Universo da obra
Universo da obra
Fiz promessa, dizendo-te que um dia Eu iria pedir-te o meu perdão; Era dever ir abraçar primeiro A minha doce e última afeição.
E quando ia apagar tanta saudade Encontrei já fechada a tua porta; Soube que uma recente sepultura Muda fechava a tua fronte morta.
Soube que, após um longo sofrimento, Agravara-se a tua enfermidade; Viva esperança que eu nutria ainda Despedaçou cruel fatalidade.
Vi, apertado de fatais lembranças, A escada que eu subira tão contente; E as paredes, herdeiras do passado, Que vem falar dos mortos ao vivente.
Subi e abri com lágrimas a porta Que ambos abrimos a chorar um dia; E evoquei o fantasma da ventura Que outrora um céu de rosas nos abria
Sentei-me à mesa, onde contigo outrora Em noites belas de verão ceava; 22 Desses amores plácidos e amenos Tudo ao meu triste coração falava.
Fui ao teu camarim, e vi-o ainda Brilhar com o esplendor das mesmas cores; E pousei meu olhar nas porcelanas Onde morriam inda algumas flores...
Vi aberto o piano em que tocavas; Tua morte o deixou mudo e vazio, Como deixa o arbusto sem folhagem, Passando pelo vale, o ardente estio.
Tornei a ver o teu sombrio quarto Onde estava a saudade de outros dias... Um raio iluminava o leito ao fundo Onde, rosa de amor, já não dormias.
As cortinas abri que te amparavam Da luz mortiça da manhã, querida, Para que um raio desposasse um toque De prazer em tua fronte adormecida.
Era ali que, depois da meia-noite, Tanto amor nós sonhávamos outrora; E onde até o raiar da madrugada Ouvíamos bater – hora por hora!
Então olhavas tu a chama ativa Correr ali no lar, como a serpente; É que o sono fugia de teus olhos Onde já te queimava a febre ardente.
Lembras-te agora, nesse mundo novo, Dos gozos desta vida em que passaste? Ouves passar, no túmulo em que dormes, A turba dos festins que acompanhaste?
A insônia, como um verme em flor que murcha, De contínuo essas faces desbotava; E pronta para amores e banquetes Conviva e cortesã te preparava.
Hoje, Maria, entre virentes flores, Dormes em doce e plácido abandono; A tua alma acordou mais bela e pura, E Deus pagou-te o retardado sono.
Pobre mulher! em tua última hora Só um homem tiveste à cabeceira; E apenas dois amigos dos de outrora Foram levar-te à cama derradeira.
Primeiro livro de poesia de Machado de Assis em domínio público, publicado no Aurora a partir de fonte digital consolidada com referência à Biblioteca Nacional.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.