Universo da obra
Universo da obra
Como o Pardal Fez o Elefante e o Crocodilo PuxaremNa margem do grande rio, onde a mata se inclina para a água e os caminhos dos animais se cruzam no barro, vivia um pardal pequeno, ligeiro e muito satisfeito com a própria cabeça. Não tinha força para derrubar árvores, nem dentes para assustar caçadores, mas sabia ouvir, esperar e falar no momento exato.
Certo dia, o pardal ouviu o elefante vangloriar-se. Dizia que ninguém no mundo podia vencê-lo em força. Com a tromba arrancava ramos, com as patas abria trilhas, e até a terra parecia tremer quando ele passava. Pouco depois, na beira do rio, ouviu o crocodilo dizer quase a mesma coisa: que ninguém o arrastaria para fora da água, pois ali era senhor de mandíbulas, cauda e paciência.
O pardal achou graça. Dois poderosos, cada qual preso ao seu reino, falavam como se o mundo inteiro lhes pertencesse. Então teve uma ideia.
Voou até o elefante e pediu ajuda. Disse que havia amarrado uma corda a um tronco pesado e precisava puxá-lo para longe da água. O elefante, vaidoso, aceitou sem hesitar. O pardal amarrou uma ponta da corda ao corpo do animal e pediu que esperasse seu sinal.
Depois voou até o crocodilo. Contou outra história: havia na margem uma presa difícil, e só a força do crocodilo poderia trazê-la para o rio. Amarrou a outra ponta da corda ao réptil e pediu o mesmo: que puxasse quando ouvisse o chamado.
Quando tudo ficou pronto, o pardal pousou num galho alto e gritou. O elefante puxou para a mata. O crocodilo puxou para o rio. A corda esticou-se como cobra tensa. A lama se abriu sob as patas do elefante; a água espumou em torno do crocodilo. Cada um, sem ver o adversário, pensava enfrentar um peso morto, um tronco, uma presa, alguma coisa sem vontade.
O elefante bufava: nunca vira tronco tão obstinado. O crocodilo batia a cauda: nunca vira caça tão resistente. Puxaram até o cansaço tornar a força ridícula. Quando a corda enfim arrebentou, o elefante caiu para trás na mata e o crocodilo mergulhou de costas no rio.
O pardal, que assistira a tudo do alto, cantou baixinho. Não derrotara nenhum dos dois com músculo, mas fizera ambos conhecerem a medida da própria vaidade. Desde então, dizem os velhos narradores, quem tem muita força deve perguntar primeiro contra quem está puxando. Às vezes, do outro lado da corda, há apenas o orgulho de alguém parecido conosco.
Um conto recolhido em Congo Life and Folklore: a pequena astúcia do pardal coloca dois gigantes, o elefante e o crocodilo, em disputa inútil.
Fonte-base: Project Gutenberg eBook 69558, Congo Life and Folklore, by John H. Weeks
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