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#Desafio 268
Sem comunicado oficial.
As cortinas não cerram,
as luzes não se apagam,
nem um aplauso é ouvido.
O “the end” está oculto.
Sequer há menção ao elenco
da longa história vivida.
Sem premiações
ou reconhecimentos:
não espere tapete vermelho!
O drama é certo,
a emoção incontida;
há a plateia decepcionada
e aqueles que previram o final...
Resta a dor do vazio,
o horror de reconhecer
o set há muito desfeito.
Encerrou-se a temporada
por demais prolongada:
estreia o novo projeto,
creia em um novo sucesso
e que brilhará como atriz.
Em um monólogo,
ainda que haja receio;
também se é feliz!
Crs Ribeiro
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#Desafio 267
Aos pedaços ou inteira?
Sou muitas,
coleção de contradições.
Encolho-me
quando a vida me pega no flanco.
Respiro
e viro vendaval:
espalho risos, encanto,
deixo-me encantar.
Podem me acusar de tudo:
emocionada, inconstante,
explosiva, insegura,
descontrolada.
Aceito.
Carrego pedras e bombons
no bolso da saia.
Mas “morna”?
Jamais.
Sou fogo indomável,
exagero, gozo e ferida.
Intensidade que prefere
perder a calma
a perder a graça.
E gosto de mim assim:
poesia em carne viva,
sorriso de faca,
abraço de mel.
Crs Ribeiro
****poema revisado
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#Desafio 264
Máscara digital
Exposta.
Intimidade rasgada.
Corpo e alma
à mercê.
Violência virtual
devora, espreita, domina.
Fragilidade exposta,
sem escolha.
A rede julga.
A tela condena.
A vida reduzida
a uma postagem —
que o mundo desdenha,
despedaça,
envenena.
Toma meu gole.
Não cospe fora.
Sem antídoto,
eu bebo o teu.
Crs Ribeiro
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#Desafio 263
#
Hoje
ele me olhou
como se
eu nada vestisse.
Me vi
prensada
na grade verde
da pista:
ferro frio
mordendo minhas costas
o corpo dele
empurrando o meu
o ar
rarefeito
de quem não resiste.
Nada aconteceu.
Ele não ousou,
eu não deixaria.
E essa interdição
tão ensaiada,
tão minha,
incendiou-me
mais que o prazer.
Me deixou
faminta
inteira
crua.
Freud
diria: doença.
Eu digo:
sobrevivência.
E sei, no fundo
não temo o escândalo do pecado;
mas a febre
do desejo guardado.
O fogo
que arde
mesmo quando
nada se toca.
Crs Ribeiro
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#Desafio 262
5 minutinhos.
Para quem tinha o dia todo.
Para quem quer
por todo o sempre…
Um gosto,
meu petisco:
sabor que se infiltra na alma,
que se entranha e não se despede.
Uma prova
da tua lasquinha:
boca inundada
pelo desejo do “quero mais
e quero agora”,
o corpo inteiro pedindo sem pudor.
Sou gulosa,
voraz,
e só me satisfaço
(a contento)
se te devoro por inteiro,
cada pedaço,
cada silêncio que escapa entre nós.
Crs Ribeiro
(revisado)
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#Desafio 261
Sentimento apertado no peito,
a garganta que arranha
assim, de repente…
Uma lágrima que não se derrama
porque ninguém deve ver.
E a vida segue em frente
Sempre!
Não vai parar por você!
Crs Ribeiro
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#Desafio 260
Geografias Partidas
O que falta em você
incendeia em mim.
O que em mim é cova
se abre em nascente
no teu alcance.
Somos fenda e relevo,
bordas urdidas pelo tempo,
que só no encaixe se desnudam:
abraço da terra,
pele contra pele.
Você, peça torta,
me ensina o contorno do improvável.
Eu, ausência exata,
só em você viro carne,
viro grito,
viro forma.
Não somos metades;
somos excesso e falta,
raízes trançadas
em colisão delirante.
Dança da completude.
Um quebra-cabeça sem desenho,
feito de corpo e vertigem,
onde só no gozo do toque
o inteiro se inaugura,
se descobre perfeito,
se reconhece infinito.
Crs Ribeiro
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