@purapoesia
há 1 mês
Público
Oba, Lá Vem Ele
O clichê não existe por acaso. Ele existe pois há uma necessidade de sua existência. O clichê se repete porque todos nós temos uma ânsia em vê-lo outra vez, nós rogamos para que aconteça. Então ele surge novamente como um alívio, uma doce previsibilidade ante as incertezas do momento seguinte. Ter tudo sobre controle é uma tara universal, um ópio, uma permissão para nos desmanchar. Quem não gostaria de viver sem ter pelo menos uma mínima coisa nas rédeas?
Sonha-se com um cargo no serviço público pois a remuneração e estabilidade são garantidos. Devaneia-se com a casa própria para não estar vulnerável à discricionariedade do aluguel imposto pelo senhorio. Bebês e crianças que têm à sua disposição uma rotina consistente dormem melhor, aprendem melhor e regulam mais eficientemente as suas emoções. A rotina e os clichês não são os vilões, são amparo.
O sistema e a sociedade condenam os clichês e a sua subespécie, a rotina. Para o sistema, é estar estagnado, é sinal de fracasso. Repetir uma fórmula um sem-fim de vezes parece quase um crime nesse mundo onde vivemos. No entanto, pouco se fala dos benefícios de adotar uma zona de conforto. Um filme, um livro ou uma série clichê é o porto seguro de muita gente. Reside em nós toda vida uma música que gostamos de repetir. Em um momento de vulnerabilidade é deveras importante recorrer à zona de conforto, é quase como se fosse colo e seio de mãe.
Deixo aqui minha saudação e o apreço aos clichês. Dê flores no Dia dos Namorados. Comemore o aniversário do mesmo jeito de sempre. Assista outra vez aquele filme que você sabe de cor. Leia novamente aquele livro que você já decorou de cabo a rabo. Puxe a cadeira para outra pessoa sentar. Abra a porta para uma pessoa passar. Clichê é repleto de gentilezas.
A gente repete tudo o que é bom. Fazemos isso talvez na caça impossível de sentir o gosto intenso da primeira vez. Não será a mesma coisa e abro protesto sempre sobre isso. No entanto, se desse sempre para repetir a primeira vez, ela nem de longe teria a valia e a importância que hoje a damos.
Sendo assim, vamos nos contentar com o copo d’água, ainda que não seja aquele oceano. Vamos nos contentar com a flor seca dentro do livro, mesmo não sendo colorida e viva como na floração da árvore. Vamos nos contentar com pouco, mas sempre sonhando com muito. É isto, é o clichê um açúcar, que pomos no amargor diário. Um fração de uma experiência que nos mudou de tal forma que insistimos em repeti-la. Uma fatia do bolo. Mas não é pouca coisa, nunca será. O clichê importa.
O clichê não existe por acaso. Ele existe pois há uma necessidade de sua existência. O clichê se repete porque todos nós temos uma ânsia em vê-lo outra vez, nós rogamos para que aconteça. Então ele surge novamente como um alívio, uma doce previsibilidade ante as incertezas do momento seguinte. Ter tudo sobre controle é uma tara universal, um ópio, uma permissão para nos desmanchar. Quem não gostaria de viver sem ter pelo menos uma mínima coisa nas rédeas?
Sonha-se com um cargo no serviço público pois a remuneração e estabilidade são garantidos. Devaneia-se com a casa própria para não estar vulnerável à discricionariedade do aluguel imposto pelo senhorio. Bebês e crianças que têm à sua disposição uma rotina consistente dormem melhor, aprendem melhor e regulam mais eficientemente as suas emoções. A rotina e os clichês não são os vilões, são amparo.
O sistema e a sociedade condenam os clichês e a sua subespécie, a rotina. Para o sistema, é estar estagnado, é sinal de fracasso. Repetir uma fórmula um sem-fim de vezes parece quase um crime nesse mundo onde vivemos. No entanto, pouco se fala dos benefícios de adotar uma zona de conforto. Um filme, um livro ou uma série clichê é o porto seguro de muita gente. Reside em nós toda vida uma música que gostamos de repetir. Em um momento de vulnerabilidade é deveras importante recorrer à zona de conforto, é quase como se fosse colo e seio de mãe.
Deixo aqui minha saudação e o apreço aos clichês. Dê flores no Dia dos Namorados. Comemore o aniversário do mesmo jeito de sempre. Assista outra vez aquele filme que você sabe de cor. Leia novamente aquele livro que você já decorou de cabo a rabo. Puxe a cadeira para outra pessoa sentar. Abra a porta para uma pessoa passar. Clichê é repleto de gentilezas.
A gente repete tudo o que é bom. Fazemos isso talvez na caça impossível de sentir o gosto intenso da primeira vez. Não será a mesma coisa e abro protesto sempre sobre isso. No entanto, se desse sempre para repetir a primeira vez, ela nem de longe teria a valia e a importância que hoje a damos.
Sendo assim, vamos nos contentar com o copo d’água, ainda que não seja aquele oceano. Vamos nos contentar com a flor seca dentro do livro, mesmo não sendo colorida e viva como na floração da árvore. Vamos nos contentar com pouco, mas sempre sonhando com muito. É isto, é o clichê um açúcar, que pomos no amargor diário. Um fração de uma experiência que nos mudou de tal forma que insistimos em repeti-la. Uma fatia do bolo. Mas não é pouca coisa, nunca será. O clichê importa.