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A democracia de publicidade

avatar por Eder B. Jr.
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Em 2006, meu Trabalho de Conclusão de Curso de Relações Internacionais na UNESP teve como tema A Democracia Capitalista Globalizada.

Muita coisa aconteceu na minha vida e no mundo depois que concluí aquela publicação, que tenho orgulho de saber que continua na biblioteca da universidade. Mas, infelizmente, minha opinião sobre a democracia não mudou, e achei que era o momento de escrever um pouco mais sobre isso, apesar de ser indigesto.

A democracia é o principal símbolo do funcionamento do capitalismo moderno, e não funciona da forma como nos fizeram acreditar e até mesmo defender. Porque o conceito de democracia foi usurpado, assim como o de liberdade.

Eu vou fazer uma metáfora para tentar explicar melhor. É como se a minha ideia inicial fosse montar um time de futebol e ter mais torcedores do que aquele que já tem a maior torcida. Um time que tem uma história baseada não só em títulos, mas em relacionamento com o povo, em cultura, em conceitos do imaginário de gerações.

Em vez de montar esse outro time, então, eu mudo as regras políticas por dentro daquele que já tem tudo isso, usando dinheiro e poder. Primeiro, me aproprio, por meio da corrupção, do que já existe lá dentro. Depois, regularizo a situação, validando legalmente a posse privada e até a mudança do que significam os símbolos.

Muda-se a cultura sem o torcedor sequer saber que mudou, e ele passa a defender com todo o coração algo cujo significado ele já nem conhece. E quem percebe não consegue sequer pensar em como fazer diferente, a essa altura. As opções que se apresentam seriam muito mais desastrosas.

Estamos num estágio em que boa parte do povo acredita que acabar com a democracia realmente seria necessário, por conta, justamente, do limite a que ela chegou: a democracia de publicidade.

E veja a maldade disso. Nós podemos começar a perceber que isso é mesmo um mal, mas completamente forjado para que ou lutemos por essa democracia deturpada, ou fiquemos do lado de um pessoal que quer o fim dessa democracia. Esse pessoal, porém, quer o retorno de sistemas de dominação clássicos.

Quem é poderoso tem conhecimento de algo em que os outros não querem acreditar: não existe opinião própria. Em qualquer situação, nós somos forçados a aceitar, a concordar e a acreditar que escolhemos opções que alguém planejou para serem aceitáveis.

A democracia é só um conceito. Uma palavra bonita pra fazer a gente acreditar que, na vitória contra o absolutismo, realmente vencemos. Quando, na verdade, essa vitória é apenas a manutenção, a aceitação e a comemoração da manutenção do poder como é hoje, por não ser algo pior.

O sistema não fornece mudança. A sensação de escolha é só uma ficção, uma história contada para amenizar as possibilidades de revoltas.

Enquanto defendemos a democracia para nos defender através de conceitos vencidos, esquecemos de construir ideias e ideais completamente novos, sem vícios, sem manipulações, sem conceitos que não têm mais valor nenhum hoje em dia para a evolução social.

A democracia é o nosso mal necessário, mas sinto ter que dizer que ela é só o nosso Papai Noel, nosso coelhinho da Páscoa. Apenas conceitos que nos são familiares, vindos de outras culturas, que nos trazem conforto psicológico, mas também ferramentas de dominação que vamos precisar vencer e não mais apenas idolatrar.

Escrevi sobre isso há 20 anos.

E cá estamos nós, lutando com unhas e dentes pra não perdermos ao menos isso.

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