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Você tem certeza? (Prévia)

(Adriana é atriz.
É Sonhadora, engajada, vive questionando o seu papel no mundo.
Ela é daquelas que sobe no palanque e grita aos quatro cantos os seus incômodos, as suas dores, as suas ânsias de vômito…
Adriana “só” queria ser ouvida o tempo todo, e não só de vez em quando, num mundo governado por homens.)

Adriana - Você já percebeu que todo mundo tem certeza, de tudo, hoje em dia!? Todo mundo acha que tá sempre certo!

(Carlos é contador.
Viciado em números, sempre preocupado com as contas a pagar, os gastos “desnecessários”, segundo ele e a forma como a população reclama de barriga cheia, segundo ele.)

Carlos - Estão todos certos! Você viu o que falaram sobre a economia no jornal? Eles estão certos! O povo tem de parar de gastar a toa e comprar do mais barato. Agem como se caviar fosse café da manhã!

(Surpreendentemente, ou não tanto assim, os dois são um casal. Você pode até achar isso a coisa mais normal do mundo. Talvez até seja, mas quem é que tem a certeza disso?)

Adriana - Tô cansada de me mandarem textos superficiais, todos cheios de razão. Tudo mastigadinho pro público, pulando de afirmações e afirmações sem chegar a lugar algum. Será que o mundo virou uma música Pop? Quatro acordes que repetem, vem e vão e todo mundo fica satisfeito porque sabe cantar o refrão?

(Adriana é dessas artistas que odeia histórias infantis. Encenar Chapeuzinho Vermelho ou Cinderela seria um pesadelo, praticamente a morte de sua arte. Na sua playlist toca tanta música que ninguém ouviu falar, que não adiantaria mencionar aqui. Vocês não iriam conhecer.)

Carlos - Eu me contento com meu pãozinho com café pela manhã, meu arroz e feijão no almoço e no jantar, de vez em quando eu belisco algo. Afinal tenho de cuidar do peso. Se bem que, você notou que trocaram o padeiro lá do mercadinho. O pão veio diferente da última vez. Não gostei do sabor!

(Para Carlos, qualquer mudança na rotina é um filme de terror. Ele sabe o valor de cada notinha fiscal que entra em casa, afinal, guarda cada uma delas, desde as da gasolina até às dos supermercados. Não haveria profissão melhor pra ele ou haveria?)

Adriana - O sabor das coisas tá mudando. Já não tem mais o mesmo gosto ir para o teatro, assistir às mesmas peças baratas com os mesmos discursos de sempre. Baratas não. Gratuitas! Afinal, segundo você, a gente nunca tem dinheiro sobrando pra essas coisas. Tô cansada, sabe!?
De andar descalça e não sentir a sensação de sujar os pés.

(Adriana é artista desde que nasceu. Segundo ela, já sapateava na barriga da mãe e as primeiras palavras foram “merda”, bem antes de falar mamãe. Sua mãe era dançarina de balé. Adriana tinha horror a balé. Tinha a certeza que era uma dança de elite, uma arte sem propósito. No fim das contas teve de aprender balé para um papel numa novela. Acabou não sendo a escolhida.)

Carlos - Não tenho saudade de nada do passado. As pessoas vivem reclamando e dizendo que antes era melhor. Melhor em quê? Hoje é igual a antes, mas diferente. Um caos como sempre. Mas não aqui em casa! Aqui em casa não!

(Carlos não teve uma infância muito fácil, mas não dá pra ter a certeza que foi difícil. O pai era a regra em pessoa e mantinha a casa a cabresto curto. Dizia ele que era assim que as coisas funcionavam e elas tinham de funcionar.
No aniversário de 9 anos de Carlos, a mãe foi embora de casa e nunca mais voltou. As coisas tornaram-se ainda mais difíceis e o pai dele desabou por um momento, mas se levantou… E nunca mais se casou.)

