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#Desafio 259
Labuta,
labareda de pele
que denuncia,
rasga, reclama, resiste.
Racismo rasga rotinas,
risos se tornam agonia,
suspiros sofrem
sob o silêncio do mundo.
Na cor da sua carne,
um mapa de injustiça,
marcas que mordem a cidade.
E cada passo
é peso que pesa,
peso que a cidade malquista.
Ela não se cala.
Vomita:
sempre resistência!
O mundo não vai ficar
surdo.
Crs Ribeiro
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#Desafio 257
Manifesto contra o feminicídio
Não é amor…
é faca fria!
É silêncio forçado.
É corpo tombado.
Largado no chão…
um chão que o mundo finge não ver.
Um chão que insiste em ignorar.
Apaga-se uma vida,
mas a memória inflama!
Cada mulher calada
volta em mil vozes…
volta em mil gritos…
Vivas.
Livres.
Sem medo!
Não haverá silêncio.
Que venha a tempestade…
que venha o trovão…
que cada gota
desperte
nossa vil humanidade.
Crs Ribeiro
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#Desafio 255
Arquivos Vivos
Nossas vozes
dormiram:
arquivos frios
poeira sobre nomes
desprezo sobre memórias.
Rasgadas dos livros
alijadas da ciência
apagadas da política
silenciadas na literatura.
Mas nós voltamos.
Voltamos como trovão
voltamos como incêndio
voltamos como faca
que corta o esquecimento.
Fogo na palavra
ferro na memória
grito que não cabe no peito
e escorre pelos dedos.
Respiramos nas brechas
nas rachaduras da história
nas bocas que insistem em abrir-se
flores selvagens rompendo o cimento.
Estamos na mulher que escreve
na que descobre
na que governa
na que inventa
na que se sustenta
vendendo seu corpo
sufocando sua alma
e ainda assim sendo luz.
Somos pulsos nas sombras do instante
Sopro que curva séculos
Eco que se recusa a desaparecer.
Mesmo quando tentam nos apagar;
mesmo quando tentam nos calar;
mesmo quando tentam nos matar.
Não fomos criadas da costela
somos substância e verbo
vértebra e raiz
sustento do mundo
maré que recolhe ausências
raio que atravessa a escuridão.
Não pedimos licença.
Não.
Não mais.
Exigimos
EXIGIMOS
E X I G I M O S
JUSTIÇA.
Crs Ribeiro
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#Desafio 254
Gosto da rua:
áspero.
Asfalto mastigando os pés.
Silêncio cheira a medo.
Sombras engolem pensamentos.
Nada se mexe.
Tudo tropeça.
Eu, mulher,
ando só.
Cada ruído
um soluço da alma.
Cada gato no breu
um alerta de olhos.
Te procuro nos vãos.
Mais uma vez:
sou eu por mim.
A rua não fala.
Só lembra que existir
é atravessar o breu
com os ossos expostos;
com o coração à mostra
sem ninguém
para segurar.
Crs Ribeiro
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#Desafio 251
Menina linda
cabelos em brasas
sardas salpicam, sapateiam, sussurram
tranças tricotam trapalhadas
Saltando de pedra em pedra
no céu baixo da infância
pula-pula, ploc-ploc
amarelinha rasgando o tempo
Pernas longas, leves
olhos que engolem o mundo
antes que ele acabe
Ela ri
e o chão se curva cativo
aos seus pés
O tempo se dissolve
tic-tac, tic-tac
em passos, pulos, inspirações
E tudo que existe
tateia, toca, treme, dá o timbre
se esconde
respira
vive dentro dela
Crs Ribeiro
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#Desafio 250
Beijo
Sombras,
toques
Rosto
encostado
na brisa
Silêncio
que curva
o mundo
Lábios
que se encontram
sem pressa
Segredos
que a pele
entende
antes da boca
Leve,
doce
Você
sou
eu
Eternos
Crs Ribeiro
*** O Beijo, de Edvard Munch
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