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Qual a real distância entre fé e afastamento,
Se há um vínculo infracionável nestas duas discordâncias
Onde uma anda, a outra é vigilância
E na falta duma, a distinta é só exuberância

Desconfiar, na maioria das vezes, é o primeiro passo para crer
E até o mais cético entende que não há pra onde correr
Só que o crédito cego, pode levar a falência
E os agiotas não esperam nenhum dias mais para na porta bater
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Poema em homenagem a @MarU , nosso inspiradora dos mais belos sentidos. Espero que esteja à altura e claro, escrito com todo o respeito que uma musa merece.

***

Se não me vigio, me perco
Me prendo e me cedo por inteiro
Em cada linha, em cada frase me derreto
Deste poema quente, que torna o fogo obsceno

Se não me percebo, só lhe percebo
E logo me rendo neste enredo
Uma rede e um beijo, longo e sorrisos
Nada mais erótico que esse sonho contido

Se não me seguro, me vejo em sua pele
Segurando por debaixo da renda
Bendita saia que convida e nela me lambuzo
E lhe ouço em gemidos, nada contidos

Se não me contenho, me entrego
E lhe entrego tudo o que desejas
E sob a mesa, somos dois corpos alimentados
Saciados, sem pudor nem julgamentos

Se não me acordo, me mergulho
Em toda a calda sabor cereja
Que contém tudo aquilo que o dia almeja
E que um dia, em nosso encontro, assim seja

>> Poema dos Sonhos Hipotéticos
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3 trechos na dramaturgia "Fios", que deram um nó, bem apertado, na garganta, na hora de escrever e reler:

1º Alguns acham que morrer é um ato de coragem! Mal sabem eles como é corajoso respirar o ar impuro de hoje em dia, dia após dia.

2º O Sol levantou-se mais cedo naquele dia. A chuva parou, mas o arco-íris não veio.

3º Foi um erro. Quando é que eu achei que poderia cuidar de uma criança, sozinha, nesse mundo louco.

E você? Já leu?

Deixa aqui nos comentários, o que achou da história. Vamos nos conectar um pouquinho mais.
Público
Se você deixa… O universo te puxa
Só que sem a devida atenção,
É perigoso ser arrastado para um lado
Em que a saída está a quilômetros do chão

Onde se vêem distâncias
Eu enxergo fios
E nos buracos, que a maioria se desvia
Existem milhares de tubos e conexões

Na terra há diásporas
Se conversando o tempo todo
E se convencendo de que
No ser humano ainda há razão

Se você deixa… O universo te guia
E com a devida atenção,
Sente-se cada pingo de energia
Elevando-nos ao mais alto cume

E já não se vêem distâncias
Só um emaranhado de fios
Preenchendo as lacunas
Com os sonhos e segredos

Diásporas, que habitam na terra
No ar, na pele e no coração

, Tiago Andreatto
Público
O futuro é muito mais do que um mero remendo do passado, enfeitado com quinquilharias.

O futuro é a realidade, palpável, que construímos dia após dia e para que funcione as conexões precisam ser humanas.

Prepare-se... O futuro está a um passo, diante dos seus olhos!
Público
Hoje abri a porta errada
Sai pra rua, era desconhecida
Caminhei na bifurcação,
Andei na contramão
E me encontrei comigo

Logo, uma, duas, três
E muitas mais versões
Baita confusão,
Uma eterna discussão
Sem nenhuma conclusão

Ninguém tinha razão
E todos tinham-na na palma da mão
Na prontidão de serem atiradas
Para todos os lados

Os ouvidos tapados,
As bocas armadas até os dentes
Corações acelerados, enfurecidos
Sem qualquer explicação

Quem eu queria, quem eu era,
Quem eu deveria ser
Uma batalha em que eu
Não ousaria me meter

Mas como não estar inserido
Como evitar o litígio
Se os elos que unem
São os mesmos que separam

E o resultado, apenas sobras
Bem distante daquele que cobra
Um desfecho que dobra e se desdobra
Pra aparentar ser algo que se encaixe

Um enlace entre as centenas de “eus”
E os milhares de “você”
Faces e faces, sem nunca se entender
E muito menos saber os porquês

>> Entre a Porta Errada, Tiago Andreatto
Público
Você Tem Certeza? (Prévia 3)

Adriana - Bom dia!

Atendente - Bom dia! Posso ajudar?

Adriana - Eu vim para a seleção de atores.

Atendente - Perdoe senhora. Não me informaram de nenhuma seleção. Vou perguntar e já volto.

Adriana - Tá bem!

A resposta de Adriana veio carregada de uma tensão crescente, oriunda da ansiedade que tomava conta de todo o seu corpo. Desde pequena ela sofria com taquicardias e sudoreses em situações que fugiam de seu controle. Sua mãe a colocou no teatro por causa disso e a arte foi grande aliada, ajudando-a a melhorar bastante.
Só que desde o telefonema e a possibilidade de uma nova chance de mostrar o seu valor, ela sentiu-se mais tensa do que o normal. Não conseguira dormir direito e isto estava incomodando-a demais.

Atendente - Realmente Dona…?

Adriana - Adriana! Adriana Amorim.

Atendente - Então, Dona Adriana. Não está havendo nenhuma seleção aqui hoje. Pelo menos, não nos avisaram nada.

Adriana - Está bem… (um tanto decepcionada)



Tamara - Adriana!? Perdoe o atraso!

Adriana - Imagine… Acabei de chegar também!

A voz suave, mas também imponente, surgiu como um tiro, daqueles certeiros e causou uma espécie de rebuliço, uma espécie de combustão, que transformou a antiga tensão em um novo tipo de tensão. Uma dessas que não acontecem rotineiramente, nem propositalmente. Uma dessas tensões que chegam sem avisar e que há tempos Adriana não sentia.

Adriana - (Uau! Não sei se fico insegura ou fico excitada… O que eu tô dizendo!? Tá pensando que tem quantos anos? 15?... Foi uma época boa, mas eu era uma criança. Nada a ver agora! Você é uma mulher casada! Para de pensar bobagens)

Tamara - Vamos escolher uma mesa?

Adriana - Claro, claro! Te acompanho.

Tamara - Aquela, naquele cantinho charmoso. Tem uma vibe bem romântica.

Adriana - (Romântica!? O que ela quis dizer com isso?) - Ali tá bom.

Tamara, desde pequena, foi dessas crianças que atraíam todos os olhares. Inicialmente pelas manhas barulhentas que fazia. Filha única, fazia escândalos que envergonhava os pais, que gente da mais alta classe, tentavam resolver tudo com uma boa conversa. A pequena já era muito esperta e se aproveitava disso a seu favor.
Na adolescência os meninos babavam por ela e as meninas também. Todas queriam ser ela. Já na vida adulta, as coisas não mudaram muito e ela adorava… Adorava “maltratar” os homens.

Tamara - Perdoe. Sinto que você está um pouco tensa, um pouco nervosa. Eu entendo!

Adriana - (Entende? Como assim!? Será que ela sentiu a mesma tensão que eu senti?) Ah… Só um pouquinho, mas é que a vida profissional tem sido um pouco difícil ultimamente e de repente surge essa ligação… a sua ligação, falando do teste para elenco. Confesso que fiquei um pouco ansiosa… Mas, me diz mais sobre a seleção.

Tamara - Nós chegaremos lá… Tenha calma. Vamos aproveitar o café… Ainda temos tempo pra conversar sobre todo o resto. Agora eu quero é que você pegue o cardápio, análise bem e escolha aquilo que você sempre teve vontade de experimentar, mas por acasos, nunca provou.

Adriana - (Como ela consegue? Me deixar super nervosa e extremamente calma ao mesmo tempo. Que tempero é esse que ela tem que me atrai dessa forma?) Humm… Tentador esse convite, mas não vim preparada para extravagâncias. Vou ficar no cafezinho básico mesmo.

Tamara - Deixa disso, Dri. Eu sinto que você não é dessas que se contentam com o básico da vida. Dá pra notar, te olhando, que você tem uma ânsia por experimentar coisas novas, novos sabores… Então vai! Faz isso, que é por minha conta. É o meu primeiro presente pra você.

Adriana - (encabulada) Primeiro presente!?

Tamara - Sim, presente! E de onde eu venho, presente a gente não questiona. A gente só aceita.

Adriana - Então, tá! Mas me diga, de onde você vem?

Tamara - Eu venho do mundo! Venho de todo o lugar e ao mesmo tempo de nenhum em específico.

Adriana - (Então você é dessas “femme fatale”, toda cheia de mistérios… interessante. Será uma andarilha, que pula de galho em galho sem criar laços… Ah! Como eu queria ser assim) E desse lugar aí que você veio, tem alguma explicação para não ter mais ninguém aqui para a seleção ou está esperando mais alguém? (Ai socorro! Será que eu fui muito grossa? Não devia ter perguntado desse jeito, deselegante.)

Tamara riu, mas não foi daqueles sorrisos fáceis de decifrar. Estaria ela rindo da maneira, sem jeito, de Adriana perguntar? Ou estaria ela rindo de Adriana. Um riso de superioridade de alguém que está no comando da situação, podendo controlar os rumos da conversa, da maneira que quisesse.

Tamara - Não… Não vem mais ninguém. É apenas você que eu quero!

Tá quase pronto e chega primeiro aqui no Literunico. Breve na Loja
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Você Tem Certeza? (Prévia 2)

Adriana - Bem que eu poderia ter aceito aquele papel no musical do Shrek. Assim teria dinheiro pra fazer as coisas que quero sem depender de ninguém. Mas não. A Adriana sempre sendo Adriana, sempre cheia de ideais e moral e… sempre de bolso vazio. Difícil isso. Fazer arte hoje em dia é morrer de fome.

Adriana sempre gostou de ler, de tudo. Consumia livros e livros e não só em português. Também lia em espanhol, inglês, francês. Não entendia tudo, mas lia, do seu jeito. Já escrever era um problema. Hora era bloqueio criativo, hora era um compromisso inadiável, hora era o último capítulo da novela. Escrever um projeto pra Edital então, nem pensar. Até tentou com amigos e teve uma vez que contratou profissionais pra escrever os projetos pra ela, mas nada ficava do seu agrado. Difícil!

Carlos - Não acho certo isso de “gourmetizar” as coisas, só pra cobrar mais caro. É se aproveitar da bondade das pessoas. Mas sempre foi assim, desde o início dos tempos, gente querendo se aproveitar das pessoas. Vê lá na Bíblia, os comércios nos templos. Um bando de aproveitadores.

A vida dos dois poderia seguir assim, nessa rotina de conversas recheadas de desencontros e entrelinhas não lidas. No entanto, um telefonema mudaria tudo.

Ah! Se Adriana recusasse a ligação daquele número desconhecido. Certeza que a história seria diferente. Certeza!?

Adriana - Telefone tocando!? A essa hora?

Carlos - Quem é que liga no fixo hoje em dia? Só pode ser cobrança! Você tá com alguma dívida que não me disse?

Adriana - Do jeito que você vasculha todas as contas, eu nem conseguiria, Carlos.
Estranho! Desconhecido?

Carlos - Atende!?

Adriana - Atendo!?

Carlos - Não deve ser nada importante. Mas se for atender, atende logo que já tocou duas vezes. A pessoa vai desistir.

Adriana - Não sei. Estou com um pressentimento estranho.

Carlos - Me dê aqui! Deixa que eu atendo!

Alô! Sim… É sim… Sobre o quê seria?
Uma seleção! Vou passar pra ela.

Adriana - Me dê aqui!

Carlos - Não vai recusar dessa vez!

Adriana - Não me atrapalhe, senão eu não ouço!

Tá bem… Posso sim… Amanhã de manhã no “Le Bistrô”.
Combinado. Muito obrigada!
Qual o seu nome mesmo?
Estranho… Desligou.

Carlos - E aí, me conta. Qual é a arte que vai aprontar dessa vez?

Adriana - Não sei. Ela não me deu muitos detalhes. Disse que amanhã, no café, explica melhor.

Carlos - Vê lá heim!? Se a proposta for boa, não vá recusar. E caso seja furada, nem entre “viu”. Nós não precisamos de mais gastos.

Adriana - Você não confia mesmo, né!?

Carlos - Eu confio! O problema é que eu te conheço e não esqueci ainda da última.

Não é que Adriana não ganhava dinheiro com sua arte. O problema é que ela gastava tudo que ganhava na produção do próximo espetáculo. E sempre havia o próximo e depois o próximo. “Está pronta a obra que vai revolucionar o teatro. Será um sucesso!”.
Nunca era, mas ela não desistia.

“Le Bistrô” era um lugar conhecido pela comunidade do teatro. Se reuniam lá atores, escritores, poetas, cantores e toda a bicharada “importante” da cadeia alimentar.
Os papos sempre iam até altas horas, regrados de muitas ideias “absurdas”, revolucionárias, filosóficas e de vez em quando até artísticas. Quase sempre as ideias não saíam do papel, mas quando saíam eram um evento inesquecível… até a semana seguinte.

Em Breve a obra completa, disponível na Loja do Literunico
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Tantos passaram por aqui
Tantos iguais e tantos diferentes
De viajantes do tempo a lunáticos,
Sempre apressados, sempre correndo

Tantos ficaram, tantos partiram
Locomotivas arrastando o trem do destino
Pelas mais variadas estações,
Até mesmo as mais remotas e desconhecidas

Extraterrestres, mutantes,
Forasteiros num velho oeste
Repleto de sujeitos de olhar torto
Repletos de medos..
Medos interiores e interioranos

Mocinhas se derreteram em amores
Amores que se perderam nos becos
Os que se diziam mais machos
Se rebelaram e se revelaram
Uma grata surpresa,
Honestos consigo mesmos

Tantos esqueceram seus ideais
E tantos os acharam
De tanto cavucar, encontraram petróleo
E o ouro tão sonhado

Tantos morreram na busca
E tão logo foram esquecidos
Já outros deixaram herdeiros
Que transformaram tudo em dívidas

Tantas dívidas,
Tantas dúvidas,
Tanto de vida…
Fora um trem que passara tão veloz
E quase sempre desgovernado