Imagem de destaque: comparação entre pedra-pomes e outras rochas de tamanho semelhante antes e depois de serem colocadas na água. Foto: Annie Scott / U.S. Geological Survey. Domínio público. Fonte: https://www.usgs.gov/media/images/rocks-sink-or-float
Uma pedra sobre a água parece uma brincadeira com a física. Na fotografia do Serviço Geológico dos Estados Unidos, amostras de rochas aparecem ao lado de um recipiente com água. Depois de colocadas em um recipiente, a pedra-pomes continua na superfície, enquanto as outras afundam. A diferença está na estrutura de cada fragmento.
A pedra-pomes nasce de material vulcânico rico em gás. Quando o magma sobe e a pressão diminui, os gases dissolvidos podem formar bolhas. Durante uma erupção, esse material espumoso esfria e se solidifica. As cavidades deixadas pelas bolhas, chamadas vesículas, ficam registradas na rocha.
Uma amostra de pedra-pomes contém, portanto, material sólido e espaços vazios. Ao considerar o volume inteiro do fragmento, a massa pode ser pequena em relação ao espaço ocupado. Se sua densidade média for menor que a da água e os vazios não se encherem rapidamente, ela pode flutuar.
O tamanho, sozinho, não resolve a comparação. Duas pedras com dimensões parecidas podem ter massas diferentes, pois sua composição e a quantidade de espaços internos variam. É esse contraste que a fotografia do USGS torna visível: as pedras claras na superfície têm massa e são rochas cheias de cavidades.
Nem toda pedra-pomes flutua. O Serviço Geológico lembra que a densidade varia entre fragmentos, e que a ligação entre as cavidades importa. Quando os caminhos internos permitem a entrada de água, o fragmento pode perder a capacidade de flutuar e afundar. A experiência de um exemplar não determina o comportamento de todos os outros.
Um exemplo extremo ajuda a entender essa condição. A reticulita é uma espuma vulcânica delicada, formada por uma rede de fios de vidro. Apesar de muito leve, suas cavidades são abertas e interligadas. A água penetra nessa rede, e a rocha pode afundar. A quantidade de vazios e o modo como eles se comunicam contam histórias diferentes.
No mar, erupções também podem produzir grandes concentrações de fragmentos flutuantes. Quando muita pedra-pomes chega à água, as peças podem se juntar em faixas ou mantos levados pelas correntes. O USGS descreve esse fenômeno como jangadas de pedra-pomes. Elas não são ilhas sólidas e podem se dispersar com o movimento da água.
Esses agrupamentos chamam a atenção de marinheiros e pesquisadores por outro motivo: o material pode interferir na navegação e em sistemas que puxam água para resfriar motores. Sua extensão e duração dependem da erupção e das condições do mar, de modo que não há uma única trajetória para todas as jangadas.
A mesma textura porosa tem usos em terra. O levantamento mineral do USGS cita aplicações em materiais leves de construção, abrasivos e horticultura. A rocha que às vezes permanece na superfície da água pode, assim, acabar incorporada a um bloco de construção ou ajudar a modificar as propriedades de um substrato.
Fontes: Serviço Geológico dos Estados Unidos, glossário sobre pedra-pomes: https://volcanoes.usgs.gov/volcanic_ash/glossary/pumice.html ; descrição de reticulita e vesículas: https://pubs.usgs.gov/gip/hawaii/page41.html ; levantamento mineral de 2019: https://pubs.usgs.gov/myb/vol1/2019/myb1-2019-pumice.pdf ; impactos na navegação: https://volcano.wr.usgs.gov/volcanic_ash/marine_transportation.html