Estranho, saber que um dia já fomos conhecidos, Que já moramos na mesma casa e até tínhamos os mesmos objetivos E quando a casa se foi e com ela, aos poucos a gente se partiu sorrindo
A amizade, na palavra, se manteve… distante, Mas a convivência, ou melhor, a sua ausência Tornou-se presente, deixando a substância que dava vida ao substantivo Apenas morando numa lembrança boa do passado
Que não era perfeito, porém, havia ali mil significados, Singelos sim, mas vazios nunca e a gente cuidava com tanto esmero Uma somatória de “queros”, que se juntavam em ondas e se propagava Até rebentar na areia e se desfazerem feito espuma
Estranhos éramos, até nos conhecermos pouco a pouco Tantas afinidades, tantas qualidades mútuas, conjuntas, Esfaceladas pelo propósito, cada um buscando o seu, Do jeito que tem que ser… Do jeito que deveria ser...
E desconhecidos tornamos a nos ver Mas… Um pouco menos desta vez
E se hoje você parasse e sentasse na calçada E convidasse aquela amiga de longa data Que você não vê faz tempo e ficassem lá Jogando conversa fora, falando sobre tudo e também sobre nada
E se somente hoje, sua vida não fosse correr pro celular Pra tentar esquecer que o mundo já não é mais um belo lugar E que o tempo, sempre inquieto, não para de passar E que logo ali, ali pertinho, ele vai te ultrapassar
O “E se” desse hoje, viraria poesia E então a outra versão sua, aquela lá do futuro, Enfim teria, mais um dia gostoso pra se lembrar E esse dia, talvez até se tornasse, um representante perfeito De todos os “E ses” do tempo.
Que bom seria, se você, só por hoje, lhe desse esse tempo.
Qual a real distância entre fé e afastamento, Se há um vínculo infracionável nestas duas discordâncias Onde uma anda, a outra é vigilância E na falta duma, a distinta é só exuberância
Desconfiar, na maioria das vezes, é o primeiro passo para crer E até o mais cético entende que não há pra onde correr Só que o crédito cego, pode levar a falência E os agiotas não esperam nenhum dias mais para na porta bater
Poema em homenagem a @MarU , nosso inspiradora dos mais belos sentidos. Espero que esteja à altura e claro, escrito com todo o respeito que uma musa merece.
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Se não me vigio, me perco Me prendo e me cedo por inteiro Em cada linha, em cada frase me derreto Deste poema quente, que torna o fogo obsceno
Se não me percebo, só lhe percebo E logo me rendo neste enredo Uma rede e um beijo, longo e sorrisos Nada mais erótico que esse sonho contido
Se não me seguro, me vejo em sua pele Segurando por debaixo da renda Bendita saia que convida e nela me lambuzo E lhe ouço em gemidos, nada contidos
Se não me contenho, me entrego E lhe entrego tudo o que desejas E sob a mesa, somos dois corpos alimentados Saciados, sem pudor nem julgamentos
Se não me acordo, me mergulho Em toda a calda sabor cereja Que contém tudo aquilo que o dia almeja E que um dia, em nosso encontro, assim seja