Tem dias que acordo com esse aperto estranho. Não sei se é tristeza, cansaço ou só um vazio mesmo. Mas aí, no meio disso, vem essa vontade quase desesperada, eu preciso me resolver e de alguma forma fazer sentido. Tomar coragem, tomar um rumo, tomar um café e encarar o que venho fingindo não ver. Fazer sentido… ñ pro mundo, mas pra mim. Pra esse coração que vive tropeçando e tentando entender o que sente. Queria que tudo se encaixasse, sabe? Que as palavras que escrevo tivessem um lugar. Que o silêncio falasse alguma coisa boa. Que essa bagunça dentro de mim levasse a algum lugar bonito. Talvez a vida não seja pra fazer sentido mesmo. Mas eu, do meu jeito torto, sigo tentando. Pq tem coisa que a gente não entende, só sente. E, às vezes, sentir já é bastante. E entender já é demais.
Tentei escapar da poesia Fugir da linha, do verso, do amor Mas na tentativa de calar a dor Ela me pegou, sem cortesia Quem diria? Invadiu-me inteira Remexeu cada pensamento Fez do silêncio um lamento E em palavras começou a falar Escrevi sobre o que sentia Sobre a vida que as vezes é ferida Transcrevi o que não podia Num papel a alma exposta e sofrida
Despretensiosa mas sei bem o que quero. Te provoco num gesto leve como quem não quer nada… Te puxo pra perto te subo na mesa te viro no sofá Tua bunda empinada me chama pra mergulhar E se estás ocupada… não me importa quero agora! Tua pele arrepia sob a minha és minha. Minha boca desliza minha língua te encontra tua flor fechada se abre orvalhada, entregue. Te aperto firme puxo teus cabelos mordo teu mamilo lambo teu grelo Te penetro com os dedos fundo, com vontade sem pressa de parar Teu gemido me conta que queres mais E mais… Minhas costas riscadas pelas tuas unhas teu corpo implora sem pudor. Te viro de novo te tomo inteira só minha. Meu corpo te doma me enlouquece. E no fim, exausta me sussurras: me coma, mais!
Abre… mais um pouco. Quero te ver inteira antes dos meus dedos te tomarem. Quero te devorar no desejo de te possuir por completo, chupar cada parte tua, te fazer minha.
Vem… chega mais perto. Roça teus seios nos meus, se exibe como quem quer ser comprada. E eu compro, recompro, te uso inteira.
Se expõe… deixa minha língua passear por ti orelha, pescoço, barriga… Buceta e cu ao meu dispor, abertos para mim. Te chupar, te explorar sem pressa, em cada detalhe, te preencher entre dedos e entradas, te fazer gemer, gozar, implorar, ajoelhada entre minhas pernas, pedindo mais.
E eu te dou.
Te prendo pelos cabelos, puxo tua boca para a minha, me esfrego em ti, sinto teu calor, teu gosto, tua entrega. Te viro de bruços, te seguro firme, te faço sentir cada investida, cada estremecer, te afundo contra mim até que não haja mais nada somos só pele, suor e tesão.
Te faço perder a noção do tempo, te deixo marcada nos lençóis, nas paredes, no meu corpo. E quando acha que terminou, te puxo de volta, porque ainda não tive o bastante.
Roubaram-me a respiração. Não sei dizer quando começou. Talvez tenha sido naquela noite em que deitei a cabeça no travesseiro e percebi que o ar estava pesado demais. Ou no dia em que caminhei por entre as pessoas e senti que todas tinham para onde ir, menos eu. Ar rarefeito. Tento puxar, mas não vem. O peito sobe e desce, desesperado, buscando um alívio que não chega. Dói. A ausência de ar, a presença da falta. A falta de quê? De quem? Pergunta tola, eu sei a resposta. Sempre sei. O peito aperta. Como se mãos invisíveis me segurassem e dissessem: “não se mexa, não vá, não esqueça”. Como se a dor fosse um lembrete cravado nas costelas, nos pulmões, no tempo. O corpo todo dói. A memória dói. As palavras que eu queria dizer e não disse pesam nos ombros. Os olhares que não segurei o suficiente ardem nos olhos. O vazio que finjo não ver se enrosca em mim, mantendo - me aqui.
Roubaram-me a respiração. Mas, no fundo, eu sei: fui eu que entreguei.
‘Não quero falar do meu amor, nem das poesias que li nos livros.’ Quero desabafar com os lírios soltar no vento os meus suspiros Não quero promessas, nem fantasias nem esperança nesse tormento Quero o silêncio que alivia a paz no sopro de um momento Quero dormir no meu abrigo e, quem sabe, sem mais ferida acabar sorrindo comigo enfim em paz com a minha vida.
A dor me acordou antes do sol. Não foi um chamado abrupto, desses que fazem o coração disparar no susto. Foi um toque insistente, como alguém que sabe que não deve estar ali, mas também não vai embora.
De olhos ainda pesados, tentei ignorá-la. Rolei para o outro lado, puxei o cobertor, fechei os olhos com força, como se isso fosse suficiente para convencê-la de que não era bem-vinda. Mas a dor tem paciência. Sabe esperar. Sabe sussurrar no escuro até que a gente não tenha escolha a não ser escutá-la.
Ela não veio do corpo. Ou talvez tenha vindo e eu só tenha aprendido a senti-la de outro jeito. Sei que estava ali, pulsando no peito, nos pensamentos, no espaço vazio ao lado. Sei que era antiga, mas também nova. Uma dor conhecida, vestida com outra roupa.
Levantei. Senti o chão frio nos pés. Caminhei pela casa em silêncio, como se não quisesse perturbar as coisas que ainda dormiam. A cidade ainda não existia por completo. Havia só o silêncio, cortado aqui e ali pelo som de um carro distante, o barulho de árvore que o vento tocava.
A dor caminhou comigo. Não me disse nada. Apenas ficou. E eu, em vez de expulsá-la, fiz café. Sentei-me com ela. Olhei pela janela. Esperei.
A dor me acordou antes do sol. Mas eu, pela primeira vez em muito tempo, não tentei adormecê-la.
Estou cansada até pra isso, mais tarde uma agenda cheia de compromissos e eu já pensando em como de desvencilhar de todos de uma única vez….
Falar não resolveria nada. As palavras não dissipariam a dor tampouco mudariam o que já se fez. Se houvesse um barquinho e um mar eu partiria sem hesitação. Deixaria para tras os ruídos as cobranças, os pesos invisíveis. Só o balanço das ondas o vento cortando o rosto o horizonte sem pressa. Navegaria até onde a terra não soubesse mais meu sobrenome até que o passado se dissolvesse como espuma na areia. Sem promessas, sem despedidas. Apenas o silêncio e a distância fazendo o que eu não consigo fazer