Universo da obra
Universo da obra
— Se ele tiver o apoio de vocês todos, quem poderá com ele? Vocês são os milhões; os Tatuíras não passam de centenas. Se sendo tão poucos os Tatuíras dominam e exploram a vocês que são milhões, isso vem duma coisa só: falta de conhecimento por parte de vocês. É que vocês não sabem! E o remédio é um só: procurar saber. No dia em que todos souberem como as coisas são, ah, nesse dia tudo começa a mudar, e em vez da felicidade ficar só com as centenas, passará a ser também dos milhões.
— Mas como a gente há de saber, se cada um diz uma coisa? Jornal eu não leio, mas o Chico Vira lê e outro dia me disse que os jornais andam falando horrores do comunismo.
— Os jornais deles, está claro que dizem horrores. Mas os jornais comunistas, ou do Prestes, esses dizem as coisas do modo diferente. Em que vocês devem acreditar? No que dizem os Tatuiras e os jornais dos Tatuiras, ou no que dizem os homens que querem o bem de vocês, a felicidade de vocês, a segurança de vocês? Os homens que padecem por vocês, como esse Prestes que já passou nove anos no cárcere, incomunicável, só porque em vez de se decidir pela felicidade dos Tatuiras, se decidiu pela felicidade de Zé Brasil?
— Eu estava me parecendo que era assim, mas não tinha a certeza. Agora estou compreendendo muito bem como é a coisa. Estou vendo que o nosso homem é êsse Prestes. E que quem é contra Prestes e seus companheiros, só prova uma coisa: que não quer mudança nenhuma no mundo. Que quer que tudo fique como está.
— E acha justo isso, Zé? Acha justo que tudo fique como está, isto é, uns tendo tudo e a imensa maioria não tendo nada, de nada, de nada?
— Se eu achasse justo isso, eu tinha de dar razão ao coronel Tatuira quando me tocou da grota e se apossou da casa que eu ergui com tanto trabalho e das roças que plantei e estavam tão bonitas. Ora, como é que eu poderei concordar com uma injustiça destas?
Prestes! Prestes!... Por isso é que há tanta gente que morre por êle. Estou compreendendo agora. E' o único homem que quer o nosso bem. O resto, eh, eh, eh! é tudo mais ou menos coronel Tatuira...
Zé Brasil, de Monteiro Lobato, é uma narrativa brasileira publicada em 1947 que revisita o universo rural do autor com forte dimensão social. Esta edição gratuita do Literunico oferece leitura online em capítulos HTML, obra em domínio público, fonte Wikisource validada, capa com identidade Literunico, espelhos completos de conteúdo e metadados reforçados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.