@calorliterario_
há 8 meses
Público
Era noite, mas poderia muito bem ser eternidade.
O quarto carregava o cheiro doce da pele dela misturado com o sal da minha. Um perfume que não se vende, não se descreve, só se sente quando duas bocas se reconhecem antes mesmo do toque.
Quero me enroscar no teu corpo nu, pensei, mas não disse. Não precisava. Ela sabia. Os olhos dela denunciavam a fome e a entrega, como se cada parte de mim fosse um pedaço de fruta madura prestes a ser colhida e chupada.
Me aproximei, sentindo a temperatura da pele aquecer o ar entre nós. Deslizei as pontas dos dedos pela curva do ombro, descendo sem pressa, como quem decora um mapa antes de partir. E quando os lábios se encontraram, o mundo calou. Só existia a respiração acelerada, a pele arrepiada, a urgência mansa de quem sabe que o tempo ali é só um detalhe. Dedos, mãos tão adestradas buscavam o esconderijo … (sedenta)
Dela bebi a seiva que escorreu algumas vezes (perdi as contas) e me embriaguei, viciei. Um gosto de madrugada, de desejo sem censura. A língua passeava como quem descobre um segredo antigo, desejado e os gemidos vinham como preces sussurradas, pedindo mais, implorando, clamando, querendo.
Saciei a sede e criei outras. Porque com ela, cada toque é um convite. Cada beijo, uma promessa. E não há palavra que baste quando a carne fala, quando o suor mistura e o corpo pede e entrega e toma.
Naquele instante, éramos só nós. Tesão, suor e sal.
E a vontade de nunca mais amanhecer.
Te olhar e não querer novamente foi um sacrifício, paguei meus pecados, desejo encurralado e
bucetinha molhada e o cuzinho piscando ao lembrar de tudo que vivemos.
Quero mais…
quero sempre…
quero você …
Vem!?
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