Universo da obra
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Nosso Senhor Jesus Cristo Louvado Seja Para Sempre! Amém!
Ele foi preso na quarta-feira, sentenciado na quinta e crucificado na sexta.
E neste mesmo dia de sexta-feira, houve no Céu o julgamento dos carrascos de Nosso Senhor, e logo desceu à Terra o arcanjo S. Miguel com a ordem de castigar aos judeus; e o arcanjo passou essa ordem aos anjos que estavam de guarda à Cruz, onde Nosso Senhor estava pregado e morto.
Enquanto S. Miguel esteve na Terra deixou sobre ela muito brilho da sua couraça de couro e das suas armas, e muita ventania das suas asas de prata.
A gente já nascida estava condenada, pelo pecado de ter maltratado e morto Jesus Cristo. Mas as crianças ainda não nascidas não podiam sofrer castigo, porque não tinham culpa alguma. Porém os anjos da guarda da Cruz não sabiam disso e iam castigá-los da mesma forma, porque o arcanjo S. Miguel esquecera-se de avisar sobre as crianças que nascessem naquela dia, que era justamente o da sentença de Deus.
Por isso, a Virgem Maria, que sabia do esquecimento de S. Miguel, em memória Jesus não deixou os anjos da guarda da Cruz castigarem as crianças nascidas nessa Sexta-feira, e então, para diferenciá-las das outras, fez um milagre: e mandou que a ventania das asas de prata do arcanjo ventasse sobre o olhos dos que fossem nascendo nesse dia santo, e ao brilho das armas de ouro, que brilhasse sobre eles.
E desse jeito todos ficaram assinalados e puderam ser diferenciados dos nascidos na véspera, e bem diferençados, porque podiam ver através a agua até o seu fundo e através as muralhas e montanhas até o outro lado delas, porque tudo ficou transparente para eles.
E como a Virgem Maria não disse que subisse outra vez ao céu a ventania das asas de prata do arcanjo nem o brilho das suas armas de ouro, esse dons ficaram na terra, e em todas as sextas-feiras santas procuram os olhos das crianças recém-nascidas, que então ficam com o dom de ver no escuro e através qualquer parede de pedra, madeira, ou ferro...
Para esses, nada existe escondido ou enterrado que seus olhos não vejam, como os dos outros homens, de dia claro; e isso porque nasceram em sexta-feira santa: os Zaorís...[1]
Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto, é uma obra clássica brasileira em domínio público disponível para leitura gratuita online no Literunico. Esta edição em HTML foi preparada por capítulos para leitura online, busca, redes sociais e pesquisa por IA, com fonte pública validada no Wikisource.
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