Universo da obra
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— Eu era "agregado" na fazenda do Taquaral. O coronel me deu lá uma grota, fiz minha casinha, derrubei mato, plantei milho e feijão.
— De meias?
— Sim. Metade para o coronel, metade para mim.
— Mas isso dá, Zé?
— Dá para a gente ir morrendo de fome pelo caminho da vida — a gente que trabalha e planta. Para o dono da terra é o melhor negócio do mundo. Êle não faz nada, de nada, de nada. Não fornece nem uma foice, nem um vidrinho de quina para a sezão — mas leva metade da colheita, e metade bem medida — uma metade gorda; a metade que fica com a gente é magra, minguada... E a gente tem de viver com aquilo um ano inteiro, até que chegue tempo de outra colheita.
— Mas como foi o negócio da fazenda do Taquaral?
— Eu era "agregado" lá e ia labutando na grota. Certo ano tudo correu bem e as plantações ficaram a maior das belezas. O coronel passou por lá, viu aquilo — e eu não gostei da cara dele. No dia seguinte me "tocou" de suas terras como quem toca um cachorro; colheu as roças para êle e naquela casinha que eu havia feito, botou o Tótó Urumbeva.
— Mas não há uma lei que...
Zé Brasil deu uma risada. "Lei... Isso é coisa para os ricos. Para os pobres, a lei é a cadeia e se resingar um pouquinho é o chanfalho."
Zé Brasil, de Monteiro Lobato, é uma narrativa brasileira publicada em 1947 que revisita o universo rural do autor com forte dimensão social. Esta edição gratuita do Literunico oferece leitura online em capítulos HTML, obra em domínio público, fonte Wikisource validada, capa com identidade Literunico, espelhos completos de conteúdo e metadados reforçados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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