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@ricardoathos

Ricardo Athos
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@ricardoathos
há 8 meses
Público
Arte, Cinto, Pele, Poesia

Entrei de roupa.
Saí atravessado.

Não foi o nu que me expôs
foi a poesia.

Cada palavra que li e ouvi
abria minha pele
como quem rasga um envelope suado
escrito com pressa e tesão.

Não performei.
Me confessei.

Na frente de corpos
que não pedem permissão pra gozar,
mas gozam como quem reza.

Vi bocas molhadas de verso,
outra de sêmen,
e umas que sabiam dizer "quero"
com o olhar cravado entre as pernas.

Teve gemido no palco,
e gemido que ninguém ouviu
mas que ficou gravado na carne de quem olhava.

Teve dor ritual,
tesão cênico,
arte que morde,
corda que prende,
e gozo que liberta.

Vi cenas.
Toquei outras.
Entrei nelas.

O sarau não acabou quando as luzes baixaram.
Acabou quando voltei pra casa
e ainda sentia a arte
escorrendo da minha pele.
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@ricardoathos
há 1 ano
Público
Entre a Corrente e a Chama

O capitalismo, figura possessiva e cruel,
Com suas garras me prende, infiel.
Cobra-me o tempo, a alma e o suor,
E me afoga em tarefas, sem dó nem pudor.
Seus olhos me vigiam, frios e exigentes,
E me cobram perfeição, incessantemente.
Com ele, a vida se torna um fardo pesado,
E me sinto preso, amarrado e sufocado.

Mas eis que surge, no horizonte da semana,
A sexta-feira, a amante que me chama.
Com seu sorriso de fogo, me desamarra,
E me leva para um mundo que me agrada.
Seus braços me envolvem, quentes e macios,
Me entrego de corpo e alma, sem receios
Me afogo em beijos, lascivos e ardentes.
Com ela, me sinto livre, leve, solto e contente.

A sexta-feira me liberta da prisão,
E me leva para um paraíso de paixão.
Com ela, a vida se torna uma aventura,
E me sinto vivo, intenso e sem censura.
Seu toque me acende, me excita, me inflama,
E me entrega ao prazer, sem nenhum drama.
Com ela, me atiro de corpo, alma e coração,
E me afogo em seus desejos, com tesão.

Porém, o capitalismo, ciumento e vingativo,
Me espera na segunda, com seu ar altivo.
E a sexta-feira, amante fugaz, se vai,
Deixando-me órfão, com a alma em contradição.
Mas a chama da paixão que ela acendeu,
Em meu coração, para sempre te chama,
E a doce esperança de reencontrá-la,
Me mantém forte, até o próximo fim de semana.
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@ricardoathos
há 1 ano
Público
Jardim de transformações

Num lampejo de clareza, os corações se abrem,
Para ver além das cercas que eles mesmos ergueram.
Eles descobrem que a transformação é um jardim em flor,
Onde a mudança pode ser o solo fértil do amor.

O vaso de vidro se quebra, e as raízes se expandem,
Buscando nutrir-se no terreno vasto e livre.
A exclusividade cede espaço à compreensão,
E a fidelidade ganha nova forma, sem restrição.

Os espinhos que outrora feriam, agora são lembranças,
De um passado que moldou, mas não define a essência.
Eles aprendem que amar também é soltar,
Permitir que o outro respire, floresça

Como as estações que mudam, trazem renovação,
Assim os corações encontram uma nova canção.
Desafios se tornam oportunidades de crescer,
E a felicidade, antes tênue, começa a florescer.

O amor perfeito se torna autêntico e livre,
Um poema contínuo, sem fim, sempre a se reescrever.
E assim, nesse jardim de transformações e acolhimento,
Eles descobrem que a felicidade é um eterno movimento.

Ricardo Athos
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@ricardoathos
há 1 ano
Público
Confiança, respeito e liberdade para ser quem somos.

Ricardo Athos
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@ricardoathos
há 1 ano
Público
Jardim de Convenções

Em um jardim de convenções, onde as regras se entrelaçam,
Nasce o amor perfeito, aprisionado em um vaso de vidro.
Duas almas, como flores solitárias, murcham sob o peso,
Enquanto a exclusividade, como um espinho, perfura o verso.

O sol, testemunha impiedosa, queima os sonhos sutis,
E os corações, outrora livres, definham em cárceres frágeis.
Cada olhar é uma promessa selada, mas também uma prisão,
E a fidelidade, como um contrato, exige razão.

Como as pétalas que se desprendem ao vento,
Assim se desfazem os desejos, sufocados pelo tempo.
O amor perfeito, agora imperfeito, é um paradoxo,
Um poema riscado, onde a exclusividade se torna sufoco.

E há desafios, como nas estações do coração:
Invernos de rotina, primaveras de expectativas vãs.
A fidelidade é um delicado equilíbrio, mas também um grilhão,
Onde o amor perfeito se afoga em águas turvas, sem refrão.

E quando a noite cai, e os sonhos se tornam sombras,
Os amantes se perguntam: "Será que isso é tudo o que somos?"
A exclusividade, como a flor que desabrocha e se esvai,
Lembra-nos que a liberdade também é uma forma de amar.

Ricardo Athos
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