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@rejoverso, escrevi de manhã, mas como te responder? 凉. Aqui é mais discreto, ninguém lê. 藍
Poesia é feminina.
Nasce com uma fissura
que se cobre de dor,
amor ou procura.
Poesia é parideira.
Um rebento na anca,
outro na cadeira.
A barriga
disputa lugar
com os braços
atarefados,
cansados
de dar conta
das mazelas
vazias de
todo
dia.
Cris Ribeiro
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#Desafio 317
Um dia,
eu fui o incêndio no teu riso,
a hora que te salvava do mundo,
o canto onde tua paz se escondia
com medo de acabar.
Um dia,
teus olhos queimavam quando achavam os meus;
tua pele pedia a minha
como quem precisa de ar;
teu amor, inteiro e cego,
me queria sem sobra.
Um dia,
riscamos o futuro a quatro mãos:
casa, cachorro, bebê…
e ganhamos mais do que coube nos planos,
fomos tão longe
que deixamos o mapa pra trás.
No fim,
perdemos o norte, o rumo, o nome.
E do amor
sobrou só o rito amargo da lágrima,
esse veneno fiel
que insiste em lembrar
o que já não volta.
Cris Ribeiro
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#314Aprendi a ser só,
tão a fio,
tão a fundo,
que meu peito
virou casa silenciosa
e até a luz
anda na ponta dos pés.
Quando tento
me povoar de gente,
tropeço nas sombras mansas
esparramadas
nos sofás da alma.
É bom; eu sei.
Minha companhia
é firme, quente,
é colo que não vacila.
E ainda assim,
no tropeço doce das letras,
um cheiro de porta entreaberta
me chama.
Talvez por ela
um dia alguém entre,
de mansinho,
sem me desalojar
de mim.
Cris Ribeiro
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#Desafio 313
Fresta do Teu Íntimo
Sou fiel companheira.
Ando na espreita,
dos teus segredos tomo conta.
Meto medo.
Se me vês
e não sabes de onde venho
sou imprevisível,
bem sei.
Sou a sombra
que escorre do teu íntimo,
se enrosca nos teus pensamentos,
se deita nos teus temores.
E quando acreditas estar só,
me encontras
rindo silenciosa,
bebendo
o que sobra
da tua intimidade.
Crs Ribeiro
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#Desafio 312
Sem Toque
Entra.
Sem convite.
Deixo.
Rola meu nome devagar.
Finge que não quer saber.
Quer.
Não curte.
Não comenta.
Respira meus silêncios.
Me lê nas entrelinhas,
mastiga meus restos,
bebe minha ausência
em goles curtos.
Acha que me esconde,
mas sinto;
o olho atravessa a tela.
Eu?
Sou o eco
que te lê de volta.
Cris Ribeiro
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