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Em "Como se inventaram os almanaques" Machado de Assis concede ao Tempo o papel de protagonista. Personificado e tratado com inicial maiúscula, ele dialoga com uma jovem curiosa, revelando reflexões sobre a vida, a passagem dos dias e a necessidade humana de organizar o futuro. O...
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Posição em Clássicos
#1
#114 de Julho na roça0
#23450
#3A alma das coisas0
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#7A barricada0
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Descrição Completa
Em "Como se inventaram os almanaques" Machado de Assis concede ao Tempo o papel de protagonista. Personificado e tratado com inicial maiúscula, ele dialoga com uma jovem curiosa, revelando reflexões sobre a vida, a passagem dos dias e a necessidade humana de organizar o futuro. O diálogo, carregado de ironia e inteligência, expõe tanto o caráter efêmero da existência quanto a tentativa incessante de controlar aquilo que inevitavelmente escapa às mãos humanas. A invenção dos almanaques surge, assim, como metáfora engenhosa da luta contra a incerteza, transformando o Tempo em figura viva que desafia a razão e provoca a imaginação.
Já em "Curta história", também presente em "Histórias sem data", a narrativa se desloca para o terreno das paixões humanas. Cecília, jovem que nutria amor por Juvêncio, vê seus sentimentos se alterarem ao conhecer Rossi, ator que interpreta Romeu no teatro. A trama, marcada por brevidade e intensidade, mostra como as emoções podem ser voláteis e como a arte, encarnada pela figura do ator, é capaz de despertar fascínio irresistível. Entre a promessa inicial de um amor e a súbita mudança de afeto, o conto revela a fragilidade dos sentimentos e a rapidez com que a vida emocional pode se transformar.
Unindo humor, ironia e observação perspicaz, os dois contos oferecem diferentes perspectivas sobre o tempo, a instabilidade dos desejos e a condição humana. Seja ao transformar o Tempo em personagem, seja ao revelar a súbita metamorfose do coração de Cecília, Machado de Assis mostra sua habilidade em extrair da imaginação e da vida cotidiana reflexões universais, que continuam a ressoar para além do século XIX.