Universo da obra
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Skyla
— Corra! — O timbre denso de minha voz a faz despertar do transe e o pavor toma sua face.
— Você está aqui para me matar. — Não foi uma pergunta. A garota sabe qual minha finalidade aqui e, definitivamente, não era a de protegê-la… o que acabo de fazer.
Ela olha para o homem ao chão, praticamente decapitado pelo fio do meu garrote, e então lágrimas brotam de seus olhos cinza-lilases.
— Garota! — Dou um passo à frente, refletindo em um recuo da parte dela. — Eu mandei correr. Fuja!
— Por quê? Por que me protegeu ao invés de…
Mais um passo e eu a alcanço. Seguro com força seus braços finos de um corpo franzino de uma menina que sequer deve ter atingido sua puberdade. Não lhe dou mais do que doze anos. Sua pele tão pálida logo se avermelha onde seguro firme.
— Acho que ainda não entendeu. — Minha voz sai gutural, o que a faz semicerrar seus olhos. — Ficar aqui para tentar entender porque estou te poupando renderá na sua morte. Eu tenho que te matar, mas meu senso de justiça não o fará hoje. Então, garota… Não apareça mais aqui. Não olhe para trás. Não hesite um segundo em se esconder. Ou do contrário, se nossos caminhos se cruzarem novamente, não serei piedoso outra vez.
Destinos se reencontram em extremos do cosmo. Selene. Aquela que nunca se viu pertencente ao mundo e que foi caçada a todo custo em nome da ordem. Inclusive por seu amor puro. Skyla. Aquele que serviu a ordem como a lâmina de uma espada serve ao guerreiro. Ele deveria reestabelecer o equilíbrio, mas... a que preço? Poderia ele ir de encontro aos laços estabelecidos muito antes de qualquer escolha, para atender ordens cruéis disfarçadas de dogmas? E a luta não está em aceitar o que os separa, mas em se reconhecerem e se reafirmarem como protetores e símbolos do mais grandioso poder de toda Aetheris: o amor puro. Quão profundo no abismo você mergulharia para salvar os seus? O céu seria o limite? Ou melhor... o inferno? Em um mundo onde o amor é perigoso e a verdade nunca é o que parece, talvez o inferno não seja tão mau assim. A “Luz da noite” busca por seu “Céu de estrelas” no eclipse onde ambos foram arremessados e, quando se encontrarem no mesmo céu de prata, o destino cobrará seu preço e toda a luz se curvará a escuridão.
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