Hoje consegui chorar sem pressa, sem medo sem me desculpar. De peito aberto, sem desviar os olhos, talvez pedindo socorro, talvez um abraço. Normalmente escondo tudo nos prazos, nos e-mails na voz firme ao telefone como quem diz: “está tudo bem”. Mas hoje não. Hoje senti o peso nos ombros e, pela primeira vez em muito tempo não tentei carregar sozinha. Deitei a cabeça, não para dormir mas para sentir e chorar. Meu corpo pediu um abraço minha alma gritou sem palavras e, mesmo sem ninguém por perto, eu escutei. Talvez fosse cansaço, talvez fosse saudade Talvez fosse só eu sendo humana sendo vulnerável sem precisar esconder eu e o travesseiro a me acolher.
Há uma tempestade, sempre há sem trovões que avisem sem relâmpagos que expliquem só um vento varrendo tudo tenta levar até a esperança, astuta. No peito é como se o ar tivesse desistido de mim talvez fosse melhor assim O tempo, esse traidor se arrasta lento faz de cada segundo um espinho. Eu me encolho tento caber no espaço mínimo onde a dor não me alcance mas ela sempre acha um jeito. Ainda assim, há algo que insiste, resiste, tenta. Uma fagulha tímida que não sabe ser chama mas também não sabe morrer. Talvez amanhã o vento mude Talvez amanhã eu consiga respirar direito.
Ou não, todo dia espero esse amanhã que não chega.
O tempo passa… as horas mudam… os dias se repetem… mas a ausência permanece. Seu nome ainda mora no vento, na fresta da porta entreaberta, no silêncio que pesa quando falam de você.
“A vida seguiu”, dizem.
Mas como, se tudo aqui ainda te chama? Se a saudade cresce sem pedir licença, se o mundo continua, mas nunca mais foi o mesmo?
(Não pra mim.)
Não importa quanto tempo passe, quanto o céu mude de cor, quantas voltas o mundo dê… Você se foi e ficou. No som da sua risada guardada na memória, no toque que não se repete, nas palavras que o tempo não levou. Nas piadas sem fim quando sentávamos pra conversar, no seu dominó ainda guardado… Momentos e tempos que não voltam, mas vivem aqui. Enquanto o coração souber seu nome, enquanto os dias trouxerem sua falta, enquanto existir amor, você existirá. Porque o amor mora em mim, em tudo que você me ensinou.
Mãos atadas pelos eriçados teu corpo um livro aberto quero ler sorver folhear respiro o suspiro que vaza quando te prendo nua e gemendo o comando um fio tenso tua entrega puro vício entre ordens e silêncio somos desejo e precipício quando enfim me suplicas por mais vejo teus olhos pedintes boca seca urgente desfaço o nó que te atiça e adoro sentir tua pele quente olhar clemente pedindo piedosamente dois três dedos por entre a gente.
Às vezes, o dia começa sem cor sem voz O tempo corre mas meus passos ficam Se ao menos houvesse um canto onde coubesse o que sou Olho ao redor mas tudo segue igual Carrego um peso que ninguém nota E, em silêncio, sigo sem saber até quando vou aguentar.
Um espelho reflete A imagem de todo o meu querer. Segundos de uma visão que dominam minha mente E me deixam, de repente, ansiando por prazer. Negro lindo, Pênis ereto, Tórax torneado. Imagino-me apoiada na pia, Mãos sustentando o peso de nossos corpos, E você, encaixando-se gostoso. Uma, duas, três, quatro, Palmadas; a bunda arde E me deixa em êxtase. Você dentro de mim, Inteiro, certeiro, quente, pulsando, Minha buceta envolvendo você Pingando tesão.