Meus pensamentos e lembranças desbloqueiam sentimentos e sentidos que eu não queria sentir. Chego a ouvir o barulho seco dos helicópteros, a sentir o cheiro forte da pólvora no ar. Vejo pessoas correndo, gritando por socorro, e de repente estou lá de novo, como se nunca tivesse saído. Memória desbloqueada. Sentidos em alerta. Sentimentos sem freio. Me escondo no único lugar onde sempre consegui me proteger, no quarto escuro. Me encolho, apago, desmaio. Quando acordo, ligo, informo, respondo a pessoas. Ouço propostas indecentes, inconsequentes, cruéis, como se o mal fosse negociável. E agora? Agora que não tem mais jeito? Agora, queriam complicar ainda mais o que já não pode ser desfeito. Vejo de novo: um corpo caído, cenas congeladas, tiros à queima roupa, o sangue escorrendo na trágica esquina que ainda ecoa o silêncio da dor eterna.
Era noite, mas poderia muito bem ser eternidade. O quarto carregava o cheiro doce da pele dela misturado com o sal da minha. Um perfume que não se vende, não se descreve, só se sente quando duas bocas se reconhecem antes mesmo do toque. Quero me enroscar no teu corpo nu, pensei, mas não disse. Não precisava. Ela sabia. Os olhos dela denunciavam a fome e a entrega, como se cada parte de mim fosse um pedaço de fruta madura prestes a ser colhida e chupada. Me aproximei, sentindo a temperatura da pele aquecer o ar entre nós. Deslizei as pontas dos dedos pela curva do ombro, descendo sem pressa, como quem decora um mapa antes de partir. E quando os lábios se encontraram, o mundo calou. Só existia a respiração acelerada, a pele arrepiada, a urgência mansa de quem sabe que o tempo ali é só um detalhe. Dedos, mãos tão adestradas buscavam o esconderijo … (sedenta) Dela bebi a seiva que escorreu algumas vezes (perdi as contas) e me embriaguei, viciei. Um gosto de madrugada, de desejo sem censura. A língua passeava como quem descobre um segredo antigo, desejado e os gemidos vinham como preces sussurradas, pedindo mais, implorando, clamando, querendo. Saciei a sede e criei outras. Porque com ela, cada toque é um convite. Cada beijo, uma promessa. E não há palavra que baste quando a carne fala, quando o suor mistura e o corpo pede e entrega e toma. Naquele instante, éramos só nós. Tesão, suor e sal. E a vontade de nunca mais amanhecer. Te olhar e não querer novamente foi um sacrifício, paguei meus pecados, desejo encurralado e bucetinha molhada e o cuzinho piscando ao lembrar de tudo que vivemos. Quero mais… quero sempre… quero você …
Essa distância é cruel, né? Principalmente depois que a gente se encontra. Porque antes, a saudade era uma promessa vaga, um “um dia a gente se vê” que morava no bolso. Mas depois… depois que seu abraço virou endereço, que o cheiro ficou preso na pele e o gosto ficou na boca, a distância ficou ainda mais desleal. É que agora não dá mais pra fingir costume. O corpo sente, a memória insiste e qualquer hora vaga vira pretexto pra lembrar. É estranho como, depois de um encontro, e de horas de amor, a ausência pesa diferente não é mais só falta, é falta sua. E eu aqui, tentando lidar com isso. Tentando ser madura, entender que a vida exige pausas, que nem tudo cabe no agora. Mas a verdade é que, se depender de mim, essa saudade vai ser só um intervalo entre os nossos próximos abraços. Porque, olha… essa distância é cruel, né? E eu estou doida pra que ela diminua o quanto antes.
O carinho, o respiro. O beijo … A intenção que se sente no olhar, nos conhecemos muito bem… a conexão que se firma no silêncio. Nem tudo precisa de sexo. Mas tudo pede cumplicidade. É o toque leve que diz “tô aqui”. O abraço que acolhe sem motivo. A conversa boba que vira refúgio. Intimidade… Porque mais bonito do que o desejo, é a vontade de estar. De dividir o tempo, de compartilhar o riso, de respeitar o espaço, e ainda assim querer ficar.
