Imagem de destaque: Superfície de Dimorphos registrada pela câmera DRACO, da sonda DART, dois segundos antes do impacto de 26 de setembro de 2022. O campo fotografado tem cerca de 31 metros de largura. Crédito: NASA, APL. Imagem observacional, sem alterações editoriais.
Em 26 de setembro de 2022, uma câmera transmitiu à Terra imagens cada vez mais próximas de uma superfície coberta de pedras. A última fotografia completa mostrava uma faixa de terreno com cerca de 31 metros de largura. Dois segundos depois, a sonda DART atingiu o asteroide Dimorphos. A colisão encerrava o voo da nave e começava um experimento: descobrir quanto aquele choque conseguiria alterar o movimento de um corpo celeste. [1]
Dimorphos gira ao redor de outro asteroide, Didymos. Esse arranjo permitia observar o resultado sem enviar uma segunda nave para acompanhá-lo durante meses. Telescópios na Terra podiam medir variações no brilho do conjunto quando um dos corpos entrava na sombra do outro. A repetição desses eventos fornecia uma maneira de calcular o tempo necessário para completar cada volta. [2]
Antes do impacto, esse percurso levava aproximadamente 11 horas e 55 minutos. Um estudo publicado em 1º de março de 2023 na revista Nature encontrou uma redução de 33 minutos, com incerteza de um minuto no intervalo estatístico adotado pelos autores. Duas abordagens independentes, apoiadas em observações de brilho e radar, chegaram ao mesmo resultado. O número descreve a órbita de Dimorphos ao redor de Didymos. [2]
A direção do choque foi planejada para reduzir o tamanho dessa órbita. A nave atingiu a parte dianteira de Dimorphos em seu movimento orbital. Reduzir a velocidade do asteroide naquele ponto podia fazê-lo completar a volta em menos tempo, porque o percurso também mudava. [2]
Havia, porém, uma contribuição importante além da própria nave. O impacto arrancou material da superfície e o lançou ao espaço. Ao escapar, esses fragmentos produziram um recuo no asteroide, ampliando a transferência de movimento. Uma comparação possível é a reação de um objeto ao expulsar parte de sua massa, embora a distribuição das pedras e da poeira torne o caso muito mais complexo. [3]
Outra equipe calculou que a componente da velocidade de Dimorphos ao longo da órbita diminuiu cerca de 2,7 milímetros por segundo imediatamente após o impacto. A estimativa veio de modelos dinâmicos ajustados às medições. Para avaliar a contribuição dos fragmentos, os pesquisadores precisaram trabalhar com diferentes valores possíveis de densidade, pois a massa do pequeno asteroide ainda era uma fonte importante de incerteza naquele estudo. [3]
Nessas condições, o fator de amplificação da transferência de movimento variou de 2,2 a 4,9. Esses valores dependiam das hipóteses sobre a massa. A mudança do período orbital foi medida; a quantificação detalhada do impulso exigiu cálculos e pressupostos físicos. Essa distinção ajuda a entender o que o experimento estabeleceu e quais características do alvo ainda precisavam ser determinadas. [3]
O material ejetado também criou uma cauda. Imagens do telescópio Hubble permitiram acompanhar sua evolução, inicialmente influenciada pela gravidade do sistema e depois pela pressão da luz solar sobre a poeira. O choque ofereceu uma oportunidade incomum: estudar a formação de uma cauda de asteroide conhecendo o momento e as condições do evento que a produziu. [4]
A DART demonstrou que uma nave pode atingir autonomamente um pequeno alvo e modificar sua órbita. Transformar essa demonstração numa resposta a uma ameaça real exige descobrir o objeto com antecedência suficiente e conhecer suas características. No balanço divulgado em março de 2023, a equipe destacou a necessidade de anos de preparação, de preferência décadas. A utilidade do teste está justamente em permitir que essas decisões sejam estudadas antes de uma emergência. [5]
Fontes
Thomas et al., Nature (2023): mudança do período orbital
Cheng et al., Nature (2023): transferência de movimento
Li et al., Nature (2023): evolução do material ejetado
NASA/APL, balanço científico de 1º de março de 2023
Imagem: NASA, APL. Uso editorial informativo conforme diretrizes da NASA, consultadas em 17/10/2026.