Ela caminha em sua direção.
Param por eternos instantes,
dão-se as mãos…
As lágrimas não se calam:
pronunciam o que a boca não
saberia dizer.
A emoção é liberta sem medo,
não é mais cativa do peito.
O mundo não existe;
nada se movimenta.
Apenas se registra o olhar:
absorto,
enamorado,
curioso.
Percebem como respiram.
Dedos gentis ajeitam os cabelos
dela atrás da orelha.
Uma leve carícia no rosto,
a pele, a textura, a temperatura…
Tanto se tocaram,
jamais se sentiram!
Ela sorri encabulada.
Ele aproxima sua boca.
Não a encosta.
Observam-se e o sentimento é de
certeza.
Para quê pressa?
Querem viver os detalhes,
cada sensação!
Reconhecer os momentos
que viveram com ardor.
Não é mais ilusão,
o casulo se rompeu.
Na metamorfose da vida
não há mais planos.
Somente voos.
Cr💞s Ribeiro
Publicado originalmente na e-Revista Literúnico em 02/09/2024. A página antiga registra a data sem horário.