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Abelhas rolam bolas sem ganhar comida, e o comportamento atende a critérios de brincadeira

Experimentos com Bombus terrestris indicam que manipular objetos pode ser uma atividade recompensadora para esses insetos, embora não prove alegria consciente.

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Uma abelha se aproxima de uma bolinha de madeira, segura o objeto com as pernas e o faz rolar. Depois, pode voltar a repetir o movimento. Essa cena foi investigada por pesquisadores liderados pela Queen Mary University of London, que apresentaram em 2022 evidências de brincadeira com objetos em abelhas da espécie Bombus terrestris. A atividade acontecia sem treinamento para ganhar comida. Relato da universidade.

Um caminho livre até o alimento

No primeiro experimento, a equipe acompanhou 45 indivíduos. Eles podiam seguir diretamente até a área de alimentação ou entrar nas laterais onde estavam as bolas. Assim, tocar nos objetos era uma possibilidade que podiam evitar. O alimento estava disponível independentemente de qualquer movimento feito com as bolinhas. Em outro teste, com 42 abelhas, os animais conheceram dois compartimentos de cores diferentes: um continha bolas móveis, o outro estava vazio. Depois, sem bolas em nenhum deles, preferiram a cor anteriormente associada aos objetos. Esse resultado reforçou a interpretação de que a experiência havia sido recompensadora. Queen Mary.

O que os pesquisadores observaram

As gravações permitiram distinguir a entrada na área, o simples contato e o ato de rolar. Havia bolas móveis e outras fixas, permitindo comparar o interesse dos animais pelas duas situações. Para reduzir interferências do estresse, os pesquisadores mantiveram alimento disponível, respeitaram um ciclo de luz e escuridão e limitaram o manuseio. No conjunto das observações desse primeiro experimento, foram registrados 910 movimentos de rolagem. A frequência individual variou de uma a 117 vezes ao longo do teste.

As durações e distâncias dos movimentos também variaram. Depois de experimentar as bolas móveis, as abelhas passaram a preferir aquela área. As mais jovens rolaram bolas com maior frequência, especialmente entre três e sete dias após emergirem como adultas. Esses detalhes aparecem na apresentação dos resultados preparada pelos pesquisadores para o Science Journal for Kids. Versão explicativa do estudo.

Cinco critérios para chamar de brincadeira

No artigo publicado em Animal Behaviour, a equipe avaliou o comportamento segundo cinco critérios. O primeiro exige ausência de benefício adaptativo imediato, como conseguir alimento ou parceiro. O segundo considera se a atividade ocorre voluntariamente, de forma espontânea ou porque é recompensadora em si.

O terceiro pede movimentos diferentes dos comportamentos funcionais habituais, como procurar comida. O quarto exige repetição com variação, evitando confundir brincadeira com um padrão rígido e invariável. O quinto considera se a atividade começa em condições sem estresse. Segundo os autores, a rolagem das bolas atendeu aos cinco requisitos. O desenho dos testes e as observações também permitiram afastar explicações como busca por alimento, retirada de obstáculos e tentativas de acasalamento. Artigo original: Do bumble bees play?.

O cuidado ao interpretar sentimentos

Há uma diferença importante entre registrar uma preferência e conhecer a experiência subjetiva de um animal. Neste caso, podemos observar escolhas, frequência e movimentos. A conclusão sobre brincadeira se apoia nesse conjunto de medidas e nos critérios adotados.

Dizer que as abelhas demonstraram um comportamento compatível com brincadeira é, portanto, uma descrição fundamentada. Afirmar que sentiram alegria consciente, com o mesmo significado que damos à nossa alegria, ultrapassa o que esses experimentos conseguem demonstrar. A pergunta sobre como um inseto vivencia uma atividade continua exigindo investigação.

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