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Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro

@ CrisRibeiro

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Desejo

Espaço entre duas peles.

É ali
que a espera aprende a respirar
e o coração inventa memória
do que ainda nem viveu.

Há um toque
que chega antes da mão.

Demora no olhar,
desarruma a lucidez,
desfigura os relógios
e faz o tempo
errar o próprio passo.

Diante de você,
toda razão desaprende a falar.

As palavras encolhem.

O silêncio
diz o que nenhuma boca alcança.

O desejo não nasce da falta.

Nasce da promessa.

Do futuro
pedindo passagem
dentro do presente.

Então
teu nome me acontece.

A metáfora desiste.

O poema já não basta.

E o desejo

vira pele.

Cris Ribeiro
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Cris Ribeiro (@crisiribeiro) on Threads

@rejoverso, escrevi de manhã, mas como te responder? 凉. Aqui é mais discreto, ninguém lê. 藍

Poesia é feminina.
Nasce com uma fissura
que se cobre de dor,
amor ou procura.

Poesia é parideira.
Um rebento na anca,
outro na cadeira.

A barriga
disputa lugar
com os braços
atarefados,
cansados
de dar conta
das mazelas
vazias de
todo
dia.

Cris Ribeiro

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#Desafio 317

Um dia,
eu fui o incêndio no teu riso,
a hora que te salvava do mundo,
o canto onde tua paz se escondia
com medo de acabar.

Um dia,
teus olhos queimavam quando achavam os meus;
tua pele pedia a minha
como quem precisa de ar;
teu amor, inteiro e cego,
me queria sem sobra.

Um dia,
riscamos o futuro a quatro mãos:
casa, cachorro, bebê…
e ganhamos mais do que coube nos planos,
fomos tão longe
que deixamos o mapa pra trás.

No fim,
perdemos o norte, o rumo, o nome.
E do amor
sobrou só o rito amargo da lágrima,
esse veneno fiel
que insiste em lembrar
o que já não volta.

Cris Ribeiro
Litverso post
#314

Aprendi a ser só,
tão a fio,
tão a fundo,
que meu peito
virou casa silenciosa
e até a luz
anda na ponta dos pés.

Quando tento
me povoar de gente,
tropeço nas sombras mansas
esparramadas
nos sofás da alma.

É bom; eu sei.
Minha companhia
é firme, quente,
é colo que não vacila.

E ainda assim,
no tropeço doce das letras,
um cheiro de porta entreaberta
me chama.

Talvez por ela
um dia alguém entre,
de mansinho,
sem me desalojar
de mim.

Cris Ribeiro
Litverso post
#Desafio 313

Fresta do Teu Íntimo

Sou fiel companheira.
Ando na espreita,
dos teus segredos tomo conta.

Meto medo.
Se me vês
e não sabes de onde venho
sou imprevisível,
bem sei.

Sou a sombra
que escorre do teu íntimo,
se enrosca nos teus pensamentos,
se deita nos teus temores.

E quando acreditas estar só,
me encontras
rindo silenciosa,
bebendo
o que sobra
da tua intimidade.

Crs Ribeiro
Litverso post
#Desafio 312

Sem Toque

Entra.
Sem convite.
Deixo.

Rola meu nome devagar.
Finge que não quer saber.
Quer.

Não curte.
Não comenta.
Respira meus silêncios.

Me lê nas entrelinhas,
mastiga meus restos,
bebe minha ausência
em goles curtos.

Acha que me esconde,
mas sinto;
o olho atravessa a tela.

Eu?
Sou o eco
que te lê de volta.

Cris Ribeiro
Litverso post
#Desafio 311

Eu só sabia sentir,
sentir
até derramar.

Jurei ser bipolar.

Busquei um rótulo
pra acalmar
o caos.

AHSD:
pele-atenta,
coração-amplificador
de sussurros
que o mundo
mal pronuncia.

Hoje respiro versos:

sou mansa
quando pedem colo,

sou ardida
quando a chama chama.

Sou duas:
calma,
intensa.

E não caibo mais
em bolsos alheios.

Aqui me dispo;
não do pudor,
mas das incertezas.

E, na pele da palavra,
quente
e viva,

floresce a mulher
que sempre esteve:

silêncio
rompido,

brilho
inteiro.

Cris Ribeiro
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