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Dona Guidinha do Poço

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Dona Guidinha do Poço

Capítulo 10 · Dona Guidinha do Poço

Parte I - Capítulo X

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Ao fim do dia, a velha Dona Anginha trocava os seus bilros, e a Guida ponteava o seu labirinto no tear. Desde que o Secundino viera almoçar a velha se metera com ele numa prosa interminável. A Guida intervinha:

— Mãe Anginha, deixe o moço. Ora, já se viu...

E para o hóspede:

— O Senhor não repare estas coisas, não: é costume velho de Mãe Anginha. Quando agarra uma pessoa, quer fazer logo um rol de tudo quanto há. E se é gente que vem de baixo, então...

— Mas, pelo contrário, tenho até muito me aprazido com a conversa da Senhora Dona Ângela. Eu sempre gostei de conversar com os velhos.

— Quem, o Senhor? Não lhe gabo o gosto. É porque não os tem em casa.

— Se tenho! Por lá não se morre. Há um ror de cabeças de algodão.

Guida riu, e largou esta:

— Por lá só se morre de faca...

— E fica-se por cá mesmo, Senhor Secundino? - voltou a velha, no seu compassado falar, como se a Guida não houvera dito nada.

— Pois já não disse? Vou para a vila. O tio Joaquim vai mandar limpar a armação da casa que ele tem lá, que está fechada desde que acabou com o negócio, e eu vou-me estabelecer com as fazendas e miudezas que trouxe.

A Guida, querendo furtá-lo à maçada da velha:

— Já reparou bem nisto por aqui, Senhor Secundino? Já foi ver a cacimba? É aberta na piçarra. Deu um trabalhão a meu avô...

— Então é ainda obra...

— Do princípio do século passado. Hoje o sertanejo não faz nada mais daquilo, vive desanimado. Naquele tempo, sim.

E olharam o campo.

— Este terraço é a melhor sala de trabalho. Ouve-se daqui o que se passa lá fora, vê-se a labutação da cozinha, está-se ao pé da sala de jantar e da dispensa...

— Mas o calor?

— O calor? Agora não faz calor aqui. Mesmo pela seca tem o quintal e estas árvores, que refrescam o ar...

— E quando vai, Senhor Secundino? - tornava a velha novamente.

— Nestes quinze dias, Senhora Dona Ângela, se Deus não mandar o contrário.

— Já viu como é bem feita a renda dela? Não há por aqui rapariga rendeira que se pegue com ela! - proferiu a Guida.

Com ar modesto, a velha, levantando os óculos:

— Esta nem está boa, menina.

E tabaqueou.

Secundino acertara efetivamente as coisas com o tio, que por sua parte se havia entendido com a mulher.

O Silveira partiria para as praias com os cargueiros do Secundino, que voltavam escoteiros.

Dona Guidinha do Poço

Sinopse

Romance regionalista de Manuel de Oliveira Paiva em domínio público, publicado em capítulos no Aurora a partir de fonte consolidada da Wikisource.

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978651247812015317290056
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