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Capítulo 1 · A Vitória de Junín

Canto a Bolívar

Nota editorial do Literunico Esta edição apresenta uma versão inicial em português de *La victoria de Junín: Canto a Bolívar*, de José Joaquín de Olmedo, publicada originalmente em 1825. A obra foi escolhida para representar o Equador na Copa do Mundo Literunico por sua força literária, histórica e simbólica, substituindo o hino na curadoria de domínio público.

Canto a Bolívar O trovão horrendo, que explode em fragor

e surdo se dilata pela esfera inflamada,

anuncia o Deus que impera no céu.

E o raio que em Junín rompe e afugenta

a multidão hispana, mais feroz que nunca,

ameaçando a sangue e fogo servidão eterna,

e o canto de vitória que em mil ecos corre,

ensurdecendo o vale profundo

e a cumeada áspera das montanhas,

proclamam Bolívar na terra

árbitro da paz e da guerra.

As soberbas pirâmides que a arte humana

ousou levantar até o céu

para falar aos séculos e às nações,

templos onde mãos escravas

deificavam em pompa seus tiranos,

são ludíbrio do tempo, que com asa frágil

as toca e as derruba ao chão.

Mas os montes sublimes, cuja fronte

se eleva à região etérea,

os Andes, enormes e estupendos,

sentados sobre bases de ouro,

jamais se moverão.

Eles serão eternos arautos

da liberdade e da vitória.

Com eco profundo, dirão à idade última do mundo:

nós vimos Junín; nós vimos o raio

romper a noite da servidão.

Nós vimos a espada libertadora

riscar no horizonte a aurora americana.

E vimos o canto nascer entre os povos,

erguendo nomes, campos, rios e montanhas

à altura da memória.

Ó Bolívar, o poema te encontra

no instante em que a história se inflama.

Não canta apenas um homem,

mas a vontade de um continente.

O sangue derramado pede voz;

a pátria nascente pede destino.

E o poeta, diante dos Andes,

ouve nas pedras, no vento e nos vales

o anúncio de uma América livre.

Não é glória sem sombra,

nem vitória sem preço.

É claridade conquistada contra a noite,

é nome arrancado ao domínio dos tiranos.

Que outros se sentem à mesa dos deuses

e recebam a rama apolínea.

Eu voltarei à flauta conhecida,

livre pelo bosque sombrio,

entre laranjeiras, tamarindos, rosas

e margens de meu rio.

Feliz serei se esta lira,

que cantou em tom humilde

a glória e o destino

do venturoso povo americano,

merecer uma mirada das Graças,

o amor de meus irmãos,

uma sonrisa de minha pátria

e o ódio dos tiranos.

A Vitória de Junín

Sinopse

Versão Literunico em português de A Vitória de Junín: Canto a Bolívar, poema de José Joaquín de Olmedo sobre independência, Andes e destino americano.

A Vitória de Junín

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

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