Era só o jeito que ele passava a língua pelos lábios, distraído, enquanto falava qualquer coisa boba. Mas bastava isso. Umedecia a boca e outras coisas também, sem saber, acendia nela uma vontade antiga, guardada no canto do corpo que não se nomeia. A água na boca vinha antes de qualquer toque. Era desejo líquido, discreto, escorrendo pela garganta feito lembrança de algo que ainda não aconteceu, mas que o corpo já conhece. Ela imaginava o gosto da pele, a temperatura da respiração, o som abafado do primeiro gemido. Imaginava sem pressa, porque o desejo é também espera, é saliva que se acumula, é sede que não se mata de uma vez. E ali, entre uma frase e outra, entre um gole de vinho e o som dos talheres, ela já tinha despido a noite, traçado o caminho com a ponta da língua e batizado o pecado com nome de vontade. O resto… viria depois … algumas fomes a gente precisa sentir um pouco mais antes de saciar…
Amo porque inevitavelmente você me tirou do fundo do poço que eu estava…
Amo porque preencheu a solidão, a ausência, a dor da rejeição, porque…
Porque tua presença silencia as vozes ruins que moram em mim. Porque teu jeito leve ajeita o descompasso do que antes parecia impossível de se arrumar…
Amo porque quando penso em você, é como se o mundo respirasse mais devagar, como se o tempo deixasse a gente ficar só mais um pouquinho, sem pressa, sem cobrança, só sendo…
Amo porque teu coracao encontra o meu como quem conhece todos os pedaços partidos e ainda assim escolhe ficar..,
Porque tua risada bagunça meus medos e teu abraço organiza meu caos..
Amo porque antes de você eu apenas existia. Depois, eu entendi o que era vida de verdade…
E mesmo que um dia o destino te leve pra longe, eu vou continuar te amando em silêncio, nos detalhes, nas lembranças que guardo num canto bonito e intocado de mim..,
Porque amor assim tem nome, sim. Tem o teu nome. Tem o som da tua voz, o cheiro da tua pele, o jeito desajeitado de ajeitar meu cabelo…
Tem teu sorriso gravado em mim. Tem tua mão segurando a minha nos dias bons e, principalmente, nos ruins…
E se eu fechar os olhos agora, ainda sinto você feito prece, feito casa, feito eternidade. Porque é você meu amor…
Se falar dói. Calar, então, corrói. É estranho existir num mundo que pede pressa, mas nunca escuta. Todo mundo quer saber como você está, mas não se espera pela resposta inteira. E, se por acaso você resolve dizer, sente a garganta arder, porque dói abrir o peito e o sentimento. Se respirar cansa, não respirar mata. Vivo correndo de um lado para o outro, tentando dar conta de tudo, às vezes esqueço de mim. Respiro pela metade, sorrio no automático, existo no intervalo entre uma obrigação e outra. O tempo virou inimigo e no entanto, eu sou refém dele. A vida virou essa mistura de “vai logo” com “por que você não veio antes?”. De “preciso de você” com “não tem como ser depois?”. De “cuide de você” com “não pode faltar amanhã”. Se pedir ajuda pesa, carregar sozinha afunda.Vou assim equilibrando as dores que não contei pra ninguém, os cansaços que disfarcei, os medos que guardei. Pq dizer que está difícil, às vezes, é mais difícil do que o próprio difícil. Se lembrar dói, esquecer destrói. Tem dias que a memória aperta, traz aquele cheiro, aquela frase, aquele olhar. E eu queria esquecer, mas esquecer seria apagar também as partes boas, as risadas que me salvaram em tardes inteiras, os detalhes pequenos que me diziam: fica. Só que ficar cansa. Ir embora também.É essa dança entre o tudo e o nada. Entre querer colo e se fechar. Entre precisar de um abraço e não saber pedir. Entre ser forte porque é o que esperam e querer desabar porque é o que se sente. Se viver assim sufoca, viver de outro jeito parece que não dá. Mas, no meio desse caos todo, a gente segue. Às vezes respirando fundo. Às vezes fingindo que não sente. Às vezes chorando no chuveiro para ninguém ver. Porque, no fim, ninguém entende e quando entendem, já é tarde.
… às vezes a gente para. não por escolha, mas pq a vida silencia e a vontade se perde no meio do caminho. mas o tempo, com seu jeito bruto, empurra a gente de volta pra estrada. …recomeçar ñ é bonito. ñ é cena de filme, não tem fundo musical, é solitário. …é acordar num dia qualquer e decidir respirar mais fundo. é juntar os pedaços q ficaram da saudade q grita, e fazer disso tudo um abrigo novo. Pq no fim, o que vale ñ é quantas vezes a gente caiu, mas a necessidade de se levantar novamente.曆
Sozinhas… Meia luz Pernas entreabertas Esperando tua língua a massagear meu clitóris Abro mais, fome, sede De você, saudade Do teu gosto Do teu cheiro Das mãos nos teus cabelos Puxando pra mim Urgente Pedinte Querendo Tua boca molhada Teu olhar de promessa Os seios roçando os meus Teu corpo quente Minha pele febril Tua respiração no meu ouvido Teus dedos passeando sem pressa Mas, sabendo o caminho Minha vontade se derramando Te chamando Impondo Fica Me toma Me faz tua.