Avatar

@purapoesia

Adriel Alves Magalhaes
47 posts 32 Seguidores 28 Seguindo
Público
a constelação dos seus olhos

cassiopeia, andrômeda, órion
palha frente a teus olhos
astro tanto, ensolara
erige esmeralda onde passa

teus olhos
põem terra abaixo
qualquer sonhada divindade

divinos
sirvo a eles
servo
os observo e adoro
feito quem adorna um panteão.
Público
+18 #

a percorro
com a ponta dos dedos
contorno o mamilo
os pelos finos
a traço

encontro pois tuas pétalas
róseas, úmidas, viscosas
penetro este jardim
lhe provo com tato

não contente
almejo lhe comer
com os olhos
nariz
boca
com o corpo

vagaroso e paciente
em riste, a infiltro
sinto a tua chama
molho a cama
rejo melodia
de ofego, gemido
estalo molhado

explodo!
alivio...
e
s
c
o
r
r
o
alvo
entre
tuas
coxas.
Público
abrasa-me
me queima com teu corpo
a língua de fogo
de tua maciez

fricciona
até nos incendiar
roça e lubrifica
dois rios

o veludo molhado
quente e lúbrico
não olvidarei

o cheiro de tua rosa
perpetuará
o néctar em meu beiço
doce e amargo
único
como tua flora

deságua em mim
vazarei em tua boca
todo o prazer
que cultivaste.

#
Público
sinto muito, apesar de tudo

sentir é uma alforria
ante o açoite diário
os donos do mundo
vetam o afeto

sê frágil feito vidro
caco fere se preciso
sê límpido feito vidro
peito aberto, sangria
batimento em galeria
inda não somos ossos

é frágil a pedra, o aço
é forte a pétala, a água
a rosa desarma a bomba
a nascente não desanda

deixa escorrer teu sangue
vence a sede vampírica
vence os hematófagos
deixa o rubro inundar
tu, o outro, a metrópole

a seda cortine os entulhos
os monolitos titãs matando apolo
inda há afrodites, apesar de tudo
inda há cores britando

escorra o rio sal
horizonta o branco
foz na face
erupciona se couber
escreve carta cursiva
cola dois verbos
põe em ti a peça
restante

fuja da carne
toda a flora
desmatada
toda a fauna
enjaulada.
Público


selvagem

este corpo lhe pertence
o tateie, o rasgue!

lambe-o, chupa-o
selvagem
me oferto, presa
devora-me

me põe na boca
me põe em ti
roça e uiva
revela o instinto

alimenta-te de minha carne
a leva à tua garganta
saboreia a minha seiva
não deixas uma gota

desfruta de meus restos
e eu de tua nua fruta
comemo-nos
ceemos sem receio

melarei-me com tua polpa
a face entre as dunas
as mãos em tua maciez
colherei os suspiros
matarei a sede
com a tua mélea água.