@calorliterario_
há 8 meses
Público
Era só o jeito que ele passava a língua pelos lábios, distraído, enquanto falava qualquer coisa boba. Mas bastava isso. Umedecia a boca e outras coisas também, sem saber, acendia nela uma vontade antiga, guardada no canto do corpo que não se nomeia.
A água na boca vinha antes de qualquer toque. Era desejo líquido, discreto, escorrendo pela garganta feito lembrança de algo que ainda não aconteceu, mas que o corpo já conhece.
Ela imaginava o gosto da pele, a temperatura da respiração, o som abafado do primeiro gemido. Imaginava sem pressa, porque o desejo é também espera, é saliva que se acumula, é sede que não se mata de uma vez.
E ali, entre uma frase e outra, entre um gole de vinho e o som dos talheres, ela já tinha despido a noite, traçado o caminho com a ponta da língua e batizado o pecado com nome de vontade.
O resto… viria depois … algumas fomes a gente precisa sentir um pouco mais antes de saciar…
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