Público
#desafiodeescrita @literunico
De repente
Me pego olhando lá longe
Me concentro no horizonte,
Aquela linhazinha que separa o céu da terra
E silêncio…
Me volto pra dentro um pouquinho
Sinto as batidas do coração
O licor avermelhado que corre nas veias
O remexer de ossos músculos que revelam a idade e… tão de repente,
Silêncio…
A minha volta as paredes ouvem tudo
Mas não respondem, rebatem ou discutem
Apenas uma observação atenta do sofrimento oculto que se revela no silêncio
E mais uma vez de repente
O trovão rompe os céus e as águas se derramam
Tocam o chão como lágrimas que desejam avisar algo
Assim como tudo mais, a chuva passa e só me resta o tenebroso silêncio
E cada silêncio que se segue,
Um após o outro é uma lembrança
Do real valor da sua presença
Pra colorir e equilibrar o som que move o meu universo
Abrir
2 curtidas
1 comentários
Público
>> Grupo Seleto
E sempre a mesma roda
E a insistência de que ela gira
E que difere da inventada a “mileanos” atrás
E sempre os mesmos rostos
Caricatos, pomposos
Diplomados com os mesmos gostos
Insosso, penoso, custoso
As falas divergem por capricho
Insistem até convergirem no lixo
Esgoto instalado no encosto prolixo
Na morada do eterno e mesmíssimo bicho
É fogo!
Um gozo de prepotência
De mais alta “consciência”
Até chamam de ciência
A arte de inventar incalculáveis meios
Pra ressignificar a mesma roda outra vez
Abrir
2 curtidas
0 comentários
Público
>> E O SAPO VIROU PÓ
Os ponteiros apontam,
Os canteiros afrontam,
A paz é tão bela,
Mas tá sempre em trégua
A ordem natural
É a desordem sem igual
Receios,
Que nada se mude
Ilude,
Em lotes pré-moldados
Recreio,
É uma vida paralela
Um beijo,
E o príncipe vira um sapo
Que feio…
Rodeios onde levam,
Morteiros, quem elevam
A jovem cinderela
Não reconhece a régua
A corte é tão banal
E o corte é sempre igual
Feridas,
Avenidas em aberto
Falidas,
Até o carnaval
Benditas,
As putas no jornal
Vendidas,
Todas as almas no final
Que feio…
E o sapo virou pó
Feito o sapatinho de cristal
Abrir
2 curtidas
0 comentários
Público
#desafiodeescritaA luz sobrepassa ao pequeno furo do telhado
As teias de aranha brilham no teto
A comunhão de cores quase imperceptíveis é um aviso do que está por vir
O sopro na janela é um alívio
No pensamento um farto rodízio
Uma mistura de ideias mal passadas
E um fervor de queimar o carvão
Não há uma obrigação
Não existe uma motivação aparente
Apenas um vão no espaço-tempo, dentro
Denso e intenso, desejando ser preenchido
Em pauta um contrato vitalício
Uma necessidade de não desperdício
No céu, provavelmente não haverá fogos de artifício
Talvez, um forte indício que ganhar ou perder
É indiferente ao precipício
Já não importa o princípio
Nem o resultado finito
Apenas o ato de consumir toda a tinta e o grafite
E dar a eles um nobre significado
Abrir
2 curtidas
1 comentários
Público
Experimentando algo diferente aqui, a partir de hoje, assumindo um compromisso interno de compartilhar algumas bagagens em excesso e outras deliciosas de carregar.
>> A Saga do Papai Noel e a Bota nº35 e do Chapeleiro sem Chapéu
#epub em anexo
Abrir
3 curtidas
0 comentários
Público
>> Erupção (Conteúdo FREE)
Quando a pena se junta às nuvens
Muito do que foi contado se vai
Mas as pedras lançadas por Jenny
Como queria, que necessárias não fossem mais
O oitavo andar até pôde ser algo plausível
Diante dos horrores e pesadelos
Mas ninguém é merecedor de crucificação
Muito menos as vítimas, que invariavelmente
Sofrem com os dedos apontados e olhares de vilão
Tem coisas que mudam lentamente
Outras não mudam jamais
A falha do homem reside na crença
De se achar que é perfeito demais pra errar
Derrubam-se as casas e as cartas do castelo
As plantações secam e contaminam o solo
O mal resiste e reside escondido
Vivendo onde mais se esperava proteção
E rouba dos sonhos os pedacinhos
Deixando os desenhos sem sentido
A distribuir versões mentirosas
Que sugam o gosto todinho
No fim os corpos declinam no campo de batalha
Deixando lições por poucos apreendidas
E com armas sempre em mãos
Sem pena nenhuma na erupção
Abrir
4 curtidas
0 comentários
Público
>> Encontro Com o Acaso
Hoje a gente se olhou
Hoje a gente sorriu juntos
Eu não te conheci
E você seguiu sem saber quem eu era
Mágico momento,
Gravado num tempo qualquer
Que talvez só volte a se encontrar
Numa outra era
Vamos deixar marcado
Esse encontro com o acaso
Não precisa acontecer
Nada demais a partir daí
Apenas mais um sorriso e um olhar conversando entre si
Num diálogo que nem você ou eu
Saberemos distinguir
Uma conversa sem palavras
Sem falas marcadas
Somente um roteiro vagabundo
Inspirado nos mais belos clássicos do cinema mudo
Dessas que deixa saudade
E uma vontade incontrolável e incoerente
De rever o que se sente
Enquanto a gente pro coração mente
Que amanhã será como hoje
E mais uma vez a gente vai se ver
E se conhecer, por acaso, naquele breve segundo
Conteúdo FREE
Abrir
4 curtidas
0 comentários