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Gledson Rogério Viana Raimundo

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LITERÁRIA

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04/0410:26
Livros De Fama
O que de fato torna um livro uma obra inesquecível?Que estratagema será necessário para pôr a obra no panteão dos clássicos?
Alguns atribuem o êxito à boa escrita,isto é,à forma correta no trato com a palavra.Livro que não conta com os bafejos da gramática em cada linha é obra fadada ao fracasso,dizem os puristas.
Então,que é feito de uma Alma Inquieta,de um Sertão,de um Menino Felipe,obras tão refinadas na prosa e cujo regramento gramatical denodado os teria enfiado no rol da imortalidade?
Mas que,ao contrário,só os diletos pesquisadores e bibliófilos ou,quando muito,um curioso de livros antigos hoje se interessam pelos acima citados?
Outros há que enxerguem a fama ou o dinheiro prévios do escritor como determinantes para sua permanência por gerações.
Então,como explicar que autores de boa família e de posses não vingaram nem mesmo entre seus contemporâneos?Onde se meteram o Pássaro Cativo de Tasso da Silveira,a Canaã de Graça Aranha ou as Poesias de Pedro Luís,todos inequívocos personagens importantes da elite brasileira?
Certamente,não seria de fome que morreriam aqueles livros,mas o dinheiro e o prestígio de seus donos também não foram capazes de prolongar suas vidas por mais de uma edição.
Sobram ainda os que se aliam às vanguardas para conceber uma perenidade ao que escrevem.Romper com as modas anteriores é a palavra de ordem.Equeça-se das tradições,subverta-se a linguagem,no lugar dos rebuços que a encobrem de regras gramaticais,de sintaxes inconvenientes,de semânticas irritadiças,deixe-se a escrita desnuda para se vestir daquilo que mais lhe pareça confortável.Diga o que e como o povo fala,e veja se não duram,se não vendem,se não vingam.
Eis aí a fórmula do sucesso.
Assim pensaram os modernistas,mas quem hoje se atreve a dizer do Juca Mulato,do Galo Branco ou do Canto de Angústia,certamente receberá de volta uma careta de estranhamento,mesmo tendo sido obras de importantes expoentes do Modernismo.
Machado de Assis dizia que a vida dos livros é como a dos homens,uns vão aos 20,outros aos 30,mais uns tantos aos 50.A imortalidade seria para poucos.
Portanto,aos que desejam escrever,que escrevam,assim como vivem.Se o tempo e o beneplácito do público ledor decidirem por manter os livros com passar dos anos,a sábia sentença do Bruxo se confirmará.
Caso não,melhor deixar que repousem o sono da eternidade e de lá não sejam despertados.
A não ser que lhe tenham posto na lápide uma epígrafe que valha a lida.
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16/0300:56
— Moça!Ô moça!
—Oi.
—Tem sacolé?
—Tem,sim.
—De que sabor?
—Tá aí na placa.
—Ah tá.Vê um de laranja.Não,um de coco.
—Só um instante.
—Ah,pera.Traz de laranja mesmo.
—Tem certeza?
—Tenho,laranja.
—Ok.
—Quanto é?
—Um real.
—Tá,obrigado.
—Aqui só tem oitenta.
—Ué,será que perdi?
—Olha no bolso,deve estar aí.
—Não tô achando.Acho que perdi mesmo.
—É,acontece.E aí?
—A senhora não dá um desconto?
—Fazer o que,já mordeu e tudo.
—Desculpa,e brigado.
********
—MOÇÁ!!!
—Pois não.
—Vê um de chocolate.
—Ainda não tá pronto.
—Poxa...tem de que pronto?
—Todos os outros.
—Tá,então...quero um de...abacaxi.
—Ok,vou buscar.
—Mas o de chocolate fica pronto que horas?
—Talvez,daqui a uma hora.
—Legal,então vou esperar.Tchau.
********
—Tia!Tem sacolé?
—Tem,menos chocolate,que tá mole ainda.
—Ah,eu queria esse.Tá mole demais?
—Mais uns vinte minutos,e fica pronto.
—Não,deixa,vê um de abacate.Leva leite?
—Todos levam.
—É,porque o sacolé da rua de cima é pura água.
—Aqui pode ter certeza que não.
—Se o chocolate tiver um pouco duro,pode ser ele mesmo.
—Não tá bom ainda.
—Dá assim mesmo.
—Dou mole,depois você reclama.Melhor esperar.
—Abacate,então.Com leite.
********
—Ô moçaaaaaa!
—Ah,é você.Vai querer o chocolate,está pronto.
—Vou né.Mas me disseram que tava mole ainda.
—Isso foi meia hora atrás.Já está bom.
—Espera um pouco,vou ver se minha irmã vai querer também.Guarda dois.
********
—Tia,ela não vai querer não.Dá só um mesmo.
—Você demorou um ano pra voltar,vendi tudo,agora não tem mais de chocolate.
—Poxa,mas pedi pra guardar,era porque eu ia vim.
—Se quiser,tem de leite condensado.
—Não, tava na seca do de chocolate.
—Agora,só amanhã.
—Vou na rua de cima.Lá tem e é mais barato.
*********
—Moça,traz dois sacolés,um de abacate e um de limão.
—E eu?Eu também quero!
—Eu divido o meu com você.
—Não,porque a mãe deu dinheiro pra nós três,eu quero o meu sozinho.
—Cada um te dá um pedaço,aí sobra pra comprar chiclete.
—Não quero pedaço,não quero chiclete.Quero o meu sacolé.
—Não acham isso feio,não?Fazer isso com sua irmã!
—Ah,tia,ela nem gosta de sacolé.
—Ou compram o dela,ou não vendo pra ninguém.E ainda conto pra mãe de vocês.
—Tá,quer de que,chata?
—De milho.
—De milho eu não faço,querida.
—Viu,compra o chiclete.
—Deixa que ela escolhe outro.
—Não,tia,não quero outro.Minha parte eu compro de doce.
*********
—Moça,ainda tem sacolé?
—Ué,não ia comprar na rua de cima?
—Tínha mais não.
—Sei,vai querer de qual sabor?
—Se tiver algum chocolate perdido...
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