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Festim
Dispara ao vento
o teu silêncio
tão vazio
o doce gosto
do desejo
vem a boca
e a temporada
de caça
continua
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Gálio
Flutua entre dilemas
desaba sobre si próprio
fraco poeta
vivo desatino
brilho forte
do elo rompido
simplesmente
um ser humano
simplesmente
falho
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Teste de Turing
Quantas dúvidas,
criatura quase inerte
humana demais
funcional de menos
tão doce que se dissolve
em pensamentos impuros
e silêncios terrenos
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Presença
Ecoam dilemas
e ruídos catastróficos
invisíveis ao entorno
girassol amante do breu
lira fiel ao silêncio
harpia devota desse solo
viva antítese da prosa
com nome, sobrenome
e um exército de cicatrizes
invisíveis
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Broquel
Linhas afiadas
de quem anda
em semicírculo
me protejo
em partes
mas não sei
de que ameaça
o amuleto
me traz ímpeto
e deságuo
em silêncio
inspirado em "Escudos", música de Maria Gadú
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Subterfúgio
A verdade pousa
e pesa
sobre teu ego
tua alma se molha
incessante
o relógio te cobra
mas ele é incapaz
de fazer versos
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Mártir
Incólume, quase inútil
desvio de flechas
e de verdades
me calo
repito o que já fiz
preso em silêncios
e ritmos
a eterna
cadência
do anjo azul
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Imantado
Poeta carente
sem nexo
humilhado
pelo próprio desejo
admira de longe
imagina
a boca vermelha
malícia
mas nunca
consegue
o contato real
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Amiúde
Poeta fugaz
que tenta
se decifrar
respira
e encara
seu caos
olha para trás
e tira
sua máscara
enferrujada
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Eixo
Sem ânimo
o movimento para
a voz escapa
o semblante decai
Orfeu segue
explorando
o submundo
quase mudo
mas sempre
poeta
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Tradução
Transcrito
em pedaços de alma
o verso puro
transcende
a carne
e forma âmago
longe do amargor
da agitação
o poema