@joaoedulima
há 6 meses
Público
Saindo mais um livro, ainda em processo de escrita, segue um trecho :
" O laboratório estava mais movimentado do que o normal naquela manhã. Dois drones de defesa estavam em teste de voo estático, suspensos por braços mecânicos, enquanto as telas de monitoramento exibiam gráficos e códigos em tempo real. Ela estava de pé diante do console central, observando uma sequência de simulações.
— A varredura de alvo está com atraso de resposta — disse ela, sem tirar os olhos dos dados. — Alguém mexeu na priorização do protocolo.
— Foi a última atualização do núcleo de comando — respondeu um engenheiro de meia-idade, com o tom de quem não gostava de ser corrigido. — E está funcionando dentro do aceitável.
A jovem cientista virou-se lentamente, o holo-tablet ainda na mão.
— Aceitável não é suficiente para um drone de defesa. Ele precisa reagir antes que o operador humano perceba a ameaça.
O homem deu um meio sorriso, como se estivesse esperando essa resposta.
— Interessante ouvir isso de alguém que só está aqui porque o pai é dono da empresa.
O silêncio tomou conta do laboratório por um instante. Dois técnicos próximos trocaram olhares rápidos, mas ninguém se manifestou. Ela manteve o olhar fixo nele, sem alterar o tom de voz.
— Engraçado… pensei que estivesse aqui porque, aos dezesseis anos, me formei com nota máxima em três vestibulares e fui aprovada para este cargo pela própria diretoria técnica.
Ela passou o dedo pelo visor e transferiu um pacote de código para o núcleo do drone.
— Vamos ver o que é aceitável agora.
O drone suspenso reagiu de imediato: sensores recalibrados, resposta 0,2 segundos mais rápida que o teste anterior. Os gráficos na tela subiram como se tivessem recebido um impulso de energia.
Sem olhar para o engenheiro, ela concluiu:
— Está pronto para entrega. Se quiser discutir protocolos, agende uma reunião. Eu tenho trabalho.
O homem se calou, voltando ao próprio terminal, enquanto o restante da equipe retornava às tarefas, evitando olhares diretos.
Ela manteve a postura até o último instante, terminando de passar as instruções para a equipe como se nada tivesse acontecido. Mas, por dentro, sentia o baque. Não pela acusação em si, já ouvira coisas parecidas antes, e sim porque, por mais que tivesse um currículo impecável, a dúvida sempre encontrava um jeito de se infiltrar. Será que estava ali só pelo próprio mérito… ou porque o pai quis? "
" O laboratório estava mais movimentado do que o normal naquela manhã. Dois drones de defesa estavam em teste de voo estático, suspensos por braços mecânicos, enquanto as telas de monitoramento exibiam gráficos e códigos em tempo real. Ela estava de pé diante do console central, observando uma sequência de simulações.
— A varredura de alvo está com atraso de resposta — disse ela, sem tirar os olhos dos dados. — Alguém mexeu na priorização do protocolo.
— Foi a última atualização do núcleo de comando — respondeu um engenheiro de meia-idade, com o tom de quem não gostava de ser corrigido. — E está funcionando dentro do aceitável.
A jovem cientista virou-se lentamente, o holo-tablet ainda na mão.
— Aceitável não é suficiente para um drone de defesa. Ele precisa reagir antes que o operador humano perceba a ameaça.
O homem deu um meio sorriso, como se estivesse esperando essa resposta.
— Interessante ouvir isso de alguém que só está aqui porque o pai é dono da empresa.
O silêncio tomou conta do laboratório por um instante. Dois técnicos próximos trocaram olhares rápidos, mas ninguém se manifestou. Ela manteve o olhar fixo nele, sem alterar o tom de voz.
— Engraçado… pensei que estivesse aqui porque, aos dezesseis anos, me formei com nota máxima em três vestibulares e fui aprovada para este cargo pela própria diretoria técnica.
Ela passou o dedo pelo visor e transferiu um pacote de código para o núcleo do drone.
— Vamos ver o que é aceitável agora.
O drone suspenso reagiu de imediato: sensores recalibrados, resposta 0,2 segundos mais rápida que o teste anterior. Os gráficos na tela subiram como se tivessem recebido um impulso de energia.
Sem olhar para o engenheiro, ela concluiu:
— Está pronto para entrega. Se quiser discutir protocolos, agende uma reunião. Eu tenho trabalho.
O homem se calou, voltando ao próprio terminal, enquanto o restante da equipe retornava às tarefas, evitando olhares diretos.
Ela manteve a postura até o último instante, terminando de passar as instruções para a equipe como se nada tivesse acontecido. Mas, por dentro, sentia o baque. Não pela acusação em si, já ouvira coisas parecidas antes, e sim porque, por mais que tivesse um currículo impecável, a dúvida sempre encontrava um jeito de se infiltrar. Será que estava ali só pelo próprio mérito… ou porque o pai quis? "