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A rã que atravessa o inverno com parte do corpo congelada

Glicose, ureia e preparação sazonal ajudam a rã-da-madeira a suportar o frio, com diferenças entre populações.

avatar por Ellen
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Imagem de destaque: uma rã-da-madeira fotografada no Parque Nacional das Montanhas Rochosas, nos Estados Unidos. A imagem mostra a espécie, não os animais do experimento descrito abaixo. Foto: Erin Muths / U.S. Geological Survey. Domínio público. Fonte: https://www.usgs.gov/media/images/wood-frog-rocky-mountain-national-park


No inverno, uma rã escondida sob folhas secas pode permanecer imóvel enquanto gelo se forma em parte de seu corpo. Quando o ambiente aquece, ela descongela e retoma a atividade. A rã-da-madeira, conhecida cientificamente como Rana sylvatica ou Lithobates sylvaticus, vive em regiões da América do Norte onde essa capacidade ajuda a atravessar a estação fria.


O processo não consiste em transformar todas as células em gelo. Cristais podem se formar fora delas, inclusive em espaços da cavidade corporal. O congelamento dentro das células poderia causar danos graves. A rã reduz esse risco com uma preparação química que envolve, entre outras substâncias, glicose e ureia.


A glicose funciona como crioprotetor: ajuda a limitar danos associados à formação de gelo e à perda de água pelas células. Ela é mobilizada a partir de reservas de glicogênio no fígado quando o congelamento começa. Antes do inverno, a ureia também se acumula e contribui para a adaptação ao frio.


Durante o congelamento, a respiração e os batimentos cardíacos podem parar. Isso não significa que o animal esteja morto. Seu organismo entra em um estado de atividade extremamente reduzida, do qual pode se recuperar quando as condições permitem o descongelamento. Essa tolerância tem limites, que variam entre populações e dependem das condições experimentais e sazonais.


Uma comparação publicada em 2013 no Journal of Experimental Biology investigou rãs do interior do Alasca e do sul de Ohio. As do Alasca sobreviveram, em laboratório, ao congelamento até aproximadamente 16 graus Celsius negativos. Algumas suportaram dois meses congeladas a 4 graus negativos. Os autores observaram diferenças nas reservas de glicogênio e nos níveis de substâncias protetoras entre os grupos.


Esses números não são uma temperatura segura para qualquer rã. O estudo trata de animais preparados para o inverno e de condições específicas. Em outra pesquisa, publicada em 2014, os pesquisadores observaram que indivíduos da mesma população do Alasca toleravam menos frio na primavera do que no inverno. A capacidade muda com a estação, junto com a preparação fisiológica.


Em 2016, outra equipe testou uma hipótese sobre as oscilações de temperatura antes do inverno. Rãs expostas a sucessivos ciclos de congelamento e descongelamento acumularam mais glicose nos tecidos medidos. Os autores propuseram que esses ciclos podem contribuir para a tolerância observada em condições naturais. O experimento ajuda a investigar o mecanismo, sem transformar a hipótese em explicação completa para cada população.


Quando a primavera chega, a água acumulada em poças temporárias oferece locais para reprodução. O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos observa que a espécie começa sua atividade cedo, antes de muitos outros anfíbios. Esses ambientes também mudam ao longo do ano, e sua disponibilidade faz parte das condições necessárias ao ciclo de vida das rãs.


A fotografia de Erin Muths mostra uma rã-da-madeira em outra região dos Estados Unidos, segurada por uma pesquisadora. Ela ajuda a reconhecer a espécie; os dados de resistência ao congelamento apresentados aqui pertencem aos estudos citados e não foram medidos no animal fotografado.


Fontes: estudo comparativo de 2013: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23966588/ ; estudo sazonal de 2014: https://doi.org/10.1155/2014/750153 ; ciclos de congelamento em 2016: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27327184/ ; Serviço Nacional de Parques: https://www.nps.gov/mabi/learn/nature/amphibians.htm

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