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@tiagoandreatto

Tiago do Amaral Andreatto
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@tiagoandreatto
há 2 meses
Público
>> Intervalo

Tô no intervalo,
Me dá um tempo
Pra preencher cada lacuna,
Botar de pé cada coluna

Do lado errado,
Sempre estive do lado errado
É sempre um fardo, me disseram
Reescrever a mesma história
Antes passado… hoje passado…

Tô no intervalo,
Só duas casas é que separam
O fim da estrada e o começo
Da pasárgada… Haverá bandeira hasteada
Haverá bandeira hasteada?
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@tiagoandreatto
há 7 meses
Público
>> Modernidade

Andamos cegos ao desfiladeiro,
As notas escoando do gordo globo,
E as sombras, cada vez mais abaixo

As víboras nos abraçam com força,
E fartos, seguimos comendo as beiradas
Reclusos as gaiolas escancaradas

A saída, uma tecla inalcançável,
A pomba branca já não aguenta o peso da granada
E as mentes insanas dominaram as ruas

Um poço, uma piñata, uma batata queimando
Triturando as florestas transformando-as em códigos
Tão crível que as borboletas se foram

Serrados os dedos, mantiveram-se ocupados
Amarrando os balões com as cores do arco-íris
Sugando o recomeço à espera do fim de todos
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@tiagoandreatto
há 7 meses
Público
>> DESERTO

E as promessas que não iremos cumprir
Seguimos fazendo-as, só pra distrair
À espera do céu, que dizem, vai intervir
E enfim teremos motivos pra sorrir

O fôlego gasto ficará para trás
E os lábios, nem se lembrarão das palavras a mais
As preces, as pragas, maldições em vão
Rotundos redutos criados para manter as crianças acordadas, com medo da noite

E as algemas que iremos aceitar
Nos permitindo deixar de sonhar
Um inferno tal qual o paraíso que insistem em desenhar
Afim de algo que nem eles são capazes de notar

Sôfregos nos tornaremos
Inquietos, anárquicos, nos perderemos
Então a visão ficará clara,
Assim como a paisagem no deserto a nossa volta
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@tiagoandreatto
há 8 meses
Público
Fora do casco
Formam-se cascas
Deixam-se lascas
Perdem-se as castas

Alongam-se as costas
Em busca de rotas
Mais próximas à encosta
Na certeza da resposta

Cresce-se a lista
Sensação quase mista
À medida que arrisca
Perder-se de vista

No rosto
Qual gosto?
Desgosto
Ou delírio pelo novo posto?

--> Casco Partido
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@tiagoandreatto
há 9 meses
Público
Que se abra uma fenda no tempo
Pra esconder todos os erros, defeitos
E tudo mais que se possa deixar

E na realidade paralela criada por ela
Que seja constante a inconstância ofegante
De nunca saber onde é que vai dar

O mistério é o que move o segredo
E move o tempero que torna o insosso
Fruto proibido nesse lugar

Quimera da vida, achar que se basta
Na ilha perdida que se encontra
Em lugar comum
Tão comum
Que nem se pode imaginar

Quisera o querer ser mais do que um ser
Vislumbre desejo que não vence o medo
De ser um finito, buraco no tempo escondido
Que não se pode enxergar

Que se abra uma fenda no tempo
Leve consigo todo o mal intrínseco
Que o bem não é capaz de apagar

E na realidade dispersa
Indigesta e inquieta
Tão farta de tudo
Que falta espaço no espaço infinito

Paradoxo do tempo, buraco no tempo
Que um dia não há de acabar
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@tiagoandreatto
há 10 meses
Público
Dentre todos os textos da série "12 Textos p/ Teatro", com certeza este é um dos mais desafiadores. Recorrer à poesia para contar uma história tão dolorida a tantos é, talvez, o desejo interno de suavizar o que não pode ser suavizado, mas que nunca pode ser esquecido.

>> E CONTINUAMOS CONTANDO...

Abri os olhos,
Mil corpos, deitados à minha direita, mil corpos à minha esquerda.
Aos poucos eles se levantaram. E fomos seguindo, caminhando, feito uma criação que
nasce, cresce e se alimenta, até que chega o dia do abate.

Ian - Já vou! Mas você tem mesmo certeza que é seguro lá fora?

Edwiges - Tenho sim! Não precisa se preocupar! Eu já falei com o Vladimir e também com o Hans e eles prometeram te deixar em paz. Aliás, também disseram que não vão mais brigar.

Ian - E você acreditou neles?

Edwiges - Eles pareceram sinceros. Pareceu-me um acordo sério… De cavalheiros!

Ian - Tá bem! Eu vou com você, mas pra onde vamos?

Edwiges - Vamos brincar de esconde nos campos de trigo? Eu adoro e dá pra gente chamar todo mundo.
Como era lindo brincar nos campos de trigo. O Sol iluminava os cabelos ruivos da Edwiges e eles brilhavam… feitos estrelas. O Hans e o Vladmir, sempre brigando, com todos e às vezes entre eles. E quando isso acontecia, todo mundo se envolvia e não tinha como ficar de fora. Estava feito no mundo o estrago.

Hans - Ei Ian! Nós fizemos um trato!

Vladmir - Isso mesmo! E chegamos a uma conclusão.

Hans - Nós prometemos a Edwiges que te deixaremos em paz!

Vladmir - E que não vamos mais brigar entre a gente!

Ian - Nossa! Fiquei surpreso, com tal decisão. Tão adulta.

Hans - O que você quis dizer com isso!? Está zombando da gente, seu…

Vladmir - Calma Hans! Olha a promessa! E a Edwiges tá olhando.

Hans - Você tem razão! E quer saber!? Nós estamos nos tornando adultos sim e não podemos perder tempo com essas bobagens.

Vladmir - Isso mesmo! Chega de perder tempo com bobagens.

Edwiges - Vocês vão se esconder ou não vão!? Faz meia hora que estou contando aqui!

Hans - Tinha até esquecido!

Hans / Vladmir - Vamos!!!

Ian - Eu vou também!

CONTINUA EM BREVE...
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@tiagoandreatto
há 10 meses
Público
O 8º texto da série "12 Textos p/ Teatro Que Escrevi Enquanto Estava Falido" se chamará "Os Cartazes de Ontem".

Que tal uma espiadinha no prólogo da história!?

-- PRÓLOGO

Acordo no meio da noite e ela está lá… na borda da ponte olhando pra baixo. As águas correm ferozes, devido às fortes chuvas dos dias anteriores, expressando sua fúria pelos lixos acumulados por toda sua extensão.

Ela segue lá, imóvel e olhar fixo… perdido.

Só me passa uma coisa pela cabeça, uma dúvida… A salvo ou a empurro?



A cama estava molhada. A roupa molhada do suor frio que reinara na madrugada.
Que alívio! Era só um sonho…

Era só um sonho, né!?



Uma carta sob a escrivaninha, com a assinatura dela e os dizeres:

Nunca te perdoarão pelo que você fez, mas obrigada por acatar o meu último desejo.

O papel velho e amassado, ainda cheirava a tinta… Tinta e chuva.



As ruas estão encharcadas. A chuva se foi, mas nossas lágrimas demorarão muito para secar. Já os cartazes de “desaparecida”, apenas alguns sobraram inteiros. Os demais se foram assim como tudo na vida que se vai… como nós, que um dia também fomos ou será que poderíamos ter sido. A mente já cansada me confunde às vezes e já não sei o que é hoje, ontem ou amanhã… Nem sei mais se a gente é verdade.



Ainda me lembro do dia em que você partiu, mudando-se pra tão longe. As crianças inseparáveis que corriam pela rua de terra, ignorando a presença do tempo, deixaram de existir ali, só restando um fragmento esquecível. Fragmento este que ficou guardado durante tanto tempo.

Anos depois ouvi notícias de que estava internada à beira da morte. Havia cortado os pulsos, num pedido de socorro, um clamor por algo ou alguém e eu não estava por perto.

E foi um pouco antes de saber desse acontecido, é que os sonhos começaram… Malditos pesadelos!
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@tiagoandreatto
há 10 meses
Público
Hoje não estou a fim
De estar aqui ou ali,
Ou em qualquer outro lugar

Hoje só não quero estar,
E já é um bom começo, eu acho
Saber o que não se quer

Sequer pensei, por um segundo, estar presente
Mas parte das obrigações da vida
Ter essa fagulha de nada, dividida
Com semelhantes, entes pensantes

Que provavelmente pensam o mesmo
Desejo de não estar a fim de compartilhar
Com alguém igual a mim, o nada
Que deveria saborear na solitude
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@tiagoandreatto
há 10 meses
Público
Que grosseria, nos tempos atuais, desejar pra alguém um bom dia!
Violentar assim o direito do outro em se contentar com o que é pouco
Querer para ele a alegria, que talvez, mesmo você não queria

E quem é gostaria?

Ter um verdadeiro bom dia, pra ficar relembrando e revisitando
Fazendo de todos os outros, perca de tempo, esquecíveis
Covardia essa, transferir para o semelhante essa carga tão sufocante
Só pra satisfazer o teu ego… tão educado ego… tão invasivo ego

E quem não é egocêntrico, hoje em dia?

Tá se enganando e mentindo pra si mesmo. Que vergonha alheia!
Se preocupar com o planeta, as plantas, os animais… e a gente?
Onde é que fica a gente, nessa busca de completar os “bons dias” tão intransigentes?
Até gostaria que fosse diferente, mas como seria plausível dizer que é. Quando?

Quando é que o dia de hoje, deveras seria um bom dia?

Tenho a esperança inocente de ser o amanhã, restando-me apenas sobreviver no silêncio,
Ou na manifestação do meu protesto que lhe entrego toda manhã
Desejando a você um grandíssimo “Bom dia!”
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@tiagoandreatto
há 10 meses
Público
E quem disse que o #sexxxtou acaba!? Mas só vale ler devorando bem devagar cada... palavra.

Proibido,
Que palavra de gosto amargo
Um doce convite

Estar diante das portas do céu
Desejando intensamente
Ver as aréolas caindo

Imaginar buracos escondidos
Querendo entrar em todos eles
Alimentar a fama de bandido

Distribuir palmadas leves
Até receber pedidos de mais força
Convite a ser dos prazeres submisso

Proibido,
Paredes já não existem no ali contido
Rapto da realidade da carne

Imaginação segue longe
Precisa de um freio
Pra não ultrapassar a libido

Um jogo de poder delirante
A gritos que revelam o enlevo
De ser e estar embalado pra presente

Incêndio que arde
Evapora cada líquido
Recende os cheiros e acende cada sentido

O ápice surge,
Proibido dizer não
Ao pé do ouvido

Deliciosa prisão
Estar livre para devorar
Cada centímetro de pele compartido
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