Espaço entre duas peles.
É ali
que a espera aprende a respirar
e o coração inventa memória
do que ainda nem viveu.
Há um toque
que chega antes da mão.
Demora no olhar,
desarruma a lucidez,
desfigura os relógios
e faz o tempo
errar o próprio passo.
Diante de você,
toda razão desaprende a falar.
As palavras encolhem.
O silêncio
diz o que nenhuma boca alcança.
O desejo não nasce da falta.
Nasce da promessa.
Do futuro
pedindo passagem
dentro do presente.
Então
teu nome me acontece.
A metáfora desiste.
O poema já não basta.
E o desejo
vira pele.
Cris Ribeiro