Adriana - Queria jantar fora. Experimentar uma comida nova, um restaurante novo. Ou fazer uma viagem, uma cidadezinha qualquer, dessas do interior do Brasil. Conhecer gente, mas gente de verdade, que ainda sente. Você sente falta disso?

(Adriana nasceu no interior do Espírito Santo. Uma cidade pequena, não muito distante de Vila Velha. Mas só nasceu lá, porque logo a família mudou-se pra São Paulo. Na metrópole as coisas mudaram rápido e a mãe logo entrou pra um importante corpo de balé e os pais se separaram. Depois vieram mais dois casamentos, que também não duraram. Adriana aprendeu bastante, conheceu gente bastante, mas não o bastante.)

Carlos - É isso! O pão!
O pão era melhor antigamente. Isso eu não posso negar. Aquele pão caseiro que a minha mãe fazia, não tinha pra ninguém. Era o melhor!
Não encontro mais esse sabor hoje em dia. E não vou gastar o meu dinheiro suado, nesses gourmetizados que vendem por aí. Nem devem ser bons. Devem ser ruins e com nomes que são cheios de frescura. Croissant, isso lá é nome de coisa gostosa.

(Apesar do abandono, tão cedo. Carlos alimentou durante toda a sua vida um certo carinho, ou melhor, uma nostalgia por pequenos detalhes da infância. Não com uma certeza inabalável de ter realmente vivido tudo aquilo e sim uma certa necessidade de um lugar seguro.)

--> Em breve, disponível na Loja do Literunico
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O poeta, não passa de um ladrão
Que rouba a história dos outros
Sem pedir permissão.

É um stalker, sempre em observação
Que atenta-se ao que ninguém vê
Tomando pra si o que só nas entrelinhas se lê.

Um verdadeiro psicopata,
Que mata as palavras, uma atrás da outra
Até que encontra a que perdurará prisioneira.

Enfim, uma nova companhia para o seu cativeiro
Mas, por quanto tempo?
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"Você Tem Certeza?", é a 7ª dramaturgia da série "12 Textos..."

Trata-se de um thriller/suspense, que envolve três personagens principais. Que tal conhecer, só um pouquinho deles:

Adriana sempre gostou de ler, de tudo. Consumia livros e livros e não só em português. Também lia em espanhol, inglês, francês. Não entendia tudo, mas lia, do seu jeito. Já escrever era um problema. Hora era bloqueio criativo, hora era um compromisso inadiável, hora era o último capítulo da novela. Escrever um projeto pra Edital então, nem pensar. Até tentou com amigos e até contratou profissionais pra escrever os projetos pra ela, mas nada ficava do seu agrado. Difícil!

Carlos não teve uma infância muito fácil, mas não dá pra ter a certeza que foi difícil. O pai era a regra em pessoa e mantinha a casa a cabresto curto. Dizia ele que era assim que as coisas funcionavam e elas tinham de funcionar.
No aniversário de 9 anos de Carlos, a mãe foi embora de casa e nunca mais voltou. As coisas tornaram-se ainda mais difíceis e o pai dele desabou por um momento, mas se levantou… E nunca mais se casou.

Tamara, desde pequena, foi dessas crianças que atraíam todos os olhares. Inicialmente pelas manhas barulhentas que fazia. Filha única, fazia escândalos que envergonhava os pais, que gente da mais alta classe, tentavam resolver tudo com uma boa conversa. A pequena já era muito esperta e se aproveitava disso a seu favor.
Na adolescência os meninos babavam por ela e as meninas também. Todas queriam ser ela. Já na vida adulta, as coisas não mudaram muito e ela adorava… Adorava “maltratar” os homens.

E então? Qual dos personagens te deu vontade de conhecer melhor?
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Algo me diz que a gente é foto, tipo polaroid,
Que não se apaga totalmente, mas desbota
E vai amarelando e ficando, aos poucos, irreconhecível
Como aquele VHS velho, com a fita, magnética, toda avacalhada

A imagem, ali gravada, distorce à tela, distorce a vida
Que um dia foi e agora é só mais um “não era”
O metal evaporado contamina o ambiente fechado
Enquanto inalamos produtos tóxicos por todo o lado

O mundo não tinha acabado, mas estava acabado
Quando inventaram um novo modo de guardá-lo
Modo instantâneo, disseram, tomou conta de tudo
Tornamo-nos instantâneos, fajutos, descartáveis

Um reflexo nas fotografias que queríamos guardar,
Bem mais próximos de um retrato do que gostaríamos de esquecer

>> Polaroid
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>> Ampulheta

Na ampulheta do tempo
A gente é areia
Que vai se esvaindo
E indo... E indo...

No pêndulo que balança
Entre a luz e a escuridão
Hora é rio, hora é mar
E em lágrimas
Sorrindo... E sorrindo...

Quem enxerga a tempo
Percebe que nada sabe
E quem se engana bate no peito
Que a ignorância é toda a verdade
E a vaidade
Segue vindo... E vindo...

E quando restar só o pó
Que iguala a todos nós
Ficará só uma certeza
Que a gente passou
E foi saindo...
Saindo... saindo...

Feito a areia... caindo

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Às vezes me sinto o reflexo de uma geração… perdida!
Que ousou sonhar e até chegou a acreditar
Mas esbarrou nas oportunidades escassas

Tenho a impressão que sempre nos olharam… como patinhos feios!
Foram forjados no sacrifício e nunca entenderam bem
Essa coisa de ter esperança

Aos poucos fomos contaminados e sugados… sem imunidade parlamentar!
Julgaram-nos até a alma, só pra cantarem vitória
Diante da massa arrendada e falida

O mundo andou doente por estes dias e a cura… Omissa!
Foi uma comunhão de vistas grossas e raiz grossa
Que o amargor dava pra sentir na derme

Mas seria grosseria dizer que ainda é assim
E que o novo tem tudo e mal sabe como chegar no fim
Perdidos éramos nós, mas nunca fomos os que não cantavam alecrim
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Abri os olhos...
Mil corpos, deitados à minha direita, mil corpos à minha esquerda.
Aos poucos eles se levantaram... E fomos seguindo, caminhando, feito uma criação que nasce, cresce e se alimenta, até que chega o dia do abate.

...

Edwiges - Anda Ian! Vamos nos atrasar!

Ian - Já vou! Mas você tem mesmo certeza que é seguro lá fora?

Edwiges - Tenho sim! Não precisa se preocupar. Eu já falei com o Vladimir e também com o Hans e eles prometeram te deixar em paz. Aliás, também disseram que não vão mais brigar.

Ian - E você acreditou neles?

Edwiges - Eles pareceram sinceros. Pareceu-me um acordo sério… De cavalheiros!

Ian - Tá bem! Eu vou com você, mas pra onde vamos?

Edwiges - Vamos brincar de esconde nos campos de trigo? Eu adoro e dá pra gente chamar todo mundo.

Como era lindo brincar nos campos de trigo. O Sol iluminava os cabelos ruivos da Edwiges e eles brilhavam… feito estrelas... feitos de estrelas.
O Hans e o Vladmir, sempre brigando, com todos e às vezes entre eles mesmo. E quando isso acontecia, todo mundo se envolvia e não tinha como ficar de fora. Estava feito no mundo o estrago.

...

"E Continuamos Contado..." é uma dramaturgia que narra um história potente de luta, guerra e sofrimento. Uma história conhecida por todos, porém contada de uma forma poética e leve, feito um romance adolescente que deixa marcas e aos poucos vai ficando no passado, mas que nunca é totalmente esquecido. Mas será que deveríamos?
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Aos poucos as palavras vão sumindo
E os gritos, abandonados, silenciando
A luz lá no alto, reduziu-se a uma pequena partícula
No fundo do poço, as paredes aparentam ser mais íngremes

As mãos, da ajuda, não alcançam tal profundidade
E as cordas jogadas, não passam apenas de cordas jogadas
A água já chegou na altura do peito
E o corpo submerso não reconhece mais o afeto

Afogado o instante, em instantes será esquecido
O estandarte abandonado, já era bagagem em excesso
Um rescaldo do mais negro cinza que finalmente encontrou um repouso
Uma palavra, não mais palavra… Agora uma mancha, que sobrou na borracha

...
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Onde a gente tamô?
A gente tá!
A gente tá?
Aonde?
Você não se lembra? Acho que a gente tá nos quintos.
Eu não lembro nem do primeiro
Que inferno!!!
Parece mesmo!
Igualzinho o que Dante falou
E quem é esse Dante aí?
É um escritor!
Coitado. Mais um morrendo de fome!
Você não sabe de nada mesmo, né
Ele morreu há mais de 300 anos
Nossa! Ele era mais pobre do que eu pensava
Agora faz sentido!
O que faz sentido?
Não terem me convidado pro enterro!
Será que ele tá aqui?
No inferno?
Ué. E o inferno não é dele?
Será que ele é o…

Ficou curioso com o desfecho desta história!? Então fiquem ligados aqui no Literunico que em breve o Livro 3 "Absurdo é Quadrado" , da coleção "12 Textos p/ Teatro Que Escrevi Quando Estava Falido", estará disponível em primeira mão por aqui!
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Zumbis é o 2º livro da coleção: 12 Textos p/ Teatro Que Escrevi Enquanto Estava Falido.

Ele já tá no forno, quase pronto. Esse trecho é só um aperitivo!

-x-

Montes…
Montes de gente, mas não gente, indigentes
Montes de lixo, montes em suplício, montes de merdas
Sempre fazendo barulho, barulho absurdo, montes de zumbidos
Zunindo no ouvido, zumbis…
Isso! Zumbis, sempre sedentos querendo alimentar os seus vícios.

Já são mais de 03:00h da madrugada e não me deixam dormir. Se xingam, se ameaçam, se querem matar e comer cada um o pedacinho do outro.

Um monte de loucos!

Fazem mais barulho do que os vizinhos nas beliches ao lado ou mesmo nos outros quartos. Às 07:00h eu trabalho, mas preciso sair por volta das 05:00 pra não pegar o metrô lotado.

O que eu tô fazendo aqui, já tô atrasado. Vou tomar um banho de gato e vazar rápido daqui.

Preciso correr, nestas ruas escuras, zumbis pra todo lado. Não posso ser assaltado, não tenho nada pra ser levado. Será que estes zumbis querem o meu corpo, socorro! Ou meu cérebro, meu deus, pra que querem meu cérebro, não tem nada lá dentro. Pelo menos nada que preste ou que sirva pra algo.

Não sirvo pra nada! Ouço isso desde sempre. Desde pequeno já não me viam como gente e hoje em dia é meu chefe, sempre mal-humorado, diz o tempo todo. - Você não serve pra nada! Não vende nada pelo telefone!

É sempre esse assédio, disfarçado de metas, nunca alcançáveis. Me dizem pra vender revista “Veja”, pra quem precisa de remédio pra vista. Nem Freud explica.

Ufa! Já passei pelo perigo maior. Essa rua da Sala São Paulo tem mais crack na rua do que tocando lá dentro no tablado ou no time do Corinthians. Aliás, esse não vê craque faz tempo.

Já consigo ver a Luz! Não a luz do fim do túnel, mas logo ali é o relógio da Luz. Mesmo no escuro ele tá sempre iluminado. Tô precisando tanto de uma luz. Será que ele divide um pouco comigo?

Ah, que bom, a escada rolante! Agora é só descer e seguir lá pra dentro. Mas que silêncio? Tá meio vazio por aqui. Mesmo esse horário já tem gente pra todo lado.

Que estranho! Tá fechado. A essa hora e o metrô tá fechado?

...