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Crisálidas

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Crisálidas

Capítulo 11 · Crisálidas

Quinze Anos

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Quinze Anos 13 (1860)

Oh! la fleur de l’Eden, pourquoi l’as-tu fannée, Insouciant enfant, belle Eve aux blonds cheveux? ALFRED DE MUSSET

Era uma pobre criança... – Pobre criança, se o eras! – Entre as quinze primaveras De sua vida cansada Nem uma flor de esperança Abria a medo. Eram rosas Que a doida da esperdiçada Tão festivas, tão formosas, Desfolhava pelo chão. – Pobre criança, se o eras! – Os carinhos mal gozados Eram por todos comprados, Que os afetos de sua alma Havia-os levado à feira, Onde vendera sem pena Até a ilusão primeira Do seu doido coração!

Pouco antes, a candura, Co’as brancas asas abertas, Em um berço de ventura A criança acalentava Na santa paz do Senhor; Para acordá-la era cedo, E a pobre ainda dormia Naquele mudo segredo Que só abre o seio um dia Para dar entrada a amor.

Mas, por teu mal, acordaste! Junto do berço passou-te A festiva melodia Da sedução... e acordou-te! Colhendo as límpidas asas, O anjo que te velava Nas mãos trêmulas e frias Fechou o rosto... chorava!

Tu, na sede dos amores, Colheste todas as flores Que nas orlas do caminho Foste encontrando ao passar; Por elas, um só espinho Não te feriu... vás andando... Corre, criança, até quando Fores forçada a parar!

Então, desflorada a alma De tanta ilusão, perdida Aquela primeira calma Do teu sono de pureza; Esfolhadas, uma a uma, Essas rosas de beleza Que se esvaem como a escuma Que a vaga cospe na praia E que por si se desfaz;

Então, quando nos teus olhos Uma lágrima buscares, E secos, secos de febre, Uma só não encontrares Das que em meio das angústias São um consolo e uma paz;

Então, quando o frio espectro Do abandono e da penúria Vier aos teus sofrimentos Juntar a última injúria: E que não vires ao lado Um rosto, um olhar amigo Daqueles que são agora Os desvelados contigo;

Criança, verás o engano E o erro dos sonhos teus; E dirás, — então já tarde, — Que por tais gozos não vale Deixar os braços de Deus.

Crisálidas

Sinopse

Primeiro livro de poesia de Machado de Assis em domínio público, publicado no Aurora a partir de fonte digital consolidada com referência à Biblioteca Nacional.

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