedida!...

Em meio às ondas

Ia Lucas rolar

Um grito fraco,

Uma trêmula mão susteve o escravo...

E a pálida criança, desvairada,

Aos pés caiu-lhe a desfazer-se em pranto.

Ela encostou-se ao peito do selvagem

— Como a violeta, as faces escondendo

Sob a chuva noturna dos cabelos — !

Lenta e sombria após contou destarte

A treda história desse tredo crime!...

A Cachoeira de Paulo Afonso

Sinopse

A Cachoeira de Paulo Afonso, de Castro Alves, é uma obra poética clássica brasileira em domínio público disponível gratuitamente no Literunico para leitura online em HTML. Esta edição digital organiza 31 capítulos com fonte pública validável na Wikisource, capítulos publicados, espelhos de conteúdo completos e metadados preparados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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A Cachoeira de Paulo Afonso

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