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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 250

Beijo

Sombras,
toques

Rosto
encostado
na brisa

Silêncio
que curva
o mundo

Lábios
que se encontram
sem pressa

Segredos
que a pele
entende
antes da boca

Leve,
doce

Você
sou
eu

Eternos

Crs Ribeiro

*** O Beijo, de Edvard Munch
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 249

Ciúme

Sussurro inquieto.

Erva daninha
que aperta.

Acalme-se.

Amor
não é estufa;
é vento
que espalha sementes
sem forçar brotos.

O outro floresce
você também:

cada pétala
em seu tempo;
cada raiz
respirando.

Liberdade não seca;
aduba.

Alimente o próprio jardim
com a sombra
da beleza
que cresce
longe de você.

Afrouxe as correntes:
desamarre
as trepadeiras
que prendem o peito.

É leve amar…

sem cercas
sem estacas
que sufocam o caule.

Descubra
que o coração
é solo fértil,
onde tudo que se planta
cresce.

E nunca se esgota.

Crs Ribeiro

*** Quadro Ciúme, de Edvard Munch
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
# Desafio 248

Amor
não combina

com dor.

Não cria.
Não alimenta.
Não a estende.

É temente.

Amor
cuida
acolhe
liberta.

Deixa crescer
voar
e, se quiser,
voltar.

Amor
é mais que dois:
é tudo.

Para alguém
ser feliz.

Porque amor,
quando é amor,
não combina.

Com dor.

Crs Ribeiro

• Quadro Amor e Dor, de Edvard Munch.
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 247

Gritou.
Nada respondeu.

Olhos vazios.
Mãos fechadas.

Silêncio que pesa.

Rugiu.
Animal antigo.
Corpo nu.

Pele riscava
a própria carne.
Sangue quente
escorrendo verdade.

Pisou no chão do mundo
que fingia não existir.

Cada passo, um golpe.
Cada marca, um juramento.

Ninguém socorreu.
Ninguém viu.
Ninguém podia.

A dor era dela.
A resistência, dela.
A vida, dela.

Respirou fundo.
Rugido contido.
Fogo no olhar.
Incandescente.
Invencível.

No silêncio do abandono,
ela se erguia.

Sempre.

Crs Ribeiro

*** Quadro O grito, de Edvard Munch.
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 246

Abro o caderno
aponto o lápis
mordo a borracha
mastigo tédio cru.

O dia cinza-arrogante
tem um bebê chorando
o caminhão de lixo passando
um carro berrando
saldão imperdível.

Na pia
a torneira pinga.
Um compasso perfeito
para minha falta de inspiração
que tenta me convencer:
não tenho nada a dizer.

Mas, veja só
o peito me trai:
desperta ensolarado
como se houvesse
um azul lá fora
que nao recebeu
o memorando do caos.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 245

A Rosa Esquecida

Ninguém
me quis.

Lábios pálidos
demais

para o festim
dos olhos.

Pétalas poucas.

Sem a abundância
dos buquês de luxo.

Mas havia ventre.

Seiva ardendo
em silêncio.

Perfume febril
pedindo
bocas.

Caule
latejando:
coxa que espera.

Cravaram-me na terra,
abri-me em espasmos.

Raízes-dedos
buscando calor.

Gozei
o escuro.

Bebi
húmus.

Penetrei
a sombra.
Fome antiga.

Flores de vitrine:

Belas.
Rápidas.
Órfãs.

Vasos frios
sem orgasmo.
Sem raiz.

Eu, esquecida

Aprendi
a eternidade
na penetração
da terra.

Não sou ornamento.

Sou carne.
Úmida.

Sou boca.
Aberta.

Sou rosa.

Inteira.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 244

Pele de Papel

O lápis invade.
A folha treme.
Carne branca:
pele de escrever.

Arranha.
Penetra.
Revela o que a alma
não quer mostrar.

Promessas quebram.
Palavras queimam.
Nada fica.
Tudo arde.

Às vezes é mais:
gozo que explode,
sol no quarto,
grito no peito.

Escrevo para durar.
Mal e sal
na mesma boca.
O papel me veste,
me morde,
me salva.

Imortal.
Que morde.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 243

Não. Cresce. Não. Cresce.
Sussurra. Sibila. Se espinha.

Sim. Treme. Sim. Treme.
Bate. Pulsa. Insiste.

Chiado corta.
Silêncio fura.

Dor chega.
Raspa ossos.
Chiado amanhece.

Caminho esfarela.
Areia. Vento. Costelas.

Vida rouba.
Arranca asas.
Mãos de vento.

Escolhas:
Perco. Encontro.
Eco. Sopro. Rumor.

Futuro chama.
Rosto de quem se foi.
Sussurra. Cintila.
Vidro que brilha.

Crs Carneiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 242

íris

Pulso parte,
pele perfura,
punho preso.

Corrente cerra,
cobre, crava,
ferro fere.

Cinza cai,
tarde tomba,
tudo tóxico.

Do estalo do aço
parte o passo,
ponto puro:
rastro riscado,
risco de cor.

Céu cravado,
claro, curto,
sinto nos olhos.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 241

tudo
se
alinha
enfim

a
estrada
traz
você
para
mim

o
trem
desliza
manso,
sussurrante

a
paz
mora
aqui
dentro

eu
rio
solta,
displicente

o
amor
corresponde
totalmente

sonho
desperto
sem
fim

fogo
que
não
acaba
nunca

segue
em
mim
e cresce:

Chama
que dança

Crs Ribeiro